Discutindo a progressão dos jovens

Uma vez, debatendo via e-mail com o chefe sênior de nosso grupo sobre as dificuldades de estimular os jovens a assumirem seu próprio desenvolvimento, chegamos no seguinte texto, resultado das trocas de e-mails:

Sobre as etapas de progressão tenho algumas idéias. Primeiro que nem todos as realmente farão porque não é isto que os atrai no escotismo. Alguns vem pelas amizades e clima fraternal, outros pelas atividades externas e pelo campismo, outros pelas disputas entre grupos (patrulhas) e outros despertam para a progressão pessoal e buscam conquistar etapas que podem ser mostradas aos demais. O bom seria se todos os jovens tivessem toda esta lista de interesses, mas não é assim. Todavia, pelo menos alguns da tropa devem buscar a progressão formal, seguindo o sistema de etapas.

Não podemos esquecer que BP era militar e foi dai que nasceu a idéia de distinguir os jovens com insígnias para usar no uniforme, como os militares fazem e em inglês a palavra é a mesma para insígnias escoteiras ou militares (badge). Mas isto mexe com a vaidade das pessoas, porque a conquista fica evidente para que todos observem e por isso que dá certo. Seguindo esta linha militar, pode-se “promover” o jovem como no exército. Por mérito e distinção, ou seja, fazendo as etapas de classe, ou por tempo de serviço, tipo o sênior com 17 anos recebe a Eficiência I compulsoriamente (só falta um ano para deixar a tropa). Isto diferencia os mais velhos e tenta motivá-los mais uma vez a buscar as etapas. Educação para a vida. Com certeza quem está no ramo sênior deste os 15 tem conhecimento para satisfazer todas as etapas da Eficiência I mas não despertou para a conquista do distintivo em si.

Outro ponto, para jovens em diferentes níveis de formação, BP sugere o sistema de patrulhas, aplicado de maneira que o monitor ou o sub monitor deêm as instruções que eles já dominam e determinadas pelo chefe aos mais jovens enquanto o chefe trabalha com o monitor ou sub que está sobrando, oferecendo formação de acordo com o nível que ele está e que no futuro ele poderá novamente repassar aos mais jovens. Algo tipo o chefe ensina o monitor (ou sub ou ambos) e o monitor (ou sub) ensina a patrulha. Penso também que o enfoque para as conquistas das etapas deve ser focado “no que falta para tu ter o distintivo”. Fica mais objetivo para o jovem se a coisa funcionar na base da eliminação.

Existe uma série de textos chamadas de Opiniões de Delta. Se alguém conhece pula este parágrafo. São textos escritos na forma de histórias ou diálogos entre Delta e seus escoteiros ou assistentes. Delta é um escotista experiente, com muita vivência, que apresenta sugestões para as diferentes situações vividas pela tropa. Os textos são antigos, foram traduzidos para o português pelo Dr. João Ribeiro dos Santos nos anos 60 (o médico carioca que dá nome ao Campo Escola do Saint Hilaire, e que por sinal foi quem introduziu o ramo sênior no Brasil, mas isto é outra história). Um dos textos chama-se a Ordem dos Botões Azuis, ou algo parecido, onde eles criam uma distinção na tropa que só quem tivesse um conjunto de coisas poderia usar, tipo evolução nas etapas de progressão, frequencia, apresentação do uniforme, etc. Pode-se pensar em algo semelhante para a tropa. Por exemplo, um anel de lenço especial, que só exista 1 (tenho algumas peças raras e posso emprestar) que o Sênior modelo tem o direito de usar por um período determinado de tempo até a próxima avaliação quando deverá passar ao próximo que conquistou o direito.

Outro tempero que pode ser usado é a preferência para ser monitor ou sub para quem é mais adestrado. Tipo na eleição para monitor da patrulha, quem é investido e recebe um voto tem peso 2, quem tem eficiência I aquele voto vale por 3, quem tem eficiência II, aquele voto recebido vale 4. Todos gostam do poder e se o adestramento for um atalho, muitos vão se interessar.

BP também fundamentou muito do trabalho da tropa na Corte de Honra. Por quê ? Entendo que primeiro porque preserva o chefe, uma vez que o monitor e sub discutem com a patrulha, o stress é deles. Depois, o chefe houve as idéias, debate quando solicitado, mas sempre expõem seu ponto de vista e deixa os jovens decidir em um pequeno grupo. É muito mais fácil de lidar com poucos jovens em um ambiente calmo. Eles já fizeram o trabalho braçal de ouvir a tropa.

Havendo necessidade de mais chefes para dividir a tropa sênior durante o programa, sempre podemos ajudar. No seguinte modelo: “Preciso de uma instrução de regras de segurança para machadinha de 15 minutos para aspirantes”, ou “me aplica o jogo quebra-gelo” ou “história do escotismo” ou “instrução de bandeira” ou etc. Ele me alcança os escoteiros que vão receber a instrução e enquanto eu falo ele desenvolve outros conteúdos com os demais. Esse rodízio costuma ajudar bastante e por isso que sempre procuro falar sobre a minha agenda, para que as demais seções possam saber quando podem contar comigo.

Sobre aquele sênior que disse que fez jornada quando escoteiro, ele já deu a resposta, era uma jornada de escoteiro. Agora ele precisa fazer uma jornada de SÊNIOR. No meu ponto de vista, recebe somente orientações sobre o ponto de chegada e ele deve descobrir que trajeto seguir e ao final entregar o croqui detalhado (mapa) do trajeto que fez como uma das tarefas da jornada.

About mrvolkweis

Escoteiro no Grupo Escoteiro Chama Farroupilha 183 RS.

Posted on 19 de Janeiro de 2012, in Filosofia do movimento and tagged , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: