Monthly Archives: Janeiro 2012

O Troféu Grupo Padrão

O Troféu Grupo Padrão Ouro

 A União dos Escoteiros do Brasil instituiu uma premiação de reconhecimento anual para os grupos escoteiros que cumprissem determinadas atividades, certos requisitos de funcionamento, administração, formação de adultos, aplicação do método escoteiro e participação na comunidade. Não é um concurso, cada grupo compete individualmente tendo que obter determinada pontuação. Logo que recebemos o material da primeira edição, percebemos que seria algo muito interessante e importante porque era uma forma de quantificar e avaliar como o grupo havia funcionado ao longo do ano. A chefia delegou o material e a tarefa de estudar as regras para dois antigos escoteiros que pretendiam permanecer na chefia do grupo.

Eram jovens e o progresso nos estudos fez com que eles mudassem de cidade e ninguém assumiu o Grupo Padrão. Passaram-se alguns anos até que percebêssemos novamente a relevância desta avaliação e como isto poderia ajudar o grupo a ser melhor. Foi somente em 2008, com a abertura do clã pioneiro, que finalmente conseguimos nos organizar para participar, inclusive com a criação de um grupo de interesse no Clã exclusivamente para o grupo padrão, com a função principal de estudar as regras e ajudar as chefias de seção na documentação e planejamento das atividades.

Portanto, participamos por cinco anos consecutivos, 2008, 2009, 2010 e 2011 obtendo pontuação ouro em todos os anos. Estamos aguardando a divulgação do resultado de 2012, do qual também estamos concorrendo. É inegável que ficamos muito envaidecidos com estas premiações em grau máximo, principalmente porque todos os membros do grupo escoteiro podem ostentar a conquista com um distintivo bem visível no uniforme. Também utilizamos estas conquistas como ferramenta de marketing para o grupo, pois é uma forma de avaliação da organização, das atividades realizadas e da inserção do grupo na comunidade.

Rende reportagens nos jornais locais, credibilidade junto as famílias e apoiadores. Há também o marketing dentro do próprio escotismo, com a inserção do grupo no Relatório Anual Nacional e Regional e a divulgação em diversos sites escoteiros. Podemos mostrar a comunidade que o trabalho sério desenvolvido é reconhecido pelo órgão máximo do escotismo brasileiro. Não somos aventureiros. Quando alguém pergunta se este é um bom grupo escoteiro, os troféus Padrão Ouro são uma das respostas que apresentamos.

Somos grandes entusiasmados desta atividade porque só tem nos ajudado, quer seja a melhorarmos nossas práticas, quer seja pelos ganhos secundários que o Chama Farroupilha obtém. Se o seu grupo não participa, deveria pensar seriamente nisto.

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Quando você divulga o escotismo?

Quando você divulga o escotismo?

O escotismo no Brasil enfrenta dificuldades de crescimento, com um efetivo que já foi maior e está estagnado, não acompanhando o desenvolvimento proporcional da população do país. Diversas razões e alternativas estão expostas e discutidas no relatório O Escotismo Brasileiro, elaborado por de Jean Cassaigneau e publicado em fevereiro de 2008, a pedido da União dos Escoteiros do Brasil.

Uma das razões discutidas é a baixa autoestima que os jovens sentem em relação ao movimento, quando estão em público, conforme descrito na página 32, dizendo que sentem vergonha de aparecer de uniforme. Ora, certamente isto decorre do receio de serem ridicularizados ou debochados pelos transeuntes porque a indumentária escoteira pode parecer estranha a olhos incautos. Isto é um costume nacional, debochar das roupas diferentes, da camiseta do time adversário e tantas outras situações. Mas como esperar reconhecimento de um povo que picha suas próprias cidades, incendeia contêineres de lixo, se comporta como primatas quando dirigindo carros e motos e rouba bronzes de praças para derretê-los e vender a peso como sucata apagando a memória histórica? O problema é educacional e a solução certamente está fora do escopo do escotismo, embora este possa ajudar.

Muito bem, sabemos que para o crescimento da instituição o marketing é fundamental e que a repetição sistemática da imagem facilita muito na sua assimilação, todavia é raro os escoteiros serem vistos e mesmo não seria pertinente andar uniformizado vários dias da semana. Todavia, pensamos que temos uma alternativa muito eficiente à disposição, mas depende da participação de cada membro do movimento e não produziria constrangimento aos jovens.

É farto o material escoteiro que não compõem o uniforme/traje e é para uso social. Uma infinidade de camisetas, casacos, agasalhos, bonés, enxovais de eventos, pins e lapelas que a grande maioria de nós reserva para usarmos exatamente em atividades escoteiras, ou seja, junto de outros escoteiros. Pois a proposta é justamente usar este material diariamente como forma de divulgarmos sistemática e continuamente o movimento. Vá correr, pedalar ou caminhar nos parques com uma camiseta escoteira, use um boné ou chapéu australiano escoteiro para ir a praia, para ir para a escola, use as lapelas escoteiras no seu terno ou blaser. Adesive seu carro com adesivos escoteiros. Use canetas e peso para papéis escoteiros em seu escritório. Mostre de forma informal mas contínua que você é escoteiro. Faça isso sempre. Influencie os outros. Não tenho dúvidas de que teremos muito crescimento.

Os adultos podem iniciar a campanha de usar roupas com motivos escoteiros sempre que possível e os jovens se sentirão confiantes para também fazê-lo. Não perca a oportunidade de falar sobre escotismo com seus colegas e amigos. Quantas vezes só depois de conhecermos uma pessoa há algum tempo, descobrimos que ela também é ou foi escoteira? Isto só depois de já sabermos para qual time torce, o que gosta de comer e tantos outros detalhes pessoais. Isto ocorre justamente porque não deixamos transparecer que somos escoteiros. Guardamos segredo. Pois bem, divulgue o movimento, use suas camisetas e bonés escoteiros pela cidade, no cotidiano. É um marketing barato, elegante, frequente e que certamente trará muitos outros membros para o escotismo.

The Flash – Acampamentos

             Idéia passada pelo Chefe Ernesto Roth de eventualmente realizar-se acampamentos surpresas, onde os jovens chegam desavisadamente para a reunião no sábado e são comunicados que haverá um acampamento, devendo estar com tudo pronto em duas horas. Usualmente o anúncio é feito por cartas-prego entregues na cerimônia de bandeira, no início da reunião. Obviamente, grupos escoteiros localizados em grandes centros urbanos talvez não possam desenvolver este tipo de atividade, por diferentes motivos impostos pelas grandes cidades.

           A carta-prego contém as instruções básicas, como horários de chegada e saída, autorizações e local, que deverá ser próximo, dadas as particularidades do evento. Também recomendamos que pelo menos os monitores tenham boa experiência de acampamento, caso contrário a atividade pode ser frustante. Em outras palavras, recomendamos escolher um momento adequado para a aplicação, quando a chefia percebe uma boa dinâmica em acampamentos anteriores e pode presentear a tropa com um acampamento extra que não consta no calendário. Decididamente, não recomendamos para tropas novas. Outro ponto a salientar é que o planejamento desta atividade é ainda mais trabalhoso que de acampamentos normais, exigindo ainda mais dedicação da chefia para que tudo transcorra bem e sem surpresas para os chefes.

            O objetivo é criar um clima de expectativa constante, do tipo “esteja preparado” (Be prepared).  Resolvemos adotar a idéia e hoje é uma tradição na tropa de escoteiros do grupo e as vezes empregada na tropa sênior. Não mais que uma vez por ano é realizado um acampamento The Flash para não virar rotina. Já aconteceu de meninos não estarem na reunião e aparecerem para o acampamento, duas horas depois do anúncio.

            Este nome surgiu da idéia de algo moderno, que traduzisse a idéia fundamental da coisa, que é resolver as situações no menor tempo possível, exigindo planejamento instantâneo. Quando aplicamos a idéia pela primeira vez, estava entrando em cartaz o filme The Flash, sobre o super-herói que tem a velocidade da luz e adotamos o nome.

            Aqui um pouco de história do GE Chama Farroupilha, para preservar a memória: O primeiro The Flash foi em 27 e 28 de março de 1993, na Granja das Figueiras, em Triunfo,  e além dos chefes Mauricio Volkweis e Mateus Freitas, estavam os escoteiros da patrulha Leão, Daniel Campos de Souza, Vinícius da Cruz de Paula, José Mário Marques Arbiza, Elzo Giacomelli Júnior; da patrulha Lobo estavam Marcelo Odorizi, Rafael Costa, Welkson Dalbem Stropper, Vagner Pinheiro Machado e Ingo Barros; Patrulha Águia representada por Geleovir Freitas, Willyann Dalbem Stropper, Diego Garcia Kundzin, Vinicius Lima Goldani e Guilherme Galarça Radin.

             Algumas variações também foram feitas, como o 4º. The Flash que foi um acantonamento e o 5º. The Flash, em 10 de julho de 1999, que foi somente um jantar, mas sempre seguindo os dois fundamentos básicos desta atividade que são a surpresa, portanto o segredo entre os adultos é obrigatório, e a exigência de planejamento rápido das patrulhas. O último foi realizado em novembro de 2011.

Grupos escoteiros irmãos

O Grupo Escoteiro Jacuí, de Charqueadas, é o grupo padrinho do Chama Farroupilha, as atividades escoteiras iniciaram em Triunfo em 1985, coordenadas pela chefia daquele grupo, conforme já citado. Durante algum tempo, as atividades de campo foram conjuntas, vide relatos posteriores do Acampamento Farroupilha, e após a fundação, o então Comissário Distrital, Jorge Luiz Wolff, pertencia ao Jacuí. Na sequência, foram realizados periodicamente os chamados Cursos de Monitores com jovens de ambos os grupos e o último deles foi há mais de dez anos e contou com a presença também dos Carajás, sendo promovido no Iate Clube, em Charqueadas.

No ano de 2008, o Jacuí nos presenteou com a Família Krause. Uma família escoteira inteira, formada por pai, mãe, uma filha e um filho. José Carlos Krause Lopes assumiu a chefia da Tropa Sênior logo após a mudança do Chefe Lucas Meister para Caibaté. Berenice Teixeira Lopes passou a ser a Kaa da alcatéia, Alexandre Teixeira Lopes e Letícia Teixeira Lopes, membros juvenis. Todos são pessoas muito motivadas e dedicadas, que colaboram de forma incansável com o escotismo e contribuem muito para o progresso do Chama Farroupilha. Uma família digna de admiração. A chegada deles foi exatamente quando o grupo escoteiro ficaria fragilizado, pois a filha mais velha do chefe Maurício havia recém-nascido, exigindo seu afastamento temporário e menos dedicação ao grupo e o Chefe Lucas estava de mudança. Mas nada ocorre por acaso e com eles o grupo manteve o pique, ânimo e motivação, melhorando muito na organização.

