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Chefias – “Leadership Teams”

O texto a seguir é uma tradução livre de algumas partes do capítulo que trata de chefias, ou times de líderes de um manual da associação inglesa (The Scout Association), destinado aos escotistas de um ramo. Foi escolhida a parte que mostra como a associação-mãe aborda e se preocupa atualmente com a proteção infantil, pertinente com o momento em que estes registros também passam a ser exigidos no Brasil. Inicialmente, a Introdução de todo o capítulo:

 “Qual é o segredo para administrar uma seção com sucesso? Aqui, nós consideramos pontos cruciais que influenciam a liderança da seção, como recrutamento de adultos e organização da equipe, nós também exploramos assuntos como formação, administração e boas práticas que permitam ao seu time de trabalho criar um programa eficiente.”

 “Equipes entusiamadas de adultos administram com sucesso as seções. Muitos destes grupos são liderados por um chefe de seção indicado que terá assistentes, colaboradores e jovens líderes para compartilhar o papel de administrar a seção.”

Mantendo as crianças seguras:

Pais e responsáveis esperam que os adultos encarregados da seção tenham a experiência e o conhecimento apropriados para supervisionar suas crianças e organizar um programa excitante embora seguro.

Muitos adultos no escotismo tem acesso frequente aos jovens. Para garantir a segurança destes jovens, é política da The Scout Association que todos os adultos a partir de 18 anos tenham seus registros criminais checados. Isto é feito em colaboração com o Escritório de Registros Criminais (Criminal Records Bureau – CRB) na Inglaterra e no País de Gales, pela Disclosure Scotland na Escócia e pelo Pre-Employment Consultancy Service na Irlanda do Norte.

Estas verificações precisam ser feitas para todos os adultos novos no Movimento, para qualquer membro que se ausentou do escotismo e está retornando e para quem está trocando de Distrito. É também boa prática realizar a conferência quando um adulto troca de função.

Um processo confidencial:

Alguns adultos podem achar que estas conferências são desnecessárias e invasivas e devemos tratar estas pessoas com sensibilidade. Explicar que a conferência é para garantir a segurança dos jovens e reforçar que as informações relacionadas a verificação são estritamente confidenciais. Uma vez que alguém entenda que existe uma razão para tal checagem, ele é mais disposto a aceitar.

Alguns adultos precisam ser informados que ofensas menores como multas de trânsito não serão levadas em conta. Outras infrações mais sérias podem causar problemas mas serão tratadas com compreensão e confiança.

É responsabilidade do chefe de seção assegurar-se que a conferência dos registros criminais está completa. É importante ter um procedimento organizado para que os formulários sejam monitorados, eventuais extravios resolvidos e todo o processo esteja concluído tão rápido quanto possível. Há uma quantidade de formulários e informações disponíveis em http://www.scouts.org.uk que podem ajudar seus membros através deste processo.

Checando os pais:

Aqueles pais que planejam ajudar, mesmo que uma ou duas vezes deverão fazer a conferência no CRB (Criminal Records Bureau). Isto deve ser iniciado tão logo quanto possível e acesso sem supervisão aos jovens não deve ser permitido até que os resultados da consulta sejam recebidos.

A resposta dos pais é surpreendemente positiva quando é explicado que tudo isso é feito no interesse da proteção e segurança das crianças. Uma verificação no CRB tipicamente leva muitas semanas e pode ser mais longa em períodos de movimento. É, então, recomendado não deixar o processo de verificação para o último minuto. Se você está planejando envolver os pais em um acampamento de Julho/Agosto, por exemplo, os formulários CRB devem estar completos e postados em Abril.¹”

O chefe de seção

 O chefe de seção recebe a indicação para o cargo e se espera que complete o esquema de formação da Insígnia da Madeira. Esta é concedida quando uma gama acordada de experiências e conhecimentos foi validada por um Assessor Pessoal. Algum treinamento pode ser necessário, mas o esquema é baseado em necessidades, onde nem todos os módulos precisam ser completados em um curso formal ¹.

