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Kit Leblon

O material será exposto na página Relicário, mas sua preciosidade e o fato de todas as peças estarem juntas, formarem um conjunto, faz com que mereça uma postagem individual, anunciando sua chegada, destacando estes itens de coleção, parte da memorabilia escoteira brasileira.

O material desta verdadeira “cápsula do tempo” repousa em uma pequena e delicada caixa de madeira dos “Productos Leblon”, produzidos em “Curityba”, Paraná. Esta caixa foi produzida pela tradicional Typografia Max Roesner e Filhos, que também era fábrica de caixas de papelão e se localizava no centro da cidade. Incluída a própria caixa, são 33 peças (), se considerar os 3 lobos como peça única (distintivos de promessa de lobinho), embora os 3 possam ser cortados e separados individualmente. Referindo-se aos distintivos, apenas 3 peças tem marcas de utilização. Há, também, 3 peças misteriosas que não puderam ser identificadas de pronto, inclusive duas parecendo não ser material escoteiro.

O lote pode ser visto em sua totalidade na imagem abaixo, e inclui até um Anel de Gilwell, assim como uma bússula, estrela de atividade de 3 anos de chefe, daquelas com ilhós para ser costurada no uniforme, outra estrela menor com dois pinos para fixação e um pequeno distintivo de lapela.

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Conjunto dos itens

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Tampa da cápsula do tempo

Merecem destaque os “irmãos gêmeos”, uma dupla de distintivos que exigiu alguma pesquisa para a sua definição, pois são Distintivos de Chefe com o Curso Básico Nacional, uma preciosidade que desconhecíamos:

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A dupla de Gêmeos

A dupla de Gêmeos

Do mesmo período, há “os Quintuplos”, cinco distintivos de Primeira Classe do período de 1950, produzido ela empresa Helvetia, que existe há mais de 80 anos.

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Quintuplos

Desta mesma época é o distintivo e a plaqueta do II Ajuri Nacional, realizado na Ilha do Governador, em Tubiacanga, de 14 a 24 de fevereiro de 1957.

“ O ajuri nacional, do Rio de Janeiro, é o marco triunfal do ano escoteiro.”

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Detalhe da plaqueta:

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Os listéis estaduais em branco, assim como o listel de grupo, este feito de cadarço serigrafado, também eram empregados na década de 1950.

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Entre 2 e 8 de Janeiro de 1964 aconteceu o I Acampamento Nacional de Sêniores, em Cachoeira do Sul (RS) e este é o respectivo distintivo.

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I Acampamento Nacional de Sêniores, em Cachoeira do Sul (RS),  de 2 a 8 de janeiro de 1964.

Os 5 irmãos, Distintivos de grupo e região, em plástico, utilizados no período de 1960, de diferentes unidades escoteiras locais. O Relatório da Comissão Executiva da Região do Rio Grande do Sul, de março de 1958 identifica os seguintes grupos e numerais:

18 – Tupanciguara, de Santa Maria;

20 – do Ar Tupanciretã, da mesma cidade;

33 – Tupinambá, de Erechim;

43 – Coroados, de São Leopoldo;

85 – Não consta nesse relatório.

Portanto, poderá haver alguma discrepância entre os números e os grupos já que não sabemos o ano de fabricação de cada um deles e poderá haver variações.

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Em 1967, o Rio de Janeiro sedia o primeiro Jamboree Panamericano, do qual estão presentes o chaveiro e uma cédula de Tamoio, o dinheiro do evento.

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Atividade de crescimento, o Expansão 70, onde os grupos escoteiros eram estimulados a promover diferentes ações de captação e visibilidade do escotismo, está presente com o distintivo de Promotor.

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Há dois topes de boina, o esmaltado com padrão anos 50-60, pois já consta esta descrição no Regulamento Técnico já citado e o outro que certamente é anterior.

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Os “irmãos siameses” nasceram unidos e assim permaneceram por toda a sua vida:

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O distintivo de lapela, além de muito pequeno e delicado está bastante desgastado.

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Única peça estrangeira, o distintivo da associação japonesa aparenta também ser de algumas décadas atrás e insiste em permanecer enrolado.

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Duas estrelas diferentes, uma de três anos de chefe e outra que parece ser de progressão do ramo Lobinho.

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Sobram, ainda, as 2 peças misteriosas que não parecem escoteiras:

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Ainda sob pesquisa…

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Semelhante a um pin, com as iniciais JPG

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Mimeógrafo e Anel de Lenço

Essa é do tempo das casas velhas!

Quem é um pouquinho mais antigo, ainda lembra de fazer provas na escola ou receber material didático das professoras rodados em mimeógrafo. Todo o filho de professora ajudou a rodar provas manualmente no tal aparelho.

O inconfundível cheiro de álcool se a impressão fosse recente, a cor azul característica. Tudo preparado previamente em uma folha matriz.

Abaixo, o esquema do nó “cabeça de turco”, para a confecção do anel de Gilwell, rodada em mimeógrafo e distribuída aos alunos dos cursos de formação por muitos anos no Rio Grande do Sul.

O autor do orignal? Não sabemos. Se o mesmo reconhecer sua obra, por favor identifique-se.

O autor do Anel de Gilwell? Este foi Bill Shankley, que com 18 anos era um dos dois funcionários permanentes de Gilwell Park. Utilizou o nó “cabeça de turco” da época que os marinheiros faziam formas decorativas com cordas como hobby. Empregou originalmente uma correia de couro de máquina de costura. Apresentou sua ideia ao Chefe de Campo que a aprovou. Isto tudo no início da década de 1920. Americanos já usavam um anel para fechar o lenço e o chamavam de “boon doggle”, provavelmente porque eram feitos de ossos e o nome era uma esquete para “dog bones”. Para rimar com “boon doggle”, Shankley chamou sua criação de “Woggle”, nome até hoje muito popular.

anel gilwell

Modelos Portugueses:

blog 065

Bill Shankley, já idoso, em imagem colhida na internet:

bill shankley

 

O mimeógrafo, ah, o tal mimeógrafo em imagem colhida na internet:

mimeografo

Fonte:

1 – Material didático original da Equipe Regional de Formação, Rio Grande do Sul, autor desconhecido.

2 – The Origins of the Woggle, The Scout Association, 1 ed., 2 p., fevereiro, 2008.

3 – http://tasmanian-scout-heritage-centre.blogspot.com.br/2011/07/bill-shankley-and-woggle.html