Com o envolvimento em cursos e em eventos escoteiros maiores, surgiu uma forte relação com outros grupos escoteiros, particularmente com o G.E. Jean de Lery, de Estância Velha e o Inhanduí, de Canoas. A relação começou quando foram colegas de cursos o Maurício Volkweis, o Fabiano André Trein e o Guilherme Raymundo, chefes de tropa de escoteiros, respectivamente, do Chama Farroupilha, Jean de Lery e do Inhanduí. Fizemos juntos o Curso Técnico do Ramo Escoteiro (o extinto CTR), o Curso Básico e a parte de campo do Curso Avançado. A amizade formada por estes três chefes estendeu-se aos grupos.

 Com estes dois grupos, participamos do Jamboree Panamericano da Bolívia, do Acampamento dos 10 anos do Chama Farroupilha e de dois Acampamentos de Aniversário do Jean de Lery. Por outras duas vezes o Inhanduí e o Chama Farroupilha realizaram acampamentos de tropa em Triunfo e em São Jerônimo. Com o Jean de Lery também participamos dos Jamborees Panamericanos da Guatemala e de Foz do Iguaçu, e dos Mundiais do Chile e da Suécia. No Jamboree Mundial da Inglaterra, no centenário do escotismo, onde o Chama Farroupilha foi a maior delegação do Rio Grande do Sul, contamos com a chefia da delegação gaúcha a cargo do chefe Osni Rosenhaim, que é uma grande expressão escoteira do Grupo Jean de Lery.

Mais recentemente, passamos a ter uma relação próxima com o G.E. Arno Friedrich, de Porto Alegre. Nosso primeiro contato foi em 1996 no Jamboree da Guatemala, quando quatro membros do Arno ficaram em nossa tropa, até que anos depois recebemos o Arno em Triunfo para um acampamento e desfile cívico, em 20 e 21 de setembro de 2003, quando acantonamos na sede e acampamos no Camping do Areal. Foi-nos oferecida uma lembrança que está em nosso armário de troféus, sendo uma grande placa em madeira com uma flecha confeccionada em pedra-sabão e madeira pirografada pelo diretor-presidente do grupo na época, o artista plástico e publicitário uruguaio Eduardo Alqueres. Estivemos juntos em diversos Jamborees e contamos com seu apoio na estruturação do clã pioneiro. Tudo fruto da amizade com dois chefes em particular daquele grupo, Márcio Sequeira da Silva e Marlon Benites de Souza.

1º. Torneio Brasileiro de AROBOL

1º. Torneio Brasileiro de Arobol

 Importado da Guatemala, este esporte foi aprendido pelos brasileiros durante o X Jamboree Panamericano, em Muxbal, em 1996. O objeto que faz as vezes de bola é uma correia de motor, daí o nome “arobol”. É jogado por duas equipes com número igual de participantes e o objetivo é acertar o aro em um longo bastão segurado por um dos jogadores, mas que não pode mover-se e se posiciona atrás do time adversário. O jogador de posse do aro não pode dar mais de três passos contínuos, quando deverá passar para alguém da equipe ou tentar o arremesso para o ponto, desde que o meio do campo já tenha sido transposto. No mais, segue regras semelhantes ao handebol ou basquete.

As partidas na Guatemala iniciaram justamente ao lado de nosso canto de patrulha, nos fundos da barraca da chefia, porque ali havia um espaço livre, um campo de chão batido, tapado de poeira. Desnecessário dizer como ficavam nossas barracas com tanto pó. Por conseqüência, nossos escoteiros aprenderam bem as regras. Como nosso subcampo ficava muito distante da arena central do evento, era na porção mais alta do morro, durante o tempo livre, os jovens de todas as tropas muitas vezes preferiam ficar no subcampo jogando a se deslocar até lá.

Um mês após voltarmos do Jamboree guatemalteco organizamos o Acampamento dos 10 anos, para comemorar o aniversário do Chama Farroupilha e dentro da programação do evento estava o Primeiro Torneio Brasileiro de Arobol. Para que não se dê por passado, fica aqui o registro deste fato inédito porque já vimos muitos outros grupos escoteiros praticando o arobol recentemente. Além dos registros fotográficos do evento, as mais de cem pessoas presentes foram testemunhas e disputaram o torneio.

Organizamos quatro quadras simultâneas, os juízes das partidas de cada quadra foram os chefes Maurício Volkweis e Mateus Freitas do Chama Farroupilha, Fabiano Trein do Jean de Lery e Guilherme Raymundo do Inhanduí, sendo este o único dos quatro que não havia aprendido o Arobol diretamente dos guatemaltecos porque não havia participado deste Jamboree. Então, ensinamos previamente as regras a ele para que também pudesse atuar como árbitro em uma das chaves do torneio.

