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Alcateia: Chaves para o Sucesso

Dentre o material oferecido para estudos pela The Scout Association, há um texto que analisa uma pesquisa por eles contratada para avaliar a situação do ramo lobinho.

O artigo é muito rico, está escrito para a realidade britânica mas há muitas informações que podemos transpor diretamente para a realidade brasileira. Em uma tradução livre, sem compromissos acadêmicos, segue o texto abaixo.

 

Documento  original: Keys to developing the Cub Scout section, Agosto, 2012, disponível em https://members.scouts.org.uk/documents/Keys%20to%20developing%20the%20Cub%20Scout%20section.pdf

 

Chaves para o desenvolvimento da alcateia

Este documento contém um resumo do relatório “Superando as barreiras para o crescimento do lobismo” (Overcoming the barriers to the growth of Cub Scouting), produzido por nfpSynergy em junho de 2012, de acordo com suas pesquisas e descobertas sobre o ramo lobinho.
Ele também sugere alguns ganhos rápidos e ações locais, baseados naquelas descobertas e recomendações sobre como se pode continuar crescendo e melhorar a seção, podendo, então, mais crianças desfrutarem do ramo lobinho.

Introdução

Referências
Durante os últimos 10 anos a “The Scout Association” tem monitorado as taxas de crescimento​ da organização. Um grande volume de evidências estatísticas e empíricas destacam a dificuldade de retenção para os lobinhos. Várias preocupações surgiram, incluindo:

  • Perda dos lobinhos mais velhos, em torno de 9 anos.
  • Perda dos jovens que deixam a alcateia aos 10,5 anos mas não viram escoteiros.
  • Crescimento em números da alcatéia não acompanha os demais ramos. Está crescendo mas em passos lentos.
  • Crescimento se reduz ao longo do tempo, ou seja, o ramo continua crescendo mas cada ano com uma taxa menor.
  • O número absoluto de lobinhos continua a ser menor agora do que era no pico da popularidade do ramo.

Esta preocupação sobre a saúde do ramo lobinho está dentro do contexto de anos fortes e positivos para o escotismo no Reino Unido, com crescimento expressivo, após a grande revisão de programa escoteiro, concluído em 2002. A pesquisa patrocinada pela The Scout Association também destacou o impacto positivo que o movimento tem em seus membros, voluntários e na comunidade em geral.
A Associação, contudo, quer entender a origem destes desafios de crescimento para o ramo lobinho em particular, desde que este ramo é o maior dentro do movimento e qualquer declínio em seus membros poderia levar a uma queda mais ampla de todo o efetivo.

Estrutura do projeto e metodologia de pesquisa

A nfpSynergy completou uma pesquisa de 3 estágios:

  1. Identificação do problema; questionamento dos dados do censo escoteiro.
  2. Capitalização do trabalho prévio e identificação de falhas do conhecimento; reanálise a revisão do trabalho prévio.
  3. Geração de novas visões; pesquisa qualitativa original com os jovens, familiares e líderes (chefes). Grupos focados e entrevistas realizadas pelo Reino Unido.

Resultados

Visão Geral
Primeiramente, é importante ressaltar que essa pesquisa destacou o quanto a experiência de ser lobinho (ou participar em qualquer outro ramo do escotismo) é positiva e valiosa para os jovens do Reino Unido. Quando a combinação certa de fatores vem junto, o resultado não é somente uma tarde divertida, mas a ampliação dos horizontes para os membros e a chance de desenvolver experiências, interesses, um novo grupo de amizades e uma ocupação para a vida toda. Uma tarde boa nos lobinhos pode ser tão variada como: sentar ao redor da fogueira cozinhando, tentar escalar (ou qualquer outro objetivo) pela primeira vez, jogar ao ar livre após um longo dia trancado dentro da escola, aprender a cozinhar, trabalhar como um time para um prêmio… e a lista segue.
Contudo, a análise dos dados da The Scout Association confirma a preocupação de que o ramo lobinho está crescendo mais lentamente que as outras partes do escotismo, e mais especificamente de que um desafio com os membros de 9 anos surgiu, mais notadamente em 2011. Esta pesquisa mostra que há uma ampla gama de itens que pode estar influenciando isso.