Chefes também precisam completar um Curso Básico de Primeiros Socorros e treinamento em Primeira Resposta ao Trauma, que deve ser renovado a cada três anos ¹.”

 1 – Segundo os procedimentos da Inglaterra.

Fonte:

Colony Essentials, A guide to running a successful Beaver Scout Colony, The Scout Association, Cap. 3 Leadership Teams, pg16-21, England, 78 p., 2013.

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A Fila do Jamboree Nacional

 

Durante o 5º. Jamboree Nacional, no Rio de Janeiro, houve momentos que se formava um fila para acesso ao refeitório, devido ao grande fluxo de pessoas. Em algumas oportunidades, ela evoluía lentamente e isto era agravado pela postura de nossos irmãos escoteiros, principalmente os chefes.

Por várias vezes assistimos hordas de jovens descaradamente procurando outros integrantes de seus grupos na fila e se juntando a eles. Sem dúvida, este era o maior complicador. A postura daqueles que prometeram ser irmãos dos outros, serem leais, serem obedientes e disciplinados. Um exemplo de má educação.

Após alguns episódios, outros chefes que não concordavam com a atitude tipicamente brasileira, de levar vantagem em tudo, inclusive em uma fila de escoteiros, passaram a questionar os jovens furões. A situação ficou tensa, e pasmem, justamente porque estes escoteiros eram apoiados por seus chefes! Os argumentos eram os mais variados e se aplicavam a todos na fila. Explicações tipo “só fui no banheiro”, “eu já estava aqui antes”, “só fui comprar um pin na loja”, “só fui ligar para a minha mãe”, etc. Ora, se você tem algo a fazer, não entre na fila e se precisar sair, ao retornar vá para o seu final. “Guardar lugar na fila” é outra invenção oportunista de brasileiros. Mas nem era esse o caso, os jovens estavam mentindo descaradamente.

Outros chefes iam além em defesa do furo e diziam que os jovens não poderiam ser cobrados ou recriminados na frente dos outros. Este argumento tira o foco do problema, que é furar a fila e tenta abrir outra discussão paralela, fugindo do âmago da questão, que é cumprir espontaneamente as regras e fazer o que é certo. Outro ponto é a formação educacional e acadêmica de quem usa este enfoque. O que você já estudou de educação para justificar em público tal postura? É evidente que se trata de mais um palpiteiro.

Sobra uma reflexão importante. Muito se fala da dificuldade do escotismo brasileiro crescer e de estratégias institucionais para isto, mas talvez, quem sabe, o problema esteja na base. Junto a alguns chefes que cuidam das crianças. Pensando como pai (há quatro anos) e não como chefe escoteiro (durante 22 anos, mas há 32 no movimento), não gostaria que minhas filhas frequentassem um ambiente onde o líder estimula pequenas artimanhas como furo em filas e caça a troféus em acampamentos (o que na verdade é roubo). Se os grupos não crescem, seria oportuna a pergunta sobre qual o material humano que o lidera. Quantas histórias de sucesso existem lá? Que futuro tiveram os antigos escoteiros? São respostas a estas perguntas que atestam a qualidade do que é praticado e ajudam uma família a decidir se seus filhos participarão ou não da associação.

Façamos um exame de consciência e uma análise profunda do que estamos ensinando em nossos grupos, para nossas tropas, das interpretações que estamos dando aos fatos. O crescimento do escotismo no país depende sem dúvida de atitudes eticamente corretas, que tanto desejamos como sociedade e de bons exemplos.

Uniforme escoteiro, Traje ou Vestimenta

          Foi divulgado que no próximo Jamboree Nacional, em julho, teremos a apresentação de uma nova vestimenta escoteira, que vem sendo elaborada sob a coordenação do Conselho de Administração Nacional (CAN) dos Escoteiros do Brasil (http://www.escoteiros.org.br/arquivos/can/atas//reu_68.pdf).

