Uniforme escoteiro, Traje ou Vestimenta

          Foi divulgado que no próximo Jamboree Nacional, em julho, teremos a apresentação de uma nova vestimenta escoteira, que vem sendo elaborada sob a coordenação do Conselho de Administração Nacional (CAN) dos Escoteiros do Brasil (http://www.escoteiros.org.br/arquivos/can/atas//reu_68.pdf).

          Quantas diferentes você já usou? Pessoalmente, já usei seis diferentes, sempre na modalidade básica, mas o número é maior.

            Portanto, trocar a indumentária no escotismo brasileiro é frequente e não é motivo para angústia ou ansiedade. Nunca houve um estudo com metodologia válida que demonstrasse o impacto disso no efetivo, mas sabemos empiricamente que no máximo em quatro anos a tropa perde a memória, porque toda ela se renova e que os jovens, incluindo os adultos jovens, normalmente gostam de mudanças. Aos que contam mais estrelas de atividades, isto não é nenhuma novidade.

            Há, ainda, a questão da cobertura, que já mudou muitas vezes, independente do resto do uniforme, e onde as possibilidades já contemplaram o chapéu, a boina, diferentes modelos de bonés e não usar cobertura alguma.

Jornal Sempre Alerta

 

Capa do Jornal Sempre Alerta de abril de 1992, lançando novo o Traje Escoteiro.

Página interna do jornal que foi dedicado exclusivamente ao fato, explicando a sequência de eventos até o lançamento.

            Pelo apurado extraoficialmente até o momento, muitas tradições que haviam sido eliminadas em abril de 1992 com a introdução do traje escoteiro serão resgatadas. Voltaremos a ter roupas diferentes para adultos e calças padronizadas, entre outras coisas recuperadas.

          Naquele momento, o traje foi uma evolução do uniforme social, ao qual o uso era franqueado também para os sêniores, embora pouco usado por estes, mas era o uniforme padrão para os chefes que podiam usar também o cáqui. Pelo que descreve a ata do CAN, continuaremos com mais de uma opção de roupas escoteiras, não esclarecendo neste momento ainda como será a escolha por qual delas usar.

Edição da década de 1970 do P.O.R., no início do capítulo que discorria sobre o uniforme dos adultos.

            Elaboramos uma pequena amostra de diversas modificações ocorridas ao longo dos anos, no estilo álbum de figurinhas, buscando identificar o que teremos de volta, conforme já citado, ainda sem informações oficiais e destacando alguns pontos curiosos.

Semana da Pátria em Porto Alegre, 1942

Imagem da década de 1940, calça comprida padronizada ao centro, demais de bermudas. Observe o uso de botas juntamente com o uniforme.

As excursões de Georg Black

 

Georg Black e demais chefes a frente, usando calças e botas. Data e local da foto desconhecidos. Para mais detalhes sobre esta foto, visite o post “As excursões de Georg Black”.

Bastão Totem, desfile em Triunfo, RS

Uniforme clássico de Lobinho, apelidado em alguns locais de “farda azul”. Este expressão também era usada pejorativamente ao escoteiro imaturo, como se ele ainda fosse um lobo. Foto de 1982, durante desfile comemorativo da Semana Farroupilha, em 20 de setembro.

Lobinhos com uniforme azul e chefia com uniforme social, primeira alcatéia do GE Chama Farroupilha 183 RS, em 1986, no dia da promessa.

Uniforme Social para chefes com boina, diferente dos jovens, com opção de gravata preta ao invés do lenço escoteiro, foto de outubro de 1982.

Fundação do GE Chama Farroupilha 183 RS

Idem anterior, foto de 1 de maio de 1986. Escoteiros, chefes e lobinhos com diferentes indumentárias, chefes na direita usando gravata ao invés de lenço escoteiro. A gravata deveria ter na porção média um pin com o emblema oficial da União dos Escoteiros do Brasil.

Jamboree Farroupilha, 1986

Uniforme Cáqui todo curto, com boina, padrão mais duradouro das vestimentas escoteiras brasileiras, sendo o Cáqui para o jovem; uniforme social com calça cinza chumbo padronizada e camisa azul mescla, precursor do traje, para o escotista ao centro. Observe os bastões escoteiros, que eram regulamentares e individuais nesta época. Foto de janeiro de 1986, durante o Jamboree Farroupilha, no Parque Osório em Tramandaí.

Tropa escoteira com uniforme cáqui padrão, foto anos 1980.

Entrega de Cordão Verde-Amarelo

Jovens e adultos com uniformes distintos, foto em 7 de setembro de 1986.

Na sede do GE Chama Farroupilha 183 RS

Uniforme cáqui usado por escotista, igual ao dos jovens, modelo atual.

Jamboree Farroupilha, 1986

Uniforme cáqui da modalidade básica, Escoteiro do Ar ao centro e Bandeirantes no lado direito, Jamboree Farroupilha, janeiro de 1986.

Desfile 20 de Setembro, Triunfo RS

 

Cáqui mangas longas e calças curtas com boina, foto de 1988.

Camisa e distintivos Retrô.

Camisa social com boina e penacho, foto atual mas com vestimenta dos anos 1980. Para ser completamente autêntico, a calça deveria ser cinza chumbo e não de brim azul.

Traje com calça sem cobertura, padrão atual.

Traje com bermuda, chapéu e meias cinzas escoteiras, jovem e escotista com vestimentas iguais.

Para concluir, quantas vestimentas escoteiras, incluindo as diferentes combinações de peças, você é capaz de contar na foto acima ?