A atividade foi aplicada no ramo escoteiro e cada grupo participou com mais de um time, organizados de acordo com as patrulhas presentes e aconteceu junto ao local de acampamento, no Camping do Areal, no centro de Triunfo, as margens do rio Jacuí, durante à tarde do dia 25 de maio de 1996, das 14 h e 30 min até as 16 h e 30 min. Após 15 anos, o resultado do torneio perdeu-se no tempo, não sabemos mais a classificação das patrulhas participantes.

Os Jamborees

Os Jamborees – Bolívia, Guatemala, Chile, Foz do Iguaçu, Inglaterra, Suécia.

Após o VII Encontro Regional de Chefes do Ramo Escoteiro, decidimos oficialmente participar do 9º. Jamboree Panamericano de Cochabamba, Bolivia, por influência de Eduardo Bello. Foi realizado entre os anos de 1994 e 1995, com a passagem do Ano Novo lá, no altiplano andino. Era a primeira vez que o Chama Farroupilha participava de um evento internacional, a primeira vez que ia a um Jamboree e a primeira vez que saia do Brasil. A Região, através de Eduardo Bello, organizava uma grande delegação, com um voo charter somente para os gaúchos, fretado do Lloyd Aéreo Boliviano. Foi uma surpresa quando entramos no avião e a direita da porta havia uma placa de bronze com os dizeres escritos em espanhol e aqui traduzidos: “Nesta aeronave voou o Papa João Paulo II, quando de sua visita a Bolívia”. Foi uma tranqüilidade muito grande saber que estávamos voando no avião papal, uma sensação de segurança reconfortante, a despeito de todas as brincadeiras de humor negro que ouvimos antes de viajar, fazendo referências a uma companhia aérea que é muita séria e sem histórico de acidentes. Iniciamos a organização da delegação triunfense, fizemos algumas reuniões e como nesta época não tínhamos sede, estes encontros com os pais para esclarecer o que era o evento e como poderíamos participar ocorreram no subsolo do Clube Centenário, junto a pista de bolão. Finalmente, nossa delegação foi composta pelos chefes Maurício Roth Volkweis e Mateus Schenk Freitas, pelo sênior Geleovir Freitas e pelos escoteiros Elzo Giacomelli Junior, Vinícius Lima Goldani, Vinicius da Cruz de Paula e Guilherme Galarça Radin. Delegação para a Bolívia.

Tanto a viagem quanto o evento transcorreram sem problemas, chegamos pela manhã mas só fomos transferidos para o acampamento na tarde do dia seguinte. Ficamos alojados em uma escola no centro de Cochabamba, o que permitiu que conhecêssemos a cidade. Tínhamos um universitário voluntário que nos servia de guia. Já na metade do primeiro dia, o Mateus dispensou o rapaz e assumiu as funções de guia turístico sem nunca ter ido antes a Cochabamba. Quando cruzávamos com outros grupos de escoteiros brasileiros pela cidade eles perguntavam onde estava nosso guia e o Mateus respondia “El guia soy yo, la garantia soy yo“ em uma alusão a um comercial de TV do videocassete Toshiba quatro cabeças. A noite jantamos em uma pizzaria no centro de Cochabamba. O detalhe é que nunca nenhum de nós havia estado em Cochabamba, mas realmente não era difícil se localizar na cidade e encontrar os locais de interesse para visitação, incluindo uma feira gigante de artesanato. O programa do Jamboree envolvia muitas caminhadas pelo altiplano andino, realmente muito bonito. Nossa tropa foi completada com o grupo escoteiro Jean de Lery, de Estância Velha e Inhanduí, de Canoas. O Chefe da tropa era o chefe Davi, do Jean de Lery, que também desempenhava a função de coordenar a cozinha do acampamento. Um dia de noite a equipe de cozinha resolveu fazer um macarrão, que ficou todo grudado, impossível de ser comido. Um escoteiro do Jean de Lery, Rômulo Faustino, hoje conhecido no escotismo como Rufos, colocou a massa no prato e o virava de cabeça para baixo e a massa não caia, desafiava a lei da gravidade. 

Estávamos participando da I Ação Escoteira em Veranópolis, em abril de 1995 e no domingo pela manhã havia uma missa na praça central da cidade, onde todo o evento iria participar. Lá estava novamente Eduardo Bello que conversou conosco e passou informações preliminares sobre o X Jamboree Panamericano que seria realizado na Guatemala e haveria a possibilidade de após o jamboree passarmos uma semana nos Estados Unidos, em Orlando, desfrutando a Disney e demais parques. Parecia um sonho. Nesta época havia paridade cambial entre o Real e o Dólar e tudo ainda poderia ser pago em dez parcelas fixas. Logo iniciamos as tratativas e montamos uma delegação em nosso grupo, que apesar das facilidades financeiras para este evento, foi a menor delegação do Chama Farroupilha em um Jamboree, sendo composta pelos chefes Maurício Roth Volkweis e Mateus Schenk Freitas e pelos escoteiros Elzo Giacomelli Junior, Vinícius Lima Goldani, e Vagner Pinheiro Machado. O evento transcorreu durante a páscoa de 1996, de 30 de março a 6 de abril de 1996, em Muxbal, nossa tropa era formada ainda pelos Grupos Jean de Lery (Estância Velha), Barão do Rio Branco (Novo Hamburgo), Arno Friedrich e Marquês do Herval (Osório). O chefe da Tropa 5, Vikings, era o Maurício Volkweis, Mateus Freitas era o chefe do Bem-Estar e o Fabiano Trein era o chefe do Programa, estas duas últimas funções criadas pela organização do jamboree e com funções específicas. Desde então, começamos a observar um fato constante em nossas tropas e muito interessante. Os jovens criam ou uma história fantasiosa ou um amigo imaginário coletivo que está presente em todos os momentos e acompanha a todos. Na Guatemala, os escoteiros Rodrigo Luiz Kasper e Rodrigo Magrin Juchen (o Patê), ambos então do G.E. Barão do Rio Branco, instituíram a história dos Ciclonóides, que vieram do planeta Ciclon e poderiam converter outras pessoas, sugando sua energia vital com a ferramenta especial, desde que a pessoa se colocasse em posição. Apenas os seis ciclonóides originais não tiveram sua energia vital sugada, a saber: Chefes Maurício, Mateus e Fabiano Trein e os próprios Kasper e Patê e o João, amigo deles que não foi ao Jamboree e que segundo eles foi quem inventou esta história toda. Havia sinais de identificação entre os ciclonóides e toda uma coreografia muito elaborada.

