Monthly Archives: Setembro 2016

A triste geração que tudo idealiza e nada realiza

A triste geração que tudo idealiza e nada realiza

Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz.

Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.

Entendemos que as BICICLETAS podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.

Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.

Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.

Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.

Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.

Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.

Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.

Texto de Marina Melz

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Acampamento da Chama Crioula

     Nos dias 10 e 11 de setembro de 2016, o Grupo Escoteiro Chama Farroupilha 183 realizou em Triunfo um acampamento para guarda e ronda da chama crioula, simbolo da Semana Farroupilha, centelha que representa as tradições e orgulho do povo gaúcho. Este ano, a chama crioula foi gerada em Triunfo, na Ilha do Fanfa, palco de um dos combates da Revolução Farroupilha, que também foi escolhida há 28 anos atrás para emprestar seu nome para uma  patrulha sênior do Chama Farroupilha.

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     Contamos com a visita de uma patrulha de escoteiros do Grupo Escoteiro Charruas, de Porto Alegre e uma patrulha de seniores e guias do Grupo Escoteiro Jacuí, de Charqueadas, município vizinho também na região Carbonífera. A presença destes grupos abrilhantou a atividade e proporcionou excelente confraternização e a oportunidade de nossos jovens terem contato com escoteiros de outros lugares e grupos.

     O evento foi realizado no Parque Camboatá, mesmo local que há 30 anos foi realizada a primeira promessa do Chama Farroupilha. Este parque, que antigamente era palco de grandes eventos da comunidade Triunfense, como o Rodeio, o festival musical Escaramuça da Canção Gaudéria, Feira de Artesanato, Triunfo em Festa, etc, também já sediou um evento regional do ramo lobinho, o II AGAARS (Acantonamento Geral das Alcateias Amigas do Rio Grande do Sul), oferece uma excelente estrutura de acampamento remanescente daquela época.

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     Foi uma atividade maravilhosa, onde as condições climáticas estavam perfeitas, tudo concorrendo para o sucesso do evento.

     Ao final, o Clã Pioneiro Chama Farroupilha foi homenageado pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (M.T.G.), órgão oficial que controla e orienta a prática e o culto as tradições riograndenses, com o pin dos 50 anos desta entidade pelos serviços prestados durante a recepção das delegações de diferentes municípios a Triunfo, em agosto, com visita guiada aos prédio históricos da cidade.

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Clã Chama Farroupilha no momento do agradecimento recebido do M.T.G. (Movimento Tradicionalista Gaúcho)

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Pin dos 50 anos do MTG, entregue a cada um dos membros do Clã Pioneiro Chama Farroupilha.

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Distintivo da atividade

 