  • Estatísticas da população nacional indicam um declínio das taxas de nascimento que podem ser a raiz do problema: menos crianças nasceram nove anos atrás que nos anos prévios e, então, existem menos lobinhos potenciais e reais. (Nota do Tradutor: dados do Reino Unido)
  • Pesquisas sobre o desenvolvimento infantil e como os jovens gastam seu tempo livre mostram o quanto vulnerável esta faixa etária é, neste estágio chave do seu desenvolvimento. Apesar de mais crescimento que as gerações prévias, nós devemos observá-los.
  • Foi aprendido com os entrevistados que alguns pontos chaves devem ser colocados para que a experiência nos lobinhos seja positiva. Quando estes fatores estão presentes, você terá um lobinho feliz, que está envolvido e que será um escoteiro. Quando estes fatores estão perdidos, então há uma forte chance do lobinho partir. Rapidamente: A maioria dos fatores que motivam um lobinho a permanecer são o lado oposto daqueles que o levam a deixar a organização.

O que isso significa é que para parar o declínio do efetivo de lobinhos e garantir crescimento futuro, o Movimento precisa assegurar a realização de certos pontos chaves:

  • Bons chefes, que sejam divertidos, engajados e tenham experiência de liderança para administrar um grande grupo de 8 a 10 anos de idade (N.T. – idade do ramo no Reino Unido)
  • Um programa de atividades divertido e desafiador. Isto inclui abundância de tempo gasto externamente, tanto nos encontros semanais quanto no campo.
  • Programa oferecido precisa garantir variação, ser prático e os chefes devem ser abertos ao retorno oferecido pelos jovens.
  • Comunicação bem administrada entre chefes, lobinhos e pais. The Scout Association também tem um papel aqui como uma rede segura se todos os outros canais de comunicação falharem.

Há outros fatores que a associação escoteira precisa estar atenta e que podem ter impacto no efetivo:

  • Envolvimento familiar: isto pode tanto encorajar a participação como garantir envolvimento contínuo
  • Outros passatempos: há muita competição por outros passatempos, mas flexibilidade e boa comunicação da parte dos líderes pode prevenir isto de se tornar crítico.
  • Amigos e socialização são centrais para uma experiência de lobinho ser positiva. Infelizmente, se um amigo deixa um grupo, isto pode levar a partidas.
  • Escotismo mantém uma imagem tradicional. Para alguns, isto pode ser uma barreira, especialmente quando os lobinhos ficam mais velhos.

Análise do censo

Analisando-se os dados do censo, notra-se particularmente que:

  • Número de lobinhos está crescendo desde 2006, seguindo um declínio desde 2002.
  • Em 2011, houve uma queda de 2% nos lobinhos com 9 anos de idade.
  • Médias de retenção estão aumentando para 9 e 10 anos.
  • Desde 2002 a percentagem de membros que são mulheres está crescendo, exceto no ramo pioneiro.

Olhando os 10 anos do censo, o cenário para o ramo lobinho pode ser visto como positivo: número total de membros continua a aumentar e a queda de associados lobinhos e escoteiros está também diminuindo. Outros ramos do escotismo também experimentam crescimento. Também vale a pena notar que o crescimento é muito mais representativo em termos de sexo: pelo período total coberto por esses dados, o número e percentagem de mulheres aumentou em todas os ramos de Castores a Sêniores/Guias. Interessantemente, a transição de lobinho para escoteiro verdadeiramente resulta em um aumento de membros femininos, em todos os anos desde 2002.
Contudo, a análise dos dados do censo da associação escoteira demonstrou que o ramo lobinho está crescendo mais lentamente que os outros ramos. Ainda mais, há também uma diminuição no número de membros com 9 anos em 2011. Enquanto isto é uma pequena diminuição de 2 %, dado que isto é associado com a diminuição da taxa de crescimento do ramo lobinho em geral, se conclui que isto é motivo de preocupação e atenção para a The Scout Association.

Tendências Demográficas

A análise da tendência demográfica dos últimos 10 anos indica que a The Scout Association fez um bom trabalho de aumento de efetivo entre os lobinhos de 9 anos no período de 2007-2010, uma vez que esse grupo etário estava diminuido em números neste mesmo período. 2011 foi o ano que a população de 9 anos atingiu seu ponto mais baixo, talvez explicando porque The Scout Association viu seus membros de 9 anos declinar especificamente naquele ano.
O efetivo de 9 anos no Reino Unido está crescendo de 2012 em diante. Contudo, será importante para The Scout Association continuar mapeando seu número de membros contra os dados populacionais para entender quando aumentos e diminuições no efetivo podem ser em parte explicados por mudanças na população do Reino Unido. Mais, a Associação precisará aumentar o número de chefes, então a oportunidade para ingressar está disponível.