A organização guatemalteca foi precária, faltando muitas coisas para o evento e o local ainda era muito difícil, devido a ser um morro muito pedregoso, com grandes distâncias entre os subcampos e a arena central. Gastávamos 20 minutos caminhando morro acima para voltar da arena central até o acampamento que era no último subcampo, quer dizer, no mais alto. Entre o nosso canto de tropa e a rua de circulação havia um barranco arborizado que virou o ponto de parada do pessoal, em qualquer minuto vago todos estavam no barranco apreciando o movimento. Os guris desenvolveram um passatempo, fizeram plaquinhas com notas e ficavam sentados em cima do barranco observando o movimento. Quando passava uma menina, eles levantavam as plaquinhas dando notas para elas. Todos gostaram da idéia e tinha menina que não cansava de passar, para ver se a nota melhorava. Esta brincadeira foi repetida meses depois, na Ação Escoteira de São Lourenço.

A UEB foi fantástica, criando uma organização paralela e fornecendo as tropas brasileiras o suporte que o evento não oferecia, inclusive dois veículos foram alugados, uma van e uma picape, para atender as tropas. Após o Jamboree, os chefes de tropa receberam uma agradável e elogiosa carta de agradecimentos, assinada pelo próprio Antônio Carlos Hoff, chefe da Delegação Brasileira. Uma das atividades do programa era a escalada do vulcão de Pacaya, ainda ativo. Os grupos eram deslocados de ônibus até a base do vulcão e quem realizasse a subida, recebia um distintivo no topo do vulcão, que caracterizava a base. Todos os integrantes do Chama conquistaram a insígnia. Era uma elevação muito íngreme, com muitas pequenas pedras soltas queimadas, resultado do resfriamento da lava e os pés se enterram nestas pedras, dificultando a subida. O pisoteio destas pedras também produzia uma poeira preta que atrapalhava a respiração. Trouxemos algumas destas pequenas pedras pretas como recordação e elas estão no armário de troféus do grupo, em uma pequena caixa plástica transparente. Parte da tropa 5 no topo do vulcão de Pacaya. Depois, os dias em Orlando foram muito prazerosos e visitamos a Disney World, Epcot Center, MGM Studios e Universal Studios, hospedados em hotel e com direito a compras na Rodeo Drive e um city tour em Miami.

Tivemos uma intercorrência na imigração americana, onde uma escoteira do G.E. Jean de Lery foi detida por problemas no visto de imigração americano. Acontece que o governo dos Estados Unidos havia concedido um visto que permitia somente uma entrada no país e quando fizemos a conexão para a Guatemala esta única entrada foi utilizada embora não tivéssemos nem saído do aeroporto, mas ninguém sabia disto. Ela foi conduzida para uma sala toda envidraçada onde ficavam os imigrantes ilegais até receberam o devido destino, junto com diversas pessoas algemadas. Todos nós viajávamos impecavelmente uniformizados, apesar dos sete dias de acampamento e pensamos que isto ajudou muito, dada a popularidade do escotismo nos Estados Unidos. Foi permitido um acompanhante por ela ser menor de idade , havia sua irmã na tropa mas não falava inglês, então foi solicitado ao chefe Maurício Volkweis acompanhar a jovem. Após conversar com os oficiais da imigração, eles foram sensíveis a situação, houve explicações de ambas as partes e validaram o visto para somente mais uma entrada, cobrando uma nova taxa, na época correspondente a US$ 100,00. Após este susto, apenas desfrutamos os passeios.