About mrvolkweis

Escoteiro no Grupo Escoteiro Chama Farroupilha 183 RS.

Posted on 22 de Maio de 2012, in Filosofia do movimento, Histórias do Escotismo, Jamborees and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. 5 comentários.

  1. Maurício,

    Somos contemporâneos, companheiros de vários acampamentos e agora “blogueiros escoteiros”. Teus exemplos ilustram muitas mudanças havidas, mas, assim como colocaste logo no início não conheço nenhum estudo ou pesquisa fundamentada que demonstrasse o impacto destas mudanças.
    Já fui, assim como muitos da minha faixa etária, ferrenho defensor do uniforme caqui e que ninguém ousasse em falar que substituiria este por qualquer outro uniforme.
    Hoje, estou mais líquido, ou seja, me moldo facilmente a qualquer recipiente e não teria medo de ousar num uniforme que fizesse efetivamente a diferença.
    Digo isto, porque, acho que dificilmente mais uma opção de vestimenta fará alguma diferença.
    Faltou, no meu entender, consultar os jovens. Ouvir, filtrar, selecionar e compreender os anseios de quem tem que usar o uniforme (e muitas vezes não o faz por vergonha ou por sentir-se diferente).
    Pelo pouco que sei da nova opção de vestimenta escoteira, ficamos melindrados e não quisemos avançar tanto…
    Como mostram tuas fotos e dados históricos, o tempo (e o acréscimo das estrelas de boas atividades) é que vão dizer se acertamos ou não.
    Torço para que sim, torço para que seja um passo a mais na uniformização, na facilitação, na expansão ordenada do Movimento Escoteiro.
    Parabéns pelo ótimo post!

    Forte aperto de mão esquerda

    • Então, Márcio,
      Penso que o final do teu lúcido comentário demonstra bem nosso sentimento. Torcemos e queremos melhorar, queremos que tudo dê certo e as mudanças façam diferença para melhor.
      Obrigado por sempre contribuir e também gostei muito da expressão “estou mais líquido”. Eu também me sinto assim.

      SAPS,
      Maurício

  2. Mudança inócua ao que parece, já que além da ausência de qualquer estudo sobre o impacto, como bem alerta o companheiro, a última experiência no quesito “traje” (a inclusão do azul mescla) nos custou uma evasão de uns 20 mil associados e um desgaste na associação que durou, chutando por baixo, uns 10 anos. “Aprender pelo erro” parece que não tem lugar no escotismo….pelo menos no brasileiro.

    E vale lembrar o porquê da inclusão do traje azul mescla naqueles idos dos 90: “ele é mais barato que o cáqui”, alegavam. Ou enriquecemos ou assumimos de vez esse elitismo que tanto nos dói, já que o novo traje terá um tecido antifogo, terá sua respectiva calça e custará, ao menos, o dobro que o atual azul mescla. Ah, e ainda terá uma etiqueta de “controle de qualidade” – uma maneira educada de dizer que só poderá ser comprado numa loja escoteira, garantindo, assim, que o dinheiro vá “para o cofre adequado”.

    Discutir se o traje vai ser cinza, azul ou verde, é ficar na cobertura sem querer chegar ao recheio do bolo. A decisão, unilateral diga-se, pecou pela falta de transparência (e aqui reside o problema), que parece ser lugar comum no CAN.
    Como se não bastasse essa nova aventura dos conselheiros, que caso dê errado provavelmente colocarão a culpa em chefes escoteiros (como fizeram com o programa), agora nos apresentam um novo cinto de um dia para o outro.

    E isso sem mencionar o fato que a inclusão do novo traje sequer está prevista no planejamento estratégico. Se o próprio CAN tem dificuldade em segui-lo, que exemplo dá aos seus associados?
    O novo cinto idem: o manual da nova identidade nada diz que essa nova flor de lis, imitada descaradamente das Girls Scouts dos EUA, seria incluída em traje ou uniforme, somente em vestuário de delegações e staff.

    Uma instituição que não acredita na própria marca e no que ela representa, que trabalha pelo futuro sem honrar o passado e que se esquece de sua história, está fadada ao fracasso. Isso se vê, sobretudo, pelo tímido número de escoteiros e escotistas num país continental como o Brasil.

    O movimento escoteiro precisa mesmo se atualizar, começando por este sistema de administração e eleição oligárquico, caduco, que privilegia um jogo de cadeiras infinito. Risível a agilidade que temos em mudar distintivos e roupas, mas fazemos corpo mole quando o assunto é renovação diretiva ou troca geracional.
    Continuando assim, a cada 10 anos teremos alguém que se levanta pela manhã, dizendo “pois é, hoje vou mudar algo”, e o ciclo se repetirá e continuaremos reféns dessas decisões.

    Ao autor do blog, pelo espaço e pelo diálogo, grato.
    Um abraço.
    Fernando Robleño.

    • Caro Fernando,

      Sem dúvida o assunto induz muitas reflexões, particularmente na maneira de agir e seguir as próprias normas, como o amigo bem descreveu. Todavia, no quesito tradição, mantemos a de mudar periodicamente as coisas sem pesquisa científica e metodológica que aponte seriamente o possível resultado das alterações.
      Obrigado por contribuir e pela clareza nos argumentos.
      Maurício

  3. Ok, imobilidade eterna pode gerar algum problema, mas não me parece que seja este o caso. Uniforme não é coisa barata e já deu pra notar que elitiza pelos custos. Os jovens de fato não são ouvidos quanto a esta questão, nem seus pais. E aí?
    Precisaríamos de mais discussão.
    Abraço!
    Vargas

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