Reanálise do trabalho prévio

Pais de jovens passados dos 8-10 anos não parecem ter nenhuma outra reclamação que seja diferente de outros pais de outros membros – fatores tais como impacto na vida da família, horários dos encontros, custos e distâncias percorridas não parecem ser mais do que um item nesse grupo do que para qualquer outros pais. De fato, seu nível de descontentamento é levemente menor que a média. Contudo, não há indicação de que a vida dos pais de lobinhos seja especificamente proibitiva pelo envolvimento de suas crianças com o escotismo (e.g. porque sendo uma família mais jovem, terá responsabilidades adicionais no cuidado de crianças).

Gerando novas perspectivas através da pesquisa qualitativa

Esta seção do relatório o leva através dos resultados encontrados na pesquisa de campo qualitativa realizada através do Reino Unido em março e abril de 2012. Durante as fases iniciais do projeto, foi identificado uma variedade de fatores que parecem ter impacto para que um jovem continue envolvido no escotismo. Neste terceiro estágio, se objetivava testar estes fatores e gerar novas perspectivas em porque alguns jovens continuam membros do escotismo enquanto outros saem. Foi conversado tanto com membros atuais como com antigos participantes, para comparar o contraste entre suas respostas e entender melhor as diferenças nas experiências. Também foram conduzidos grupos focados de pais de membros e antigos membros e foi adicionado outra camada de investigação e análise.

Chefes (Fator de influência importante)

A análise indica que os líderes são um dos principais fatores críticos em o jovem ter uma experiência positiva no escotismo. Durante a pesquisa, foi falado com alguns jovens e pais que pararam de aproveitar sua participação no ramo lobinho e escoteiro por cause de um chefe fraco ou por cause de um conflito com um líder. Muitos jovens expressaram sua impressão negativa dos seus chefes os descrevendo como “gritão”. Isto está conectado com o desafio de manter o nível certo de disciplina.

Prazer – Uma coisa que foi descoberta como realmente importante – chefes precisam estar aproveitando eles mesmos também. Antigos lobinhos estavam bem conscientes que seus chefes não estavam aproveitando eles mesmos. É importante que o ramo lobinho não se torne como a escola para as crianças e também importante que ser um chefe não se torne como o trabalho para o voluntário.

Apoio – É também importante que lobinhos se sintam apoiados e encorajados, ao invés de julgados e criticados. Nas discussões com pais e crianças pintam um quadro do ramo lobinho como uma oportunidade para os jovens desenvolverem, testarem limites e experimentarem atividades pela primeira vez. Membros atuais falam sobre o escotismo como um lugar onde você não é julgado, em absoluto contraste de alguns antigos lobinhos que não se sentiram apoiados pelos seus chefes.

Equipes de chefes – É importante que o Akelá seja apoiado por uma boa equipe de chefes e pelo Diretor de Escotismo do Grupo. É também vitalmente importante que existam chefes suficientes para cada grupo e uma sólida infraestrutura de apoio. Isto habilita os chefes a darem atenção individual quando necessário, alivia um pouco da pressão e também significa que assuntos de disciplina podem ser enfrentados sem que todo o grupo seja atrasado. Chefes entrevistados destacaram a importância do engajamento dos pais no sentido de haver apoio adulto adequado para a efetiva administração da alcateia.

Disciplina – Foi claro na pesquisa que pouca disciplina pode ser um grande fator de impacto negativo na apreciação de um jovem pelo ramo lobinho. Mas também é vital que não se torne tão rigorosa. Alguns chefes reconhecem que lobinhos devem ser diferente da escola e enquanto pouca disciplina possa estragar a experiência de alguns, reuniões não devem se tornar tão rigorosas. Pais entrevistados frequentemente destacam como constrangidos as crianças eram na escola e que os lobinhos precisam oferecer uma oportunidade para soltar a pressão.