Distrito Escoteiro, uma reflexão histórica

     Há 36 anos sou escoteiro em uma mesma área geográfica do Estado do Rio Grande do Sul, precisamente a Região Carbonífera e posso dizer com tranquilidade que sempre carecemos de um Distrito Escoteiro que nos contemplasse.
     O modelo que agrega os municípios da Região Carbonífera com outros mais distantes nunca funcionou para os grupos às margens dos rios Jacuí e Taquarí. Tivemos vários, em diferentes composições ao longo de tantos anos, como 3º. e como 27º. distritos, com Comissários, Diretores, Coordenadores (essa mudança de nomenclatura nunca refletiu nenhuma melhora na qualidade, pura semântica), enfim, de diferentes localidades; lembro de 8 deles, alguns com mais de um mandato. Houve até quem atrapalhasse os grupos criando burocracias, engavetando papéis e exigindo algumas viagens em uma época antes do Sigue.
     Na década de 1970 o argumento ouvido dos próprios “Comissários Distritais” era que só havia o GE Carajás, insuficiente para um distrito, na década de 1980 e 1990 era que o GE Jacuí, GE Carajás e GE Chama Farroupilha também eram insuficientes para um distrito. Na última década se soma o GE Cerro da Raposa. São quatro grupos relativamente próximos, em um raio de 19 km, apesar de uma barca no meio do caminho. Segundo o site regional (http://www.escoteirosrs.org.br/pt-br/distritos-escoteiros), atualmente o 10°. e o 17°. Distritos tem apenas um grupo escoteiro cada!
      Isso não é uma crítica aos coordenadores distritais que ultimamente tem sido pessoas dedicadas, disponíveis e trabalhadoras pelo escotismo, mas a composição desta estrutura que nessa região em particular não vislumbra os grupos escoteiros interessados.
     Quando alguém diz que agora fazemos parte do distrito A ou B e que o “Coordenador” é Beltrano, Fulano ou Siclano, entra por um ouvido e sai por outro porque sabemos que nada muda. Isso está errado.
     Os grupos escoteiros interessados nunca foram consultados, essas decisões são tomadas de forma arbitrária por pessoas que não praticam o escotismo nessa área e desconhecem sua realidade. Isso fica evidente porque sempre municípios de outras microrregiões do Estado são agregados, mesmo que em direção geográfica oposta e sem afinidades, por razões que gostaríamos de entender ou ao menos conhecer.
    A sensação aqui na Região Carbonífera sempre foi de isolamento, de fazer carreira solo. Isso reflete aquela velha conversa de distanciamento dos níveis local, regional e nacional, apoio ou não aos grupos, etc, etc, etc que todos bem sabemos. Resulta que os grupos das cidades vizinhas também se distanciam. Cada um vive sua vida de forma independente.
     Quanto aos jovens que passaram pelo Movimento Escoteiro nesse período de tempo, bem, esses não sabem que essa estrutura existe, não viveram a experiência e perderam a oportunidade de mais atividades com grupos próximos e de criar vínculos em cidades vizinhas, ampliando o conceito de paz e entendimento enunciado por B-P quando idealizou os jamborees. Mas outras competências foram adquiridas.
     Abaixo está nosso distrito atual limitado em amarelo, que já foi ainda maior, pois os grupos de Montenegro e de Lajeado deixaram o 3°. distrito e foram incluídos em outros.
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     Um dia, quem sabe no futuro, teremos um distrito construído de forma democrática, onde os grupos escoteiros sejam ouvidos, onde seus jovens e adultos possam participar na formação do distrito que queiram. Enquanto isso, seguimos contando com grupos amigos de diferentes localidades para atividades conjuntas.

O Dabil e o Lucas

     Esta é uma história do Chama Farroupilha e parte dela esta publicada no livro que escrevemos, Chama Farroupilha 25 anos de história, é, portanto, a continuação.  O segundo capítulo.

     Em 1996 a tropa de escoteiros estava em plena atividade, com as quatro patrulhas funcionando com uma média de 5 escoteiros em cada uma. Participavam nesta época dois jovens escoteiros, Daniel de Souza Franco, vulgo Dabil, e Lucas Meister. Ambos foram membros da patrulha Búfalo e depois o Lucas passou para a patrulha Lobo. A troca de patrulha aconteceu por uma atitude nada escoteira, quando os dois em uma reunião de patrulha, decidiram medir forças a socos. A briga só serviu para no futuro se tornarem inseparáveis.

     Participavam como os demais jovens, em uma época onde a disputa entre as patrulhas era muito competitiva. É preciso registrar que foram muito bons escoteiros, dedicados. Embora a tropa de escoteiros estivesse bem, este foi um daqueles períodos que a tropa sênior estava com dificuldades de chefia e não estava funcionando regularmente. Então, acabaram se afastando do grupo escoteiro ao completarem 15 anos de idade. Em 25 e 26 de novembro de 2000, o Lucas ainda ajudou como assistente da tropa de escoteiros em um acampamento na Agropecuária Cidró em São Jerônimo, onde lhe demos algumas aulas de direção no Jeep Willys, dirigindo campo a fora. Este acampamento era o 2º. ASES, Acampamento de Seniores e Escoteiros no Sítio mas o Lucas era o único sênior presente, que trabalhou como assistente de tropa.

