A construção da sede

A construção da sede

            Um dos objetivos deste blog é manter preservada e acessível a todos a memória do Grupo Escoteiro Chama Farroupilha, que já conta 26 anos. De outra forma, a questão de uma sede própria para o grupo escoteiro é uma questão recorrente e que pode gerar muitos problemas, todavia a sua existência só traz benefícios, assim, compartilhamos a nossa experiência.

            Algumas histórias não podem ser confirmadas, perdem-se no tempo ou vão passando de boca em boca e isto pode fazer com que elas sofram alterações. A história sobre a aquisição dos terrenos envolve dois momentos diferentes. O primeiro foi o dinheiro conseguido com o lucro da venda de biscoitos escoteiros, que eram fornecidos pela Região Escoteira na década de 1980, dentro de um projeto financeiro de estruturação dos grupos do estado. Eram buscados em Porto Alegre pelo Akelá e um dos fundadores do grupo, Achiles Goldani Netto e vendidos pelos próprios escoteiros em Triunfo.

Como não foi suficiente para a compra de dois terrenos no centro da cidade, houve um segundo momento. Assim, o que sabemos é que o Silvio Machado Felten, o Sivica, infelizmente já falecido, era o Diretor-Presidente da Comissão Executiva no Grupo, nos idos de mil novecentos e oitenta e oito, quando a cidade de Triunfo iniciava seu mais recente ciclo de riqueza, desta vez gerado pelo III Pólo Petroquímico.

            Era um período de muitas obras por todo o município com construção de praças, da Câmara de Vereadores, do ginásio de esportes, abertura de estradas, etc. Por alguma razão qualquer o prefeito viajou (na época era o Sr. Osmar Vargas da Silva) e não havia vice-prefeito porque um trágico acidente de trânsito vitimou o Sr. Henrique Agildo da Silva, que era o prefeito eleito, antes de sua posse. Então, quem assumiu o município durante um afastamento temporário do seu Osmar foi o presidente da Câmara de Vereadores, Auro Lima de Souza.

            Durante este curto período de tempo de apenas uma semana e com tratativas ainda mais breves, o Chefe Goldani realizou a intermediação necessária para a obtenção, através da ajuda do prefeito interino, da doação do valor faltante para a aquisição dos dois terrenos pela Construtora RTS. Foram devidamente escriturados em nome do Grupo de Escoteiros, e assim permanecem até hoje.

            Naquela época, os terrenos foram adquiridos em um loteamento que recém estava sendo aberto, nem calçamento havia nas ruas, embora a apenas cinco quadras da rua principal da cidade. Passaram-se poucos anos e hoje a sede localiza-se em uma das áreas mais valorizadas da cidade, a poucas quadras do centro e em uma de suas partes mais altas, com vista para o rio Jacuí. A escritura número 8520 é de 19 de julho de 1988.

            Bom, as reuniões passaram a ser realizadas, então, na nossa propriedade. A rua fazia pouco havia sido aberta, sem calçamento e os terrenos eram apenas um capão de mato nativo, sem vizinhos.

            Pouco tempo após os terrenos serem comprados, os pais fizeram um mutirão e elevaram o esqueleto de um galpão, o qual até hoje serve de estrutura para a sede, e colocaram o telhado. Não havia paredes. Era neste ambiente que a partir de 1989 fazíamos a maioria das nossas reuniões, em um telheiro dentro de um capão de mato, porque embora estivéssemos no centro de Triunfo, não tínhamos vizinhos por ser um loteamento novo que há pouco tempo era uma chácara.

Aspecto do início da construção do galpão, observe que a rua Vereador Adão Tavares da Silva não estava calçada. Ao fundo, à direita, está a Paineira próximo a sede e que pode ser vista da cidade de São Jerônimo.

            Cada reunião gerava uma quantidade infindável de trabalho, pois tudo tinha que ser muito bem planejado e carregado de casa para que o programa funcionasse adequadamente. Se uma simples caixa de fósforos fosse esquecida, isto poderia arruinar todo o programa. E nada pode ser mais triste ou perigoso do que uma tropa motivada sem ter o que fazer. As inscrições eram preenchidas em uma prancheta e conversávamos com os pais em pé pois não havia cadeiras ou bancos.

            Os monitores continuavam guardando as caixas de patrulha e todo o material de acampamento de suas patrulhas em suas próprias casas. Desnecessário dizer quanto material foi perdido neste período e a trabalheira que era sair para um acampamento pois o material tinha que ser recolhido de casa em casa ou levado até o Posto de Gasolina do Sivica, tradicional ponto de encontro do Grupo Escoteiro durante os anos que não havia sede, na esquina da Rua Luiz Barreto com a Professor Coelho de Souza.