Características de um bom lider – Então, quais são as características de um bom chefe que aprendemos nesta pesquisa? Aqui está uma lista dos mais importantes atributos de um Akelá:

  • Eles precisam ser gentis e compreensíveis.
  • Atitudes razoáveis quanto a disciplina – eles não devem explodir quando uma criança faz alguma coisa errada.
  • Devem ser bons em comunicação tanto com os lobinhos quanto com seus pais.
  • Eles devem ser entusiasmados quanto ao escotismo e oferecer um programa variado.
  • Organizado, em particular quanto aos distintivos, registro de atividades e passagem de ramos.
  • Cheio de energia
  • Sensível as necessidades dos diferentes membros (mais jovem/mais velhos, tímido, confidente)
  • Eles precisam ter experiência e/ou treinamento para administrar um grande grupo de jovens cheios de energia.
  • Eles devem ser divertidos!

 

Aplicação do Programa (Fator de influência importante)

 

É importante não esquecer que bom conteúdo sozinho não envolve crianças – o material precisa ser oferecido de uma maneira envolvente. É vital que os chefes ofereçam o programa de forma envolvente e prática e não no formato de uma palestra. Assim como oferecer o programa lobinho de forma de maneira prática, os chefes também precisam ser flexíveis na forma como abordam a oferta do programa. Eles precisam ser ambos desafiadores e aptos a fazer mudanças no programa e até sair do programa para enfrentar a realidade da situação de sua alcateia.

A importância de ser responsivo as necessidades de seu grupo de lobinhos está conectado com outro aspecto importante de uma boa aplicação de programa que foi ouvida em diferentes respostas – abertura ao retorno das crianças na preparação da estrutura do programa. Os chefes com quem conversamos e que estavam administrando alcateias bem sucedidas regularmente consultam as crianças sobre o que eles apreciam ou não. Pais também observam como um atributo positivo o fato do chefe das crianças considerar seus pontos de vista. Há um balanço a ser atingido aqui – Os lobinhos não podem determinar o programa inteiro de sábado a tarde nem seus interesses e ideias podem ser ignorados.

Os lobinhos passam dois anos e meio (no Reino Unido) como membros de suas alcateias e é importante que haja diversidade suficiente nas atividades que eles praticam durante esse período de tempo. Se os lobinhos voltam toda a semana para jogar os mesmos jogos, ou se os chefes fazem as esmas atividades e distintivos todos os anos, os lobinhos ficaram entediados. Foi ouvido de alguns entrevistados que fazer as mesmas coisas toda a semana, como jogar determinado jogo todas as vezes é motivo para o seu desinteresse pelos lobinhos. Do outro lado, os pais de lobinhos explicaram que suas crianças gostam de continuar participando toda a semana porque eles sabem que jogarão jogos diferentes e experimentarão atividades novas cada vez.

 

Conteúdo do Programa (Fator de influência importante)

 

A pesquisa indicou que há uma gama de ingredientes vitais para oferecer aos lobinhos o tipo de engajamento que fará com que com que continuem voltando semana após semana.

 

Desafio e conquista – os jovens entrevistados eram muito satisfeitos em contar sobre os distintivos que eles conquistaram, os prêmios que receberam e as atividades desafiadoras que eles praticaram enquanto membros dos escoteiros. Alguns dos lobinhos explicaram que eles realmente desfrutavam dos aspectos divertidos dos Castores e Lobinhos mas em dado momento ficaram aborrecidos porque não estavam conquistando distintivos suficientes ou não tinham objetivos para trabalhar.

 

Distintivos – Os entrevistados explicaram como se sentiram inspirados por outros lobinhos que viram com muitos distintivos e tiveram um real sentimento de conquista ao completarem as tarefas necessárias para receberem um distintivo. Contudo, é importante para o jovem entender porque ele está fazendo uma tarefa ou conquistando um distintivo. O que é vital é que os chefes sejam organizados no processo dos distintivos, senão os lobinhos ficarão frustados e até perderão interesse em se esforçar pelos distintivos. Alguns lobinhos antigos estavam decepcionados porque eles haviam feito o trabalho de casa  para ganhar os distintivos mas seus chefes haviam esquecido na semana seguinte.

Diversão – Um aspecto vital importante dos Lobinhos é o fato de não ser como a escola. Após um dia de rotinas escolares, regras e restrições, as crianças estão prontas alguma coisa diferente e especialmente mais divertida. Pais são interessados que os Lobinhos permitem que as crianças  tenham diversão e participem em atividades em equipe. Lobinhos deveriam estar brincando na neve no inverno, enquanto isso na escola algumas vexes é contra as regras; Uniformes dos lobinhos devem precisar claramente ser lavados após uma reunião, a Toca dos Lobos ruidosa, com o som de crianças barulhentas se divertindo enquanto na escola, ser barulhento leva a uma repreensão.