          Quantas diferentes você já usou? Pessoalmente, já usei seis diferentes, sempre na modalidade básica, mas o número é maior.

            Portanto, trocar a indumentária no escotismo brasileiro é frequente e não é motivo para angústia ou ansiedade. Nunca houve um estudo com metodologia válida que demonstrasse o impacto disso no efetivo, mas sabemos empiricamente que no máximo em quatro anos a tropa perde a memória, porque toda ela se renova e que os jovens, incluindo os adultos jovens, normalmente gostam de mudanças. Aos que contam mais estrelas de atividades, isto não é nenhuma novidade.

            Há, ainda, a questão da cobertura, que já mudou muitas vezes, independente do resto do uniforme, e onde as possibilidades já contemplaram o chapéu, a boina, diferentes modelos de bonés e não usar cobertura alguma.

Jornal Sempre Alerta

 

Capa do Jornal Sempre Alerta de abril de 1992, lançando novo o Traje Escoteiro.

Página interna do jornal que foi dedicado exclusivamente ao fato, explicando a sequência de eventos até o lançamento.

            Pelo apurado extraoficialmente até o momento, muitas tradições que haviam sido eliminadas em abril de 1992 com a introdução do traje escoteiro serão resgatadas. Voltaremos a ter roupas diferentes para adultos e calças padronizadas, entre outras coisas recuperadas.

          Naquele momento, o traje foi uma evolução do uniforme social, ao qual o uso era franqueado também para os sêniores, embora pouco usado por estes, mas era o uniforme padrão para os chefes que podiam usar também o cáqui. Pelo que descreve a ata do CAN, continuaremos com mais de uma opção de roupas escoteiras, não esclarecendo neste momento ainda como será a escolha por qual delas usar.

Edição da década de 1970 do P.O.R., no início do capítulo que discorria sobre o uniforme dos adultos.

            Elaboramos uma pequena amostra de diversas modificações ocorridas ao longo dos anos, no estilo álbum de figurinhas, buscando identificar o que teremos de volta, conforme já citado, ainda sem informações oficiais e destacando alguns pontos curiosos.

Semana da Pátria em Porto Alegre, 1942

Imagem da década de 1940, calça comprida padronizada ao centro, demais de bermudas. Observe o uso de botas juntamente com o uniforme.

As excursões de Georg Black

 

Georg Black e demais chefes a frente, usando calças e botas. Data e local da foto desconhecidos. Para mais detalhes sobre esta foto, visite o post “As excursões de Georg Black”.

Bastão Totem, desfile em Triunfo, RS

Uniforme clássico de Lobinho, apelidado em alguns locais de “farda azul”. Este expressão também era usada pejorativamente ao escoteiro imaturo, como se ele ainda fosse um lobo. Foto de 1982, durante desfile comemorativo da Semana Farroupilha, em 20 de setembro.

Lobinhos com uniforme azul e chefia com uniforme social, primeira alcatéia do GE Chama Farroupilha 183 RS, em 1986, no dia da promessa.

Uniforme Social para chefes com boina, diferente dos jovens, com opção de gravata preta ao invés do lenço escoteiro, foto de outubro de 1982.

Fundação do GE Chama Farroupilha 183 RS

Idem anterior, foto de 1 de maio de 1986. Escoteiros, chefes e lobinhos com diferentes indumentárias, chefes na direita usando gravata ao invés de lenço escoteiro. A gravata deveria ter na porção média um pin com o emblema oficial da União dos Escoteiros do Brasil.

Jamboree Farroupilha, 1986

Uniforme Cáqui todo curto, com boina, padrão mais duradouro das vestimentas escoteiras brasileiras, sendo o Cáqui para o jovem; uniforme social com calça cinza chumbo padronizada e camisa azul mescla, precursor do traje, para o escotista ao centro. Observe os bastões escoteiros, que eram regulamentares e individuais nesta época. Foto de janeiro de 1986, durante o Jamboree Farroupilha, no Parque Osório em Tramandaí.