     Na prática ambos estavam afastados do grupo, até que em março de 2003 o Lucas se apresentou na sede e começou a participar novamente de forma efetiva e regular, agora como chefe. Em 2006 foi a vez de o Dabil reaparecer e eles acabaram formando uma verdadeira dupla. Ele havia decidido voltar para o grupo em 2005, motivado especialmente por ver a sua irmã, Cintia Franco, participando muito motivada. Mas surgiu uma oportunidade de estudos em São Leopoldo, com aulas justamente aos sábados e o projeto ficou para o ano seguinte. Como todos que voltavam por apenas algumas semanas, houve olhares de desconfiança que foram sepultados pela determinação.

     Iniciaram como assistentes na tropa de escoteiros, até ganharem embocadura para tocarem sozinhos. Então, o Lucas assume a chefia da tropa sênior e o Dabil passa a atuar nas duas tropas. Passamos a ter uma chefia bem mais consistente e com dois antigos escoteiros do grupo, prata da casa, só motivos para alegria. Isto foi fundamental para o crescimento e expansão do grupo porque o funcionamento regular da tropa sênior fez com que os jovens permanecessem no grupo. Na sequência, o Dabil assume cada vez mais a tropa escoteira, tornando-se o chefe de seção. Tínhamos duas tropas, uma masculina e outra feminina e a chefe da tropa de escoteiras era a Arari Alff. Por motivos pessoais ela afastou-se do grupo e as tropas foram unificadas, passamos a ter uma tropa mista, sob a chefia do Dabil.

     Contávamos novamente com uma dupla de chefes que repetia a história dos chefes Maurício Volkweis e Mateus Freitas iniciada nos primeiros anos da década de 1990, onde as semelhanças são duas pessoas com muitas afinidades porque foram membros juvenis do escotismo juntos, mesma idade, parceiros também fora do escotismo. Um vínculo muito forte de um com o outro, que se transfere para o grupo escoteiro. Você sempre se sente fortalecido e mais motivado se há um amigo junto, isto o torna mais empreendedor para novas atividades e ações no grupo, a soma destas energias sempre é muito positiva.

     Os dois jovens chefes também participaram do Jamboree Mundial da Inglaterra, em 2007, alusivo ao Centenário do Escotismo. Havia agora a vantagem que a dupla antiga (Maurício e Mateus) permanecia no grupo, pois neste momento não contávamos mais com a primeira dupla de todas a servir de pilar para o Chama, que foram o Saulo Radin e o Achiles Goldani, fundadores do grupo, e que estavam afastados de suas tropas.

     Com a chefia bem constituída e a permanência dos jovens até os 18 anos no grupo com atividades regulares e progressivas, finalmente sentimos a confiança necessária para abrirmos o Clã Pioneiro, em 2008, quando cinco jovens da tropa sênior completariam 18 anos, todos no mesmo semestre.

     Estes dois chefes deram um fôlego novo e arejaram bastante o grupo, pelas suas capacidades, envolvimento, ideias e entusiasmo. Mas também em 2008, o Lucas se muda, indo morar em Caibaté e afastando-se do Chama Farroupilha. Em 2009 ainda realiza seu registro no grupo, quando então nos surpreende com uma novidade maravilhosa. Estava fundando um novo grupo escoteiro lá, mas isto foi assunto para outro capítulo no livro.

     Então, em 2016, após 8 anos, o Lucas Meister volta a morar em Triunfo, depois de residir em diversos lugares do Brasil. Naquele intervalo, o Dabil também se mudou de Triunfo mas não se afastou do grupo, e após algum tempo também acabou voltando a morar aqui.

     Naturalmente, a dupla se formou novamente, em agosto de 2016! Estão juntos na chefia da tropa escoteira e todos sentimos uma alegria imensa e temos absoluta certeza de que os jovens desfrutarão muito das atividades planejadas e realizadas pela dupla novamente em ação.

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