Experimentar coisas novas – Enquanto é verdade que muitas crianças entrevistadas participam de uma ampla variedade de atividades extraclasse (desde kickboxer até teatro amador), o Escotismo realmente tem uma forte vantagem por causa da variedade que oferece aos seus membros. Na verdade, para muitas crianças é durante os Lobinhos que eles experimentam pela primeira vez certas atividades que acabam se tornando hobbies para toda a vida.

Atividades externas e acampamento/acantonamento – Foi ouvido de muitos entrevistados como passar o tempo em atividades externas é popular para os Lobinhos. Como um mais jovem explicou, estar na rua é inerente aos Lobinhos. Contudo, é importante notar que uma experiência positiva em atividades externas para lobinhos não precisa algo complexo como uma tarde de sobrevivência no estilo Bear Grylls. Muitos destacaram o prazer em uma grande variedade de atividades externas: jogar na rua, cozinhar na fogueira, aprender como acender um fogo, ir na floresta, jogar tacos. Acampar é um parte particularmente importante da experiência externa, e para muitos jovens é a melhor parte do Escotismo.

Comunicação (Fator de importância médio)

A comunicação apareceu como um tópico importante durante as discussões e foram identificados desafios em vários níveis. A comunicação se torna o mais importante tópico quando a perspectiva de deixar o escotismo aparece no horizonte, assim como a boa comunicação entre pais, lobinhos e chefes pode varrer qualquer problema. É particularmente importante que existam bons canais de comunicação entre pais e chefes.

Mudança de ramo (Fator de importância médio)

 

Comunicação sólida é particularmente importante quando jovens estão mudando entre os diferentes ramos do escotismo. Contudo, há uma gama ampla de outros tópicos relacionados a mudança de ramo que também podem ter impacto positivo ou negativo na experiência que o jovem tem no escotismo. Infelizmente, foram entrevistados alguns jovens porque a transição foi pobremente manejada..
Assim como informações adequadas devem ser fornecidas, também é importante que a passagem ocorra no momento adequado. Amplamente, há duas abordagens: tanto passar lobinhos como um grupo para os escoteiros ou fazer isso individualmente quando estiverem prontos. Esta abordagem mais tardia parece ser mais apropriada, dado o retorno fornecido por alguns chefes e os resultados desta pesquisa relacionados ao desenvolvimento da criança.

 

A Toca dos Lobos/Sede (Fator de influência pequeno)

 

Alguns chefes mencionaram sua grande sede como fator de sucesso nos seus grupos, enquanto outros destacaram os desafios que eles encontraram por não controlarem sua própria sala. Uma das descobertas desta pesquisa é que muitas crianças que entram para os lobinhos estão esperando e em busca de aventura e diversões externas.       Infelizmente, muitas sedes não tem espaço externo, o que torna difícil atender amplamente a expectativa das crianças. Infelizmente, nem todos os grupos cumprem a promessa externa.
O que se aprendeu disso é que enquanto a sede por si só não aparece como um fator crítico para as crianças deixarem os lobinhos, se ela não permite ou até evita que os Lobinhos passem tempo em atividades externas, envolvidos em atividades aventureiras, isso pode levar a uma diminuição do interesse e entusiasmo.

Amigos (Fator de Influência importante)

Amigos aparecem como um fator mais importante que a família. Frequentemente as crianças são  inspiradas para entrar para os escoteiros por um de seus amigos e amigos foram obviamente mencionados por muitos jovens como sua parte favorita de ir para os Lobinhos. Pais percebem o real valor nesta oportunidade de socialização e estabelecer amizades, particularmente se suas crianças tem dificuldade em fazer amigos na escola ou enfrentam bullying.
Alguns ex-lobinhos explicaram que continuariam no movimento se seus amigos não  tivessem decidido sair. O risco é particularmente alto quando os lobinhos se tornam mais velhos, outros amigos podem deixar porque são muito velhos e os deixam em uma alcateia com lobinhos muito mais jovens que não estão interessados em fazer amizade.

 

Família (Fator de influência médio)

 

Envolvimento familiar é um fator de proteção para o envolvimento juvenil no escotismo – uma criança é mais suscetível a entrar e a permanecer envolvida no Escotismo se um dos pais ou irmão está também ligado de alguma maneira ao movimento.