Tropa escoteira com uniforme cáqui padrão, foto anos 1980.

Entrega de Cordão Verde-Amarelo

Jovens e adultos com uniformes distintos, foto em 7 de setembro de 1986.

Na sede do GE Chama Farroupilha 183 RS

Uniforme cáqui usado por escotista, igual ao dos jovens, modelo atual.

Jamboree Farroupilha, 1986

Uniforme cáqui da modalidade básica, Escoteiro do Ar ao centro e Bandeirantes no lado direito, Jamboree Farroupilha, janeiro de 1986.

Desfile 20 de Setembro, Triunfo RS

 

Cáqui mangas longas e calças curtas com boina, foto de 1988.

Camisa e distintivos Retrô.

Camisa social com boina e penacho, foto atual mas com vestimenta dos anos 1980. Para ser completamente autêntico, a calça deveria ser cinza chumbo e não de brim azul.

Traje com calça sem cobertura, padrão atual.

Traje com bermuda, chapéu e meias cinzas escoteiras, jovem e escotista com vestimentas iguais.

Para concluir, quantas vestimentas escoteiras, incluindo as diferentes combinações de peças, você é capaz de contar na foto acima ?

Medalhas e Reconhecimento

 

            No último Congresso Nacional Escoteiro realizado em São Luís, a comissão encarregada de revisar as condecorações escoteiras apresentou o resultado de seu extenso e detalhado trabalho, com a revisão das medalhas existentes, criação de novas comendas e também de outras formas de reconhecimento, como o Pin do Cônjuge.

            Sem dúvida um trabalho de fôlego, que merece elogios e que por várias vezes destaca a preocupação de reconhecer o nível local. Isto atende a grande população dos chefes, pois é no nível local e no interior do país, onde a maioria dos escotistas atua e este é o trabalho mais importante, uma vez que o jovem é a razão de existir do escotismo. Todavia, as condecorações são mais frequentemente destinadas aos chefes ligados aos níveis regional e nacional de administração do escotismo.

            Corrigir este viés era uma questão antiga que precisava ser enfrentada. Contudo outros três pontos permanecem obscuros. O primeiro deles diz respeito a como estas pessoas serão identificadas. Atualmente, é necessário que outra pessoa do grupo escoteiro tenha conhecimento sobre as condecorações e seu processo de concessão e provoque a Comissão Regional para a avaliação do caso. Isto é raro e difícil, muitos diretores e chefes reconhecem o merecimento dos seus colegas de grupo mas desconhecem as condecorações, seus critérios e como solicitá-las. É eticamente inadequado o chefe Mutley, como do desenho animado, que só ajudava o Dick Vigarista em troca de medalhas. Traduzindo, é descabido solicitar uma condecoração para si mesmo. No outro extremo, vemos chefes muito dedicados, que merecem todas as honrarias mas não estão nem um pouco preocupados com elas porque estão envolvidos demais com seus grupos e crianças. Como reconhecê-los ?

            Talvez isto pudesse ser resolvido com uma busca mais ativa pelas Regiões das pessoas merecedoras, quer seja através do SIGUE que hoje possibilita o acesso a vida escoteira, quer seja através da consulta pessoal as diretorias dos grupos que poderiam passar as informações. O maior exemplo é a Medalha de Bons Serviços. Quem de nós não conhece ou teve chefes brilhantes, dedicados, que sustentam seus grupos com trabalho e até dinheiro nos momentos de dificuldade, com muitos anos de dedicação e que nunca foram reconhecidos simplesmente porque seus pares desconhecem os caminhos.

            Esta situação é ainda mais percebida nos grupos do interior, muito próximos de suas comunidades mas distantes das capitais e grandes cidades. Usualmente o trabalho nas comunidades menores é muito bom porque todos se conhecem e se ajudam mutuamente, somando esforços da população para o progresso do grupo. Os chefes funcionam como agregadores e canalizadores dos potenciais locais, formando uma grande rede de contatos, invisível aos Escritórios Regionais. Reforçando este argumento, vejam quantos grupos do interior recebem a distinção Grupo Padrão, comparados proporcionalmente aos grupos dos grandes centros urbanos.