O Jamboree do Chile foi o primeiro e até agora único Jamboree Mundial realizado na América Latina e o 19º. World Scout Jamboree. Iniciamos um longo trabalho prévio de motivação e diversas estratégias de arrecadação de fundos pela oportunidade de participar de um Jamboree Mundial em um país próximo, portanto com uma viagem mais barata. Fizemos uma ficha para cada jovem que funcionava como uma conta corrente, o que cada um gerava de dinheiro nas promoções era creditado individualmente, assim cada jovem poderia acompanhar seu próprio progresso financeiro. Se alguém desistia, o dinheiro acumulado por ele era fraternalmente dividido entre os restantes, creditando na ficha pessoal. Nossa delegação contou treze membros e foi a maior até hoje para um Jamboree. Era formada pelo Chefe Maurício Roth Volkweis e pelos jovens Bruno Barreto Pavão, Daniel Pinheiro Vargas, Diego Vargas, Dyego Matielo Lemos, Guilherme de Souza Ferreira, Leopoldo Galarça Radin, Luciano Breitsameter Demaman, Mateus Marchett Lopes, Maicon da Silva Silveira, Mário Celso Pacheco, Vinícius Goldani e João Manoel de Medeiros. Nossa tropa foi completada com o Grupo Manoel da Nóbrega, Guaranis, George Fox e com uma patrulha de Moçambique. Os moçambicanos nos presentearam com uma fruta típica de Moçambique que forma uma espécie de pequeno porongo chamada de Massala, serve para conter líquidos e encontra-se exposta em nossa sede no armário de troféus. Durante o evento, sofreram forte crise de malária, doença da qual eram portadores, exigindo a internação no hospital de campo de quatro jovens diferentes.

No voo entre Porto Alegre e Buenos Aires, onde fizemos nossa conexão para Santiago, o serviço de bordo distribuiu um conjunto de brindes onde havia um creme hidratante em um sache. Logo veio a bandeja de alimentação e o Guilherme Ferreira passou o hidratante na comida toda, achando que era maionese. E ainda reclamou do gosto estranho daquela maionese. Houve muitas falhas no programa do Jamboree para os jovens, com bases que verdadeiramente não funcionavam, tal como a base Carros de Acero. Havia um calor intenso e o ponto alto foi a ampla distribuição de frutas durante todo o acampamento e em múltiplos pontos. A decoração do campo, com pórticos em todos os subcampos e vias cobertas com telas para proteger do sol também merecem destaque. Nossa tropa era a 4 e se chamava Muuripás, o grito de guerra era: “Do sul viemos nós, escute minha gente, Gaúchos como nós, Escoteiros para sempre”. Estávamos alojados na aldeia Teotihuacán, no subcampo Toltecas. O amigo imaginário dos jovens neste jamboree era o Pepeco ou Ralfs de Pepeco. Tudo era ele quem fazia, sabia ou deixava de fazer. Confesso que cansamos do Pepeco e ele acompanhou o grupo por muito tempo, voltou junto do Jamboree e habitava as ruas de Triunfo, onde frequentemente se ouviam gritos clamando por ele.

Sabe-se que cabeça vazia é oficina do diabo. Os jovens acabaram inventando uma distração nada escoteira e que reprimimos fortemente em nossa tropa quando a descobrimos. Havia muitos banheiros químicos no campo e eles ficavam esperando alguém entrar para utilizá-lo, aguardavam uns instantes para dar tempo da pessoa se sentar e atiravam uma pedra dentro do cano do respiro de ar do banheiro. Essa pedra cai por aproximadamente dois metros dentro de um cano fechado até se chocar com o reservatório dos excrementos, produzindo um grande pingão em quem está sentado, seguido de muitos gritos de desaforo. Conseguiram inventar algo realmente podre.

Aconteceu neste Jamboree um encontro que se tornou tradição em Jamborees Mundiais, que é o Encontro Lusófono. Ao final da tarde de um dos dias de acampamento, todos os participantes do evento de países que falam a língua portuguesa se reúnem para apresentações culturais, troca de experiências e confraternização.

Ainda resultado do tempo ocioso, o escoteiro Leopoldo Galarça Radin furou a orelha do escoteiro Luciano Demaman no acampamento para ele colocar um brinco. Usou uma técnica muito sofisticada, deixando uma pedra de gelo por alguns instantes no lóbulo da orelha e depois furando com o próprio brinco, em um golpe seco, seguido de um grito. Foi também neste Jamboree que tivemos o acidente mais sério com um membro de nosso grupo. No penúltimo dia, o Vinicius Goldani, que era um dos cozinheiros, enfiou uma das mãos em uma frigideira com azeite quente, queimando todo o dorso. O Vinicius era escoteiro experiente, até hoje é o único integrante do grupo a participar como membro juvenil de três Jamborees (Bolívia, Guatemala e Chile), este era seu último jamboree porque já tinha 17 anos, mas infelizmente acidentes acontecem. Permaneceu horas com a mão enfiada em uma bacia com água e gelo para aliviar a dor. A cicatrização da queimadura transcorreu sem intercorrências e não deixou sequelas. O Jamboree aconteceu entre 1998 e 1999, com a virada do ano lá. Devido a aridez da região, vimos um vídeo em telões da queima de fogos de artifício porque nenhum foguete poderia ser detonado. Também neste evento os ingleses já estavam divulgando o Jamboree do Centenário que aconteceria somente sete anos depois. Ganhamos inclusive pins de divulgação do evento e tivemos a oportunidade de conversar com Derek Twine, pessoa muito simpática, quinto Chefe de Campo de Gilwell Park no período de 1983 a 1999, que nos deu um cartão seu, guardado em nosso relicário. Os escoteiros entendem a importância da única Insígnia da Madeira de seis contas. Após o Jamboree a comunidade de Triunfo viveu uma experiência singular, que foi a de participar do programa de Home Hospitality (HoHo), onde cada família recebeu dois escoteiros ingleses, tivemos dezesseis pessoas alojadas em Triunfo, provenientes da região de Leeds e Wakefield, correspondendo a escoteiros do Condado de Central Yorkshire. Eram catorze membros juvenis e dois chefes. As famílias que hospedaram os ingleses foram as de João Ramos Matias, Cacildo Volkweis, Maria Cristina Lemos, Carlos Eduardo Bonatto Felten, Marcos Pavão, Carlos Antônio Aita, Achiles Goldani Netto e Fábio Jerônimo Martins Vargas. Permaneceram em Triunfo durante 4 dias. No churrasco de despedida realizado no Cantegril Clube, recebemos um quadro onde o fundo é o lenço da delegação inglesa e sobreposto a ele estão os distintivos de todos os distritos que formavam a tropa no HoHo de Triunfo, exposto na sala da chefia. Ainda ornamentam a sede uma flâmula do Jamboree em um quadro de vidro, oferecida ao grupo pelo chefe Maurício, um quadro com a carta de agradecimento e fotos que foram enviadas pela tropa do Ho-Ho após a volta deles para a Inglaterra, e um prato plástico com a logo do jamboree, no armário de troféus do grupo, presente de Dyego Matielo Lemos.