Os pais são também o ponto chave para a decisão de uma criança deixar de participar do escotismo ou de qualquer outra atividade de tempo livre. Foi identificada uma diferença entre os pais de lobinhos e de escoteiros nesta pesquisa, com os pais de escoteiros deixando a decisão de continuar participando ou não muito mais nas mãos das suas crianças.      Contudo, os pais de lobinhos são mais sujeitos a encorajar seus filhos a continuar seus envolvimentos em uma ampla variedade de atividades, vendo o valor de tentar uma gama de hobbies e esportes enquanto jovens.

 

Outros hobbies (Fator de influência médio)

 

Quando se conversa com jovens sobre como eles gostam de usar seu tempo livre, a completa variedade de respostas ouvidas é impressionante. Um número afirmou que a decisão de deixar os lobinhos estava relacionada com um conflito com outro hobby. Um achado positivo da pesquisa é que para muitos pais o Escotismo é um forte competidor para as outras atividades oferecidas. Especialmente: Escotismo é mais estruturado, é planejado e bem organizado, a liderança é forte, o elemento de competição é visto como importante e o fato de que contribui para a comunidade é considerado positivo.

 

A imagem do escotismo (Fator de influência pequeno)

 

A pesquisa conduzida pela nfpSynergy sobre como a marca “The Scout Association” é percebida pelo público em geral indica que a organização ainda tem uma reputação tradicional. Isto também apareceu durante este projeto de pesquisa particularmente  quando conversando com os pais. O reconhecimento dos pais de uma imagem fora de moda e nerd realmente atua como uma barreira para manter o envolvimento de algumas crianças, com isto se tornando uma ameaça em particular quando eles estão perto do ensino médio.

Um número de lobinhos e ex-lobinhos que entrevistamos expressou seu desconforto com a imagem do Escotismo, explicando que eles não gostam do uniforme. Contudo, é importante notar que as opiniões são divididas no quesito uniforme – muitos afirmaram que gostam de usar o uniforme, particularmente porque se sentem parte de uma comunidade.Em geral, o retorno dos pais indica a necessidade de flexibilidade e compreensão por parte dos chefes quando se refere a uniformes, especialmente quando os lobinhos ficam mais velhos.

 

Conclusões

 

É importante iniciar a seção final deste relatório destacando o real calor do sentimento que existe para o Movimento Escoteiro. Conduzir este projeto de pesquisa foi um verdadeiro prazer para esta equipe, uma vez que tivemos oportunidade de conversar com jovens (Lobinhos, escoteiros e seniores/guias), seus pais e chefes e ouvir sobre a importante contribuição que o escotismo fez para suas vidas. Esta contribuição varia desde a oportunidade de fazer amigos além do stress da escola até experimentar uma atividade que vira um hobby para toda a vida.

O que se encontrou nesta pesquisa foi que quando o Lobismo é feito certo, não há nada parecido para os jovens. Em termos de experimentar novas atividades, testar a si mesmo, fazer amigos e desenvolver a personalidade, como o resto do escotismo, o Lobismo é verdadeiramente único.

Contudo, também foram encontrados jovens e pais que decidiram deixar os Lobinhos por que eles estavam infelizes com alguns aspectos de sua experiência. Foi encontrado nesta pesquisa que a raiz para a insatisfação era a causa principal para o Lobismo não cumprir sua promessa (ou não atender as expectativas que os jovens tinham). Os fatores críticos mais importantes que o Escotismo tem que controlar são (iniciando com o fator de maior importância):

  • Os chefes
  • Aplicação do programa
  • Conteúdo do programa
  • Comunicação
  • Bom manejo das passagens de ramo
  • A sede (ambiente físico)

Também foram encontrados fatores adicionais que podem contribuir para tanto para a criança ficar como para a criança sair. Sobre estes fatores, a associação escoteira tem menos controle mas é importante estar atento que eles tem um papel importante em se o lobinho permanece ou não envolvido com o movimento. É útil notar que eles, em geral, são de menor importância que os fatores mencionados acima:

  • Amigos
  • Família
  • Outras atividades
  • Imagem do escotismo

 

Ação Local

 

     nfpSynergy afirma que “Nossa pesquisa não indica que a The Scout Association precisa revolucionar o que oferece para os Lobinhos, para ir ao encontro de uma geração em mudanças. Nós recomendamos, ao invés, que a The Scout Association foque em garantir que os grupos escoteiros pelo país estão melhor aplicando o programa existente”.