            Isto remete ao segundo ponto que é o critério para a concessão ou não, mas principalmente para a definição do grau da condecoração. Novamente se observam chefes com longas trajetórias e dedicação, que muitas vezes já atuaram em diferentes níveis mas que recebem comendas inferiores, baseadas em parte dos fatos de sua vida, a outros com história mais breve e menos intensa, mas onde seus pares souberam melhor apresentar as razões. Esta é outra situação onde uma breve consulta ao SIGUE ajudará a corrigir as dicotomias.

            A terceira questão é a situação sugerida de vinculação de uma condecoração como sequência da outra. O recém criado Tucano de Prata é destinado a atuação no nível local, onde o pré-requisito é a Cruz de São Jorge há pelo menos cinco anos. Esta foi também ampliada para o nível local, o que é muito bom, mas apresenta como pré-requisito a Medalha de Gratidão grau Ouro há dois anos pelo menos. Aqui o nó se fecha. O Manual é muito explícito nas páginas 10 e 11 ao afirmar que aqueles que atuam no nível local deverão receber o grau bronze. O grau Ouro é destinado para “dirigentes com destacada atuação por mais de duas gestões no nível regional ou nacional, etc”. Então, como o adulto de nível local poderá receber a Cruz de São Jorge e o Tucano de Prata se ele, atuando no nível local, não é elegível para a medalha de Gratidão Ouro, pré-requisito da primeira ?

            O novo manual ajudará muito, mas a subjetividade do processo ainda estará presente e talvez os maiores desafios sejam identificar os merecedores no nível local, de forma proativa, como proposto no novo manual, com a interiorização do processo, verdadeiramente reconhecendo também aqueles que trabalham preferentemente com os jovens, razão de ser do movimento escoteiro. Necessário também será reavaliar a questão da medalha de Gratidão Ouro e sua vinculação com a Cruz de São Jorge para que realmente aconteça a contemplação do nível local. Deverá haver trabalho extra para as Comissões.

Brique

       

           O costume de trocar objetos escoteiros, incluindo distintivos, cintos, lenços, anéis de lenço e tantas outras coisas, é uma prática talvez tão antiga quanto o próprio escotismo e que sempre desperta muito interesse.

          Não existe evento escoteiro onde as trocas não aconteçam. Mesmo com apenas dois grupos acampando juntos, lenços escoteiros são trocados. Nos jamborees costuma haver uma área determinada, tipo uma praça de trocas, que é o ponto de encontro dos colecionadores, embora ocorram negócios em qualquer lugar. Alguns chamam estes pontos de mercado das pulgas ou mercado persa, mas a verdade é que nunca haverá dinheiro envolvido, nada pode ser vendido ou comprado, somente trocado. Se há diferença entre os objetos, esta deverá ser compensada com mais itens e nunca com óbolo.

          Uma alternativa são as trocas pelo correio, modalidade que praticamos durante muitos anos, obtendo endereços de outros escoteiros através de um sistema mundial chamado de Pen-Pal, onde os interessados ofereciam seu endereço para divulgação e obtinham endereços de outros. Então, bastava escrever a primeira carta para iniciar a amizade e as trocas.

          Modernamente, o email pode superar com muita vantagem este método porque os objetos podem ser negociados com fotos e somente após haver o acordo entre as partes os distintivos são postados. Assim, não há dúvida do negócio feito.

          Com os sites de vendas diretas como o Mercado Livre, muitos distintivos podem ser encontrados para compra e chama a atenção o preço astronômico que são oferecidos. Alguns com valores mais de dez vezes superiores aos praticados pelas Lojas Escoteiras. Não há explicação para isso, exceto a expectativa de lucro fácil, quebrando o segundo artigo da Lei Escoteira, O Escoteiro é Leal. Ou certamente não são vendidos por escoteiros.

          Então, motivado por estes preços abusivos e oportunistas, pelo vício de colecionar e trocar coisas escoteiras que abriremos uma nova página no blog, chamada exatamente de “O Brique”, onde serão expostas fotos de distintivos e objetos que temos disponíveis para troca. Obviamente, será gradativamente elaborada e continuamente atualizada. Se algo lhe interessar, deixe um post para iniciarmos as negociações via email e pelo sistema tradicional, ou seja, sem envolver dinheiro. Mas seja rápido, porque muitos itens são únicos e se houver demora no contato, alguém poderá chegar primeiro.

 

As fotos deste artigo são do local de trocas do Jamboree Mundial da Suécia, 2011.

Salário de Chefe

 

Moedas da Boa Ação

 

            Qual a maior satisfação de um chefe escoteiro? Qual o salário de um escotista? Muitos respondem que é o sorriso dos jovens com quem trabalhamos, mas hoje se pode afirmar com tranquilidade que esta é uma satisfação ou pagamento fugaz, é como se fosse a gorjeta que se recebe ao atender bem um cliente ou freguês, não é o pagamento verdadeiro.

 

            Atualmente acreditamos que nosso pagamento verdadeiro, o salário de carteira assinada com fundo de garantia, é olhar para trás depois de alguns anos e ver que rumo tomaram os jovens que foram nossos escoteiros, que caminho eles escolheram para suas próprias vidas depois que passaram por nossa influência.

 

            É o sucesso deles que expressa o nosso salário, o quanto trabalhamos bem ou quanto ainda podemos melhorar como chefes, como pessoas. Obviamente que o escotismo não é a única influência na vida destes indivíduos, logo não pode receber todos os louros da vitória daqueles que se tornaram cidadãos de sucesso e nem a responsabilidade pelos insucessos e problemas que muitos tiveram. Mas não se tem dúvida que a contribuição do Movimento Escoteiro é positiva e realmente ajuda as pessoas.

 

            O Grupo Escoteiro Chama Farroupilha esta em uma cidade pequena, por isso as pessoas não perdem o contato e quando se olha para os jovens que passaram pelo grupo nestes vinte e seis anos de existência, se sabe que alguns tiveram desventuras, mas são incontáveis os casos de sucesso. Pessoas que hoje são advogados, médicos, dentistas, engenheiros, administradores, contadores, empresários, professores, comerciantes, operários, militares, músicos, policiais, funcionários públicos, enfim, uma variedade de profissões, mas todos com uma vida honrada onde os enunciados de Baden-Powell fazem parte do cotidiano, muitas vezes sem serem percebidos conscientemente por aqueles que foram escoteiros.

 

            É com muita tranquilidade que se pode afirmar que a existência de um Grupo Escoteiro na comunidade é muito profícua, sendo inegável a sua contribuição para a educação dos futuros cidadãos. No caso do Chama Farroupilha, nunca é demais agradecer aos fundadores Silvio Machado Felten (in memoriam), Saulo Ernani Radin e Achiles Goldani Netto que juntos com outros plantaram a semente em 1986 e cuidaram da muda até ela se tornar uma árvore frondosa. Hoje aproveitamos sua sombra, colhemos os frutos, mas continuamos cuidando desta árvore que exige atenção permanente e contínua para que as próximas gerações também possam desfrutá-la e mais chefes recebam seus salários.

 

SIGUE, a vivência de um grupo escoteiro

           A experiência de utilizar o SIGUE, sistema de informações desenvolvido pela União dos Escoteiros do Brasil (UEB), para gestão dos grupos escoteiros, é uma das mais emocionantes possível. Esta ferramenta é um verdadeiro presente para as unidades escoteiras e a razão deste entusiasmo nasce na época em que toda a administração da seção e do grupo era na base do papel.