            Após algumas articulações, conseguimos levantar meias paredes de tijolos em toda a volta do prédio, o restante das paredes seria de costaneiras, conseguidas com a CEEE, na Granja Carola, pelo Diretor-Presidente Sérgio Odorizi. Nunca conseguimos finalizar este projeto e com o passar do tempo, as madeiras foram desaparecendo até que um dia a pilha não existia mais.

            Havia uma combinação obrigatória e óbvia com os jovens: Se chover, não tem reunião. O hasteamento da bandeira era realizado em um galho de árvore porque não tínhamos mastro.

            O tempo passou, após alguns meses foi eleito para prefeito de Triunfo o Sr. Francisco Lineu Schardong. De início, mostrou uma verdadeira disposição em ajudar o grupo escoteiro, mas havia a necessidade de um caminho legal para que isto fosse feito. Na época, o Procurador do município era o Dr. Jaime Adair Garcia com quem tivemos incontáveis e proveitosos encontros na Prefeitura Municipal.

            Enfim, surgiu uma luz. Quando da elaboração da Lei Orgânica do Município, o Chefe Saulo Ernani Radin conseguiu a inclusão de um artigo prevendo o auxílio do município ao grupo escoteiro. O artigo 227 diz que os órgãos de educação e cultura do município poderão auxiliar o movimento. Desta forma, havia o amparo mas não havia de onde sair a verba.

            Novas rodadas de tratativas, a Sra. Sílvia Helena Roth Volkweis era Assessora de Cultura da Secretaria Municipal de Educação e a Secretária de Educação era a profa. Nara Pereira da Rosa que abraçou a causa e forneceu, através de sua secretaria e com esta intermediação, a verba necessária para a construção do prédio.

            Finalmente, todos os retalhos da colcha foram costurados. Um cronograma físico-financeiro foi elaborado e o Goldani novamente tem um papel de destaque, acompanhando toda a execução da obra. Inclusive, muitas coisas da sede como a escada para o canto sênior, o mastro e o calçadão em torno da sede foram concebidos pelo Goldani. Quem venceu a concorrência e executou a obra foi o Sr. Zeno Souza Peixoto.

            As obras estavam prontas para serem iniciadas e o Presidente, Sérgio Odorizi ainda negociava com a Corsan e CEEE. Então, nossos vizinhos, o Sr. Paulo Leandro Flores, ex-chefe deste grupo, cedeu a água passando uma mangueira para o terreno e o Sr. Júlio C. Oliveira cedeu a energia elétrica passando um fio de extensão, ambos pelo meio da rua porque são vizinhos de frente da sede do grupo. Graças a generosidade destas duas pessoas que não houve atraso na execução da obra.

            A tão esperada inauguração aconteceu no dia 24 de junho de 1995, contou com a presença do Prefeito Municipal, da Secretária de Educação e da Assessora de Turismo e Cultura, já nominados. O Diretor Regional de Escotismo, Sr. Nelson Zepka Senna e o chefe Ernani Claire Valente Rodrigues estiveram presentes, assim como o Grupo Escoteiro Baependi completo sob a liderança do chefe Ronei Castilhos da Silva, o Grupo Jacuí, nosso padrinho, e o Grupo Inhanduí.

            A trilha sonora foi executada ao vivo, a cargo de Gildo Campos e do maestro Célio Franco, houve chuva e a cerimônia foi realizada dentro da sede, seguida de um coquetel. Dispensável dizer a alegria que este dia representou, uma sede própria, grande, nova e que sonhávamos há 10 anos!

            O primeiro acantonamento na sede ocorreu em 1º. e 2 de julho de 1995, já no final de semana seguinte a inauguração, tamanha era nossa ansiedade e chamou-se PAS (Primeiro Acantonamento na Sede), com quatorze escoteiros presentes. Todavia, a primeira cerimônia no interior da sede ocorreu alguns dias antes da conclusão da obra e foi uma Investidura Sênior, coordenada pelo chefe Saulo em 15 de junho de 1995, estando presentes sete seniores da Patrulha Botocudos Pancas, tendo como monitor Geleovir Freitas e submonitor Elzo Giacomelli Júnior, com a presença do chefe Maurício Volkweis que tirou fotos registrando este momento histórico.

 

Ao fundo Chefe Saulo realizando a primeira cerimônia na nova sede, em 15 de junho de 1995.

            A área na frente e a outra nos fundos do prédio, bem como o cercamento com telas dos terrenos foram realizados somente em 2009, na administração dos Diretores Carlos Henrique Dias, Zorika Tavares Schubert e Fábio Hausen Pereira.

            Assim construímos nosso patrimônio que requer manutenção e melhorias constantes mas que proporciona um prazer imenso aos jovens que reconhecem a “sede” como sua outra casa, proporcionando uma convivência muito prazerosa.

About mrvolkweis

Escoteiro no Grupo Escoteiro Chama Farroupilha 183 RS.

Posted on 10 de Abril de 2012, in Histórias do Chama Farroupilha and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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