Há uma variedade de áreas onde a associação pode fazer uma real diferença, oferecendo comunicação ativa, apoio e acrescentando trabalho em planos de desenvolvimento local.

 

Chefes

 

Um foco em garantir que as pessoas certas estejam nas funções corretas é particularmente importante na Alcateia. Por favor, encoraje e apoie os dirigentes e realizar revisões dos registros e descolar os chefes de lobinhos para as funções que são mais aptos. Procure por material atualizado para apoiar a revisão dos processos. especialmente para fundamentar revisões difíceis.

Flexibilidade das equipes de chefes é a chave para ter certeza de que todas as características positivas de um chefe de lobinhos estão presentes – um chefe não tem que ser um especialista em tudo. Você pode ajudar promovendo um voluntariado flexível, como dividindo funções, compartilhando tarefas em uma equipe de chefes e assistentes, atividades de apoio e envolvimento de pais como apoiadores ocasionais.

O apoio e treinamento dado a novos chefes é uma área onde se tem a oportunidade real de influenciar a direção futura da Alcateia de uma maneira positiva. Certifique-se que novos chefes podem acessar material de formação de qualidade.

 

Programa

 

Chefes precisam oferecer um programa divertido, excitante e desafiador no sentido de reter os jovens, particularmente os lobinhos mais velhos.

Programas devem variar para se manter interessantes, tanto para os lobinhos quanto para os chefes. Na alcateia , muitos chefes continuam planejando um programa de rotação bianual que algumas vezes pode se tornar antigo com o tempo. Confirme que o apoio ao programa planejado está disponível, e estimule os chefes a tentarem coisas novas.

Lobinhos devem passar aproximadamente 50 % do tempo em atividades externas. Isto envolve coisas simples como jogos, caminhadas ou Flor Vermelha. É especialmente importante realizar atividades externas nos meses de inverno e estimular as pessoas a compartilhar ideias.

Lobinhos precisam ser desafiados e querem receber distintivos. Todos os lobinhos devem ser encorajados a conquistar os distintivos de progressão, é um mito que restringir o número de jovens que recebem a distinção aumenta seu valor. A distinção é valiosa para cada um dos jovens porque é a sua conquista pessoal.

 

Comunicação

 

Estimule, e se possível ajude a facilitar, comunicação frequente e efetiva entre chefes e pais. Isto é especialmente importante na passagem de ramo e encontre soluções flexíveis para permitir que os jovens continuem participando do escotismo se eles também quiserem fazer outras atividades extracurrículares.

Garanta que as preparações para as passagens de ramo estão bem administradas. Chefes devem saber quem contatar nas outras seções nos seus grupos e nos grupos próximos. Jovens devem trocar de seção no ponto que for mais apropriado para eles, ao invés do momento que for mais conveniente para o chefe. Pais e jovens devem poder escolher entre seções que se reúnam em horários e dias diferentes, e receber informações sobre grupos diferentes onde isto for útil.

 

 

 

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Uniforme escoteiro, Traje ou Vestimenta

          Foi divulgado que no próximo Jamboree Nacional, em julho, teremos a apresentação de uma nova vestimenta escoteira, que vem sendo elaborada sob a coordenação do Conselho de Administração Nacional (CAN) dos Escoteiros do Brasil (http://www.escoteiros.org.br/arquivos/can/atas//reu_68.pdf).

          Quantas diferentes você já usou? Pessoalmente, já usei seis diferentes, sempre na modalidade básica, mas o número é maior.

            Portanto, trocar a indumentária no escotismo brasileiro é frequente e não é motivo para angústia ou ansiedade. Nunca houve um estudo com metodologia válida que demonstrasse o impacto disso no efetivo, mas sabemos empiricamente que no máximo em quatro anos a tropa perde a memória, porque toda ela se renova e que os jovens, incluindo os adultos jovens, normalmente gostam de mudanças. Aos que contam mais estrelas de atividades, isto não é nenhuma novidade.

            Há, ainda, a questão da cobertura, que já mudou muitas vezes, independente do resto do uniforme, e onde as possibilidades já contemplaram o chapéu, a boina, diferentes modelos de bonés e não usar cobertura alguma.