Ao revisar estes relatos, Daniel Vargas, o Cachorro, ainda lembrou de outra história. Como o Chefe Maurício era o único chefe de seu grupo liderando doze jovens, alguns cuidados foram necessários, que o Daniel narra a seguir: Nas preparações para ida ao Jamboree do Chile fazíamos algumas reuniões, e em uma dessas reuniões você (Maurício) chamou apenas eu (Daniel) e o Mário (Pacheco) daí você nos falou como funcionaria tudo lá no Chile e nos depositou a confiança de passar algumas instruções de como assumir o controle do grupo, documentos de todos e também de como agir caso acontecesse alguma coisa com você. Nessa reunião, em conversa descontraída, eu falei: “Imagina depois que voltarmos, em fazer encontros com jantas ou almoços para podermos nos encontrar e falar das histórias que vivermos lá”. Nesse momento você (Maurício) me falou uma coisa que levo até hoje na minha vida, óbvio pelo acréscimo dos fatos acontecidos: “Cachorro, aproveita tudo lá durante a viagem pois quando viajamos e vivemos em grupo, ainda mais do tamanho desta tropa que estamos indo viajar, nunca mais tu consegue reunir todo mundo, pois quando marcar algum encontro sempre um dos integrantes terá outro compromisso ainda mais que vocês tão crescendo, indo estudar e trabalhar”. Após o retorno do jamboree fizemos um almoço no Clube Cantegril o qual se bem me lembro o Luciano Demamann já não pôde ir e dói a partida do nosso colega Guigui. Então, sempre aproveito todos os dias de minha vida intensamente com as pessoas que estão comigo nos momentos, viagens, festa, jantares, almoços, reuniões e outras atividades as quais participo com amigos e conhecidos, pois em 1998 e 1999 escutei essas palavras de você e vivencio até hoje o que disse naquele momento.

De 7 a 12 de janeiro de 2001 o Brasil voltou a sediar um Jamboree Panamericano e novamente o Chama Farroupilha esteve presente, a delegação foi composta pelo Chefe Maurício, seniores Guilherme da Silva Ferreira, Bruno Barreto Pavão e Mateus Marchett Lopes e pelos escoteiros Gabriel de Medeiros Aita, Vinicius Mendes Felten, João Henrique de Freitas e Moisés da Silva Rybar. Viajamos um dia antes de van e ficamos uma noite hospedados no Hotel Rafain, em Foz do Iguaçu, para no dia 7 darmos entrada no campo. Delegação triunfense em Foz do Iguaçu. Em pé: Chefe Maurício, Moisés, Bruno, Guilherme, Mateus, João e Gabriel. Agachado: Vinícius. Este Jamboree foi um exemplo de organização, onde tudo funcionava perfeitamente e foi também a única vez que um de nossos escoteiros experimentou um caso grave de saudade de casa, que chamamos de banzo, numa analogia a saudade que os escravos sentiam de sua terra natal. Este é um fato passível de acontecer em longos acampamentos como este e talvez o amigo imaginário coletivo ajude neste equilíbrio emocional e neste jamboree não houve nenhum. Outro evento marcante foi a chuva. Não chovia o dia todo, mas todos os dias choviam, algo que se tornou muito irritante após alguns dias de acampamento. A região é composta por um solo argiloso, muito vermelho, que facilmente vira barro e mancha tudo. Algumas barracas ficaram tão encardidas que não conseguimos mais eliminar as manchas. A chefia da tropa escoteira 219, chamada Atyra, com 35 participantes, ficou a cargo do chefe Eduardo Loureto Alves (Nono), do G.E. Henrique Dias de Santa Maria, da chefe Carmem Koehler do G.E. Santa Cruz, do chefe Fabiano Trein do G.E. Jean de Lery e do chefe Maurício Volkweis do Chama Farroupilha. Os jovens era procedentes dos grupos Botucaraí, Santa Cruz, Almirante Abreu, Augusto Severo, Iguaçu, Medianeira, Itaipu, Porto Seguro, Ventos do Sul, Nenguiru, Acauã, Chama Farroupilha, Paranhana, Jean de Lery, Barão do Rio Branco, Harmonia e Henrique Dias. Nossos seniores ficaram em outra tropa, liderada pelo chefe Alberto Stochero, de Santo Ângelo.

Um ponto alto foi o refeitório montado, com toda a alimentação era oferecida pronta, liberando os jovens de atividades de cozinha e permitindo mais tempo para confraternização e também merecem destaque os banheiros que sempre funcionavam adequadamente. A frente deste evento estava o trabalho de Eduardo Bello, Executivo da Direção Nacional, a quem citamos as qualidades e lamentamos a perda precoce.

Em 2007 ocorria o Centenário do Escotismo, marcado pelo centenário do acampamento na ilha de Brownsea, considerado o marco de fundação do movimento. Para celebrar data tão significativa, a Inglaterra, assim como ocorreu no cinquentenário do escotismo em 1957, organizou o 21º. World Scout Jamboree. Trabalhamos fortemente para o Chama Farroupilha estar presente, acalentando o sonho desde 1999, quando no Jamboree do Chile tivemos contato com a delegação inglesa, que já divulgava os preparativos para o evento. O resultado é que fomos a maior delegação do Rio Grande do Sul, motivo de muito orgulho para todos. Esta foi a nossa segunda maior delegação, com doze membros. Tal número só foi possível graças ao empenho pessoal de Pedro Francisco Tavares, o Chico, que conseguiu patrocínios para o Grupo Escoteiro. A Delegação foi formada pelos Chefes Maurício Roth Volkweis, Daniel de Souza Franco, Lucas Meister e pelos jovens Tibério Kober, Rafael Conzatti Umann, Leonardo Schmidt Costa, Luiza Galarça Radin, Cintia de Souza Franco, Henrique Jadoski, Bruno Dornelles Pereira, Carlos Gabriel Grzegorczyk Dias e Rodolfo Itamar Souza Viacava.

O amiguinho imaginário que acompanhou a tropa desta vez foi o Barbiroto. Dessa vez, o significado foi estendido e também usado como verbo, tipo ele está barbirotiando e até como adjetivo, como barbirotice. Nossa tropa era a única do Rio Grande do Sul, portanto contava com jovens de todo o estado e ainda uma patrulha de escoteiros uruguaios. Nossos hermanos nos presentearam com um troféu que é um mapa do Uruguai, revestido em cobre, obra de um artista plástico uruguaio, que está exposto em nossa sede, no armário de troféus do grupo junto com uma foto e cartão de toda a equipe de chefes de serviço de nosso subcampo, oferecida como recordação a todas as tropas presentes. Também temos exposta em nossa sede a faixa que identificava a Tropa 12, com o nome de todos os municípios de onde os integrantes eram procedentes, ou seja, Porto Alegre, Santa Cruz do Sul, Portão, Triunfo, Vera Cruz, Estância Velha, Erechim e Carazinho. Parte brasileira da tropa sendo homenageada pelos irmãos uruguaios. Os chefes Daniel e Lucas trabalharam na Equipe Internacional de Serviço e a chefia da tropa foi composta pelo chefe Maurício, um chefe da Delegação Uruguaia, pelo chefe Tiago do G.E. Arno Friedrich, e pelo chefe Eduardo Amorin, o Bala, então do G.E. Santa Cruz (181 RS), um chefe escoteiro nato, com extensa dedicação ao escotismo, fundador e organizador de outros grupos escoteiros como o McLaren (343 RS) e o Arés (193 RS), com quem desenvolvemos intenso e gratificante trabalho durante o acampamento. O Bala é uma pessoa muito autêntica e com o trabalho conjunto tivemos um excelente evento. Após o Jamboree ele escreveu em seu blog um extenso agradecimento a nós, deixando-nos verdadeiramente envaidecidos, em uma sincera demonstração de carinho. O reconhecimento pelos irmãos de ideal, especialmente aqueles muito dedicados ao escotismo, é sempre uma grande honraria (http://chefebala.blogspot.com/2008_01_01_archive.html).

Este Jamboree foi um exemplo de organização, tudo foi perfeito, tudo funcionou, uma experiência única e irrepreensível, que contou com a presença do Príncipe Willian, herdeiro do trono inglês na Cerimônia de Abertura, bem como do neto de Baden-Powell, também chamado de Lord Baden-Powell. Toda a programação transcorreu naturalmente, havendo um dia inteiro de atividades em Gilwell Park e em outro dia havia inclusive uma encenação de um torneio medieval de cavaleiros durante o horário de almoço. Era impressionante a quantidade de câmeras de segurança no evento, inclusive com unidades móveis de monitoramento, todavia não impediu que nossa bandeira do Brasil, que ornamentava o pórtico do canto de patrulha fosse roubada durante a noite. Era uma bandeira muito grande, que um dos jovens de Porto Alegre do grupo Arno Friedrich havia levado, procedente da empresa que seu pai trabalhava e que a havia substituído, embora em perfeito estado. A caça de troféus é uma prática antiga e condenável no escotismo e desta vez fomos vítimas.

Devido a este roubo, fomos convidados a comparecer a uma espécie de delegacia montada dentro do Jamboree em containeres, em uma das extremidades do parque, acompanhados pelo chefe do subcampo Tundra, onde estávamos acampados. Ficamos impressionado com a quantidade de agentes da New Scotland Yard, a polícia inglesa, que estavam presentes no evento, vestidos como escoteiros e trabalhando discretamente pela nossa segurança. Frequentemente eram vistos policiais uniformizados circulando no campo, em policiamento ostensivo, mas estes, depois desta visita, percebemos que eram só