A Fila do Jamboree Nacional

 

Durante o 5º. Jamboree Nacional, no Rio de Janeiro, houve momentos que se formava um fila para acesso ao refeitório, devido ao grande fluxo de pessoas. Em algumas oportunidades, ela evoluía lentamente e isto era agravado pela postura de nossos irmãos escoteiros, principalmente os chefes.

Por várias vezes assistimos hordas de jovens descaradamente procurando outros integrantes de seus grupos na fila e se juntando a eles. Sem dúvida, este era o maior complicador. A postura daqueles que prometeram ser irmãos dos outros, serem leais, serem obedientes e disciplinados. Um exemplo de má educação.

Após alguns episódios, outros chefes que não concordavam com a atitude tipicamente brasileira, de levar vantagem em tudo, inclusive em uma fila de escoteiros, passaram a questionar os jovens furões. A situação ficou tensa, e pasmem, justamente porque estes escoteiros eram apoiados por seus chefes! Os argumentos eram os mais variados e se aplicavam a todos na fila. Explicações tipo “só fui no banheiro”, “eu já estava aqui antes”, “só fui comprar um pin na loja”, “só fui ligar para a minha mãe”, etc. Ora, se você tem algo a fazer, não entre na fila e se precisar sair, ao retornar vá para o seu final. “Guardar lugar na fila” é outra invenção oportunista de brasileiros. Mas nem era esse o caso, os jovens estavam mentindo descaradamente.

Outros chefes iam além em defesa do furo e diziam que os jovens não poderiam ser cobrados ou recriminados na frente dos outros. Este argumento tira o foco do problema, que é furar a fila e tenta abrir outra discussão paralela, fugindo do âmago da questão, que é cumprir espontaneamente as regras e fazer o que é certo. Outro ponto é a formação educacional e acadêmica de quem usa este enfoque. O que você já estudou de educação para justificar em público tal postura? É evidente que se trata de mais um palpiteiro.

Sobra uma reflexão importante. Muito se fala da dificuldade do escotismo brasileiro crescer e de estratégias institucionais para isto, mas talvez, quem sabe, o problema esteja na base. Junto a alguns chefes que cuidam das crianças. Pensando como pai (há quatro anos) e não como chefe escoteiro (durante 22 anos, mas há 32 no movimento), não gostaria que minhas filhas frequentassem um ambiente onde o líder estimula pequenas artimanhas como furo em filas e caça a troféus em acampamentos (o que na verdade é roubo). Se os grupos não crescem, seria oportuna a pergunta sobre qual o material humano que o lidera. Quantas histórias de sucesso existem lá? Que futuro tiveram os antigos escoteiros? São respostas a estas perguntas que atestam a qualidade do que é praticado e ajudam uma família a decidir se seus filhos participarão ou não da associação.

Façamos um exame de consciência e uma análise profunda do que estamos ensinando em nossos grupos, para nossas tropas, das interpretações que estamos dando aos fatos. O crescimento do escotismo no país depende sem dúvida de atitudes eticamente corretas, que tanto desejamos como sociedade e de bons exemplos.

About mrvolkweis

Escoteiro no Grupo Escoteiro Chama Farroupilha 183 RS.

Posted on 6 de Agosto de 2012, in Filosofia do movimento, Jamborees and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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