Jornal Sempre Alerta

 

Capa do Jornal Sempre Alerta de abril de 1992, lançando novo o Traje Escoteiro.

Página interna do jornal que foi dedicado exclusivamente ao fato, explicando a sequência de eventos até o lançamento.

            Pelo apurado extraoficialmente até o momento, muitas tradições que haviam sido eliminadas em abril de 1992 com a introdução do traje escoteiro serão resgatadas. Voltaremos a ter roupas diferentes para adultos e calças padronizadas, entre outras coisas recuperadas.

          Naquele momento, o traje foi uma evolução do uniforme social, ao qual o uso era franqueado também para os sêniores, embora pouco usado por estes, mas era o uniforme padrão para os chefes que podiam usar também o cáqui. Pelo que descreve a ata do CAN, continuaremos com mais de uma opção de roupas escoteiras, não esclarecendo neste momento ainda como será a escolha por qual delas usar.

Edição da década de 1970 do P.O.R., no início do capítulo que discorria sobre o uniforme dos adultos.

            Elaboramos uma pequena amostra de diversas modificações ocorridas ao longo dos anos, no estilo álbum de figurinhas, buscando identificar o que teremos de volta, conforme já citado, ainda sem informações oficiais e destacando alguns pontos curiosos.

Semana da Pátria em Porto Alegre, 1942

Imagem da década de 1940, calça comprida padronizada ao centro, demais de bermudas. Observe o uso de botas juntamente com o uniforme.

As excursões de Georg Black

 

Georg Black e demais chefes a frente, usando calças e botas. Data e local da foto desconhecidos. Para mais detalhes sobre esta foto, visite o post “As excursões de Georg Black”.

Bastão Totem, desfile em Triunfo, RS

Uniforme clássico de Lobinho, apelidado em alguns locais de “farda azul”. Este expressão também era usada pejorativamente ao escoteiro imaturo, como se ele ainda fosse um lobo. Foto de 1982, durante desfile comemorativo da Semana Farroupilha, em 20 de setembro.

Lobinhos com uniforme azul e chefia com uniforme social, primeira alcatéia do GE Chama Farroupilha 183 RS, em 1986, no dia da promessa.

Uniforme Social para chefes com boina, diferente dos jovens, com opção de gravata preta ao invés do lenço escoteiro, foto de outubro de 1982.

Fundação do GE Chama Farroupilha 183 RS

Idem anterior, foto de 1 de maio de 1986. Escoteiros, chefes e lobinhos com diferentes indumentárias, chefes na direita usando gravata ao invés de lenço escoteiro. A gravata deveria ter na porção média um pin com o emblema oficial da União dos Escoteiros do Brasil.

Jamboree Farroupilha, 1986

Uniforme Cáqui todo curto, com boina, padrão mais duradouro das vestimentas escoteiras brasileiras, sendo o Cáqui para o jovem; uniforme social com calça cinza chumbo padronizada e camisa azul mescla, precursor do traje, para o escotista ao centro. Observe os bastões escoteiros, que eram regulamentares e individuais nesta época. Foto de janeiro de 1986, durante o Jamboree Farroupilha, no Parque Osório em Tramandaí.

Tropa escoteira com uniforme cáqui padrão, foto anos 1980.

Entrega de Cordão Verde-Amarelo

Jovens e adultos com uniformes distintos, foto em 7 de setembro de 1986.

Na sede do GE Chama Farroupilha 183 RS

Uniforme cáqui usado por escotista, igual ao dos jovens, modelo atual.

Jamboree Farroupilha, 1986

Uniforme cáqui da modalidade básica, Escoteiro do Ar ao centro e Bandeirantes no lado direito, Jamboree Farroupilha, janeiro de 1986.

Desfile 20 de Setembro, Triunfo RS

 

Cáqui mangas longas e calças curtas com boina, foto de 1988.

Camisa e distintivos Retrô.

Camisa social com boina e penacho, foto atual mas com vestimenta dos anos 1980. Para ser completamente autêntico, a calça deveria ser cinza chumbo e não de brim azul.

Traje com calça sem cobertura, padrão atual.

Traje com bermuda, chapéu e meias cinzas escoteiras, jovem e escotista com vestimentas iguais.

Para concluir, quantas vestimentas escoteiras, incluindo as diferentes combinações de peças, você é capaz de contar na foto acima ?