            Há poucos anos atrás era impossível pensar em ter acesso a base de informações do grupo escoteiro em qualquer lugar e a qualquer hora. Usualmente isto só poderia ser feito na sede do grupo e resultava em um volume significativo de papel que necessitava ser eternamente arquivado. Parece, aos chefes e dirigentes, algo óbvio, mas converse com chefes ou dirigentes novos, que entraram para o escotismo após a implantação do Sigue e conte a eles como era a vida na época da Ficha 120 e da 121 para adultos. Eles simplesmente não acreditam. Não crêem que era necessário escrever vinte, trinta vezes, a mesma frase em cada ficha individual, para cada atividade. Parecia castigo escolar do tempo antigo. Sem falar na dificuldade de utilizar e manter atualizados os pequenos e confusos campos da ficha 121. O resultado era a grande maioria de escotistas sem fichas pessoais, com sua história ficando perdida. Abaixo estão exemplos destas fichas, com modelos da década de 1990’s.

Ficha 120 dos anos 1990's

 

Ficha 121 dos anos 1990's

            É sabido que alguns grupos desenvolveram bancos de dados para usar o computador ao invés do serviço braçal, mas um sistema oficial, acessível a todos, é, talvez, o maior avanço administrativo de toda a história da UEB. Além disso, permite ao órgão central registrar e contabilizar tudo que é feito no país. Imagine um relatório ou alguma forma de divulgação do escotismo afirmando que em determinado ano, no Brasil, houve 5 mil acampamentos escoteiros, realizados pelos grupos, por exemplo. Hoje, qualquer informação desta natureza poderá ser gerada no Sigue, englobando todo o território nacional e oferecendo uma visão de tudo o que fizemos no país. Será possível contabilizar tudo o que o escotismo brasileiro produz.

            Outra inegável qualidade do sistema é o arquivo fotográfico que é formado, permitindo acesso a todos os participantes do evento. Com as devidas proporções, quase um Facebook escoteiro. Recentemente, a incorporação da avaliação das atividades do Troféu Grupo Padrão através do Sigue também representou um excelente avanço, reduzindo o trabalho e a duplicidade de informações e relatórios. Certamente logo os Mutirões Nacionais Escoteiros de Ação Ecológica e de Ação Comunitária seguirão o mesmo caminho.

            Após o período de implantação e aprendizado do sistema, experimentamos uma fase de neurose de dados, com a necessidade de lançar a maior quantidade possível de informações pregressas, o que resultou no resgate da memória do grupo. Fantástico. Um efeito colateral inesperado, mas muito benéfico, pois os livros e fichas estavam se deteriorando, todavia precisavam ser preservados e recuperados porque para aqueles membros que no passado faziam parte do grupo não podem ser incluídas novas informações, uma vez que a base de participantes é o registro escoteiro atual e isto nos parece também muito correto. Neste ponto aparece outro benefício, o combate a evasão, que desta vez é por uma vontade enorme do jovem em ter acesso as suas informações. Isto facilitou a vida nos grupos, pois naturalmente aumentou o interesse de cada um em registrar-se.

            Mas a riqueza do sistema está justamente em utilizá-lo em sua plenitude e não apenas para o registro escoteiro e inscrições em eventos. Percebemos que quanto mais o implantamos, mais necessitamos dele e mais facilidades e benefícios são descobertos. Até os chefes mais refratários acabam se rendendo ao sistema e gostando muito. Por isso, a preocupação dos chefes e dirigentes do grupo em abastecer de forma correta e abundante o programa é fundamental para o sucesso.

            Naturalmente, as chefias começaram a sofrer esta pressão dos jovens, pois se consultam o Sigue Jovem e encontram seus dados desatualizados, já na próxima reunião questionam sobre o assunto.

            Acreditamos que podemos avançar mais, justamente para motivar os adultos a lançar dados no Sigue. A exemplo do que o CNPq desenvolveu no meio científico, criando uma base de currículos dos pesquisadores brasileiros, conhecida como Plataforma Lattes (http://lattes.cnpq.br), talvez fosse possível oferecer consulta pública ao sistema para os currículos escoteiros dos adultos. O currículo Lattes permite visualizar a vida acadêmica do profissional, sem que dados pessoais ou de identificação tais como endereços, telefones, CPF’s, exceto o nome, sejam mostrados, utilizando uma ferramenta de busca individual. Assim, seria viável a qualquer pai pesquisar a Ficha 120, ou parte dela, dos chefes ao qual está confiando seu filho. Haveria mais transparência e um cuidado maior na atualização dos dados.

