Jornal Escoteiro

No período anterior a Internet e informação instantânea, os grupos escoteiros já dispunham de importantes ferramentas de divulgação e contatos. Por várias décadas, foram editados jornais ou boletins, com peridiocidade variável.

Estes jornais eram elaborados pelos próprios escoteiros, envolviam não somente notícias do escotismo, mas também sobre as comunidades onde estavam inseridos, além de anúncios comerciais que ajudavam a custear o periódico. Histórias do grupo eram contadas, havia usualmente uma seção de entretenimento com “piadas de salão”, palavras-cruzadas e charges, havendo espaço também para a reprodução de notícias internacionais de relevância. Com certeza, muitos talentos foram revelados neste trabalho. Em alguns lugares, não havia jornal local e o “jornal dos escoteiros” era a única fonte impressa de notícias, o que aproximava muito o escotismo da população local.

Dependendo do porte do grupo escoteiro e dos recursos disponíveis em cada cidade, era definido o método de impressão, a frequência e a quantidade de páginas. Alguns eram rodados em gráficas, outros eram feitos nos antigos mimiógrafos a álcool, após a elaboração da matriz, página por página, na própria sede do grupo. Havia uma prática corrente que era a troca de exemplares com outros “editores”, o que possibilitava conhecer outras experiências e idéias.

Diferente do modelo atual de blog e sites, onde usualmente apenas uma pessoa, ou pouco mais que isso, é responsável pela manutenção da página, estes jornais exigiam uma grande mobilização no grupo escoteiro, com muitas pessoas envolvidas. Os interessados normalmente trabalhavam no jornal do grupo em horários alternativos durante algumas noites, nos dias de semana para não atrapalhar as reuniões normais. Havia muitas tarefas, era necessário captar e escrever notícias, produzir anúncios dos patrocinadores, editar e formatar as páginas, enfim, todos os trabalhos de uma redação de jornal, mais a parte de vendas. Sim, os jornais eram vendidos assim como os anúncios e, portanto, representavam uma fonte de renda para o grupo escoteiro.

Sem dúvida era uma experiência muito interessante com várias facetas: envolver e agregar muitas pessoas em uma tarefa comum; aproximação e divulgação na comunidade local; troca de experiências com outros grupos escoteiros; desenvolver habilidades de escrita e de vendas (quer seja dos anúncios, quer seja dos exemplares); fonte de financiamento alternativa para o grupo; e tantas outras.

Ao longo dos anos 1980’s os jornais foram desaparecendo e apesar das facilidades de editoração e impressão que os computadores oferecem, não são mais uma prática. Alguns exemplos destes jornais são apresentados a seguir, verdadeiras pérolas do escotismo brasileiro.

O Penacho, GE Tapajós, Minas Gerais

Exemplar de A Gralha, GE Tupinambas de Erechim, em 1973, já no oitavo ano de publicação

Bentinho, GE Bento Gonçalves, Porto Alegre

GE Goiaz, de Goiânia, edição de 1973

O Guia, Rio de Janeiro, meia página da capa

Reparem na qualidade da impressão do jornal O Guia, do Grupo Escoteiro David Barros, do Rio de Janeiro. Na imagem aparece apenas meia página, portanto era de tamanho grande, impresso em gráfica, com fotos, 16 páginas e distribuido gratuitamente. Exemplar de 1971, já no seu quarto ano de publicação.

A Mochila, GE Carajás, São Jerônimo, RS

Observem atentamente este editorial, que descreve as dificuldades em manter estes informativos em circulação e narra algumas das intempéries enfrentadas.

 

A Mochila, GE Carajás, São Jerônimo, RS. Edição especial do Dia das Mães

About mrvolkweis

Escoteiro no Grupo Escoteiro Chama Farroupilha 183 RS.

Posted on 2 de Setembro de 2012, in Histórias do Escotismo and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. 2 comentários.

  1. Quando senior criei a Página Senior, o informativo quinzenal da Tropa Senior Serra dos Órgãos, do 15º Martim Afonso, que se manteve, ininterruptamente por mais de dez anos. Hoje existem projetos de transformá-lo em blog, mas mesmo que ocasionalmente, os informativos continuam a sair e viraram mania no Grupo, onde na época várias seções tinham os seus. Foi a partir dele que veio minha especialidade de jornalista e de escritor…hehehehe!

    • Altamiro,
      E quando fazia parte das etapas de Classe (se não me engano, da Primeira Classe)a manutenção de um jornal mural por 3 meses? Alguns jovens se dedicavam bastante e muitas pérolas eram produzidas. Era uma idéia simplificada destes períódicos impressos mas também muito legal!

      SAPS,

      Maurício

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