            Concluímos afirmando que este sistema é estimulante, muitíssimo útil e seus idealizadores e desenvolvedores merecem o reconhecimento de todos nós que utilizamos o mecanismo, sem dúvida, um grande progresso para todos.

Quando você divulga o escotismo?

Quando você divulga o escotismo?

O escotismo no Brasil enfrenta dificuldades de crescimento, com um efetivo que já foi maior e está estagnado, não acompanhando o desenvolvimento proporcional da população do país. Diversas razões e alternativas estão expostas e discutidas no relatório O Escotismo Brasileiro, elaborado por de Jean Cassaigneau e publicado em fevereiro de 2008, a pedido da União dos Escoteiros do Brasil.

Uma das razões discutidas é a baixa autoestima que os jovens sentem em relação ao movimento, quando estão em público, conforme descrito na página 32, dizendo que sentem vergonha de aparecer de uniforme. Ora, certamente isto decorre do receio de serem ridicularizados ou debochados pelos transeuntes porque a indumentária escoteira pode parecer estranha a olhos incautos. Isto é um costume nacional, debochar das roupas diferentes, da camiseta do time adversário e tantas outras situações. Mas como esperar reconhecimento de um povo que picha suas próprias cidades, incendeia contêineres de lixo, se comporta como primatas quando dirigindo carros e motos e rouba bronzes de praças para derretê-los e vender a peso como sucata apagando a memória histórica? O problema é educacional e a solução certamente está fora do escopo do escotismo, embora este possa ajudar.

Muito bem, sabemos que para o crescimento da instituição o marketing é fundamental e que a repetição sistemática da imagem facilita muito na sua assimilação, todavia é raro os escoteiros serem vistos e mesmo não seria pertinente andar uniformizado vários dias da semana. Todavia, pensamos que temos uma alternativa muito eficiente à disposição, mas depende da participação de cada membro do movimento e não produziria constrangimento aos jovens.

É farto o material escoteiro que não compõem o uniforme/traje e é para uso social. Uma infinidade de camisetas, casacos, agasalhos, bonés, enxovais de eventos, pins e lapelas que a grande maioria de nós reserva para usarmos exatamente em atividades escoteiras, ou seja, junto de outros escoteiros. Pois a proposta é justamente usar este material diariamente como forma de divulgarmos sistemática e continuamente o movimento. Vá correr, pedalar ou caminhar nos parques com uma camiseta escoteira, use um boné ou chapéu australiano escoteiro para ir a praia, para ir para a escola, use as lapelas escoteiras no seu terno ou blaser. Adesive seu carro com adesivos escoteiros. Use canetas e peso para papéis escoteiros em seu escritório. Mostre de forma informal mas contínua que você é escoteiro. Faça isso sempre. Influencie os outros. Não tenho dúvidas de que teremos muito crescimento.

Os adultos podem iniciar a campanha de usar roupas com motivos escoteiros sempre que possível e os jovens se sentirão confiantes para também fazê-lo. Não perca a oportunidade de falar sobre escotismo com seus colegas e amigos. Quantas vezes só depois de conhecermos uma pessoa há algum tempo, descobrimos que ela também é ou foi escoteira? Isto só depois de já sabermos para qual time torce, o que gosta de comer e tantos outros detalhes pessoais. Isto ocorre justamente porque não deixamos transparecer que somos escoteiros. Guardamos segredo. Pois bem, divulgue o movimento, use suas camisetas e bonés escoteiros pela cidade, no cotidiano. É um marketing barato, elegante, frequente e que certamente trará muitos outros membros para o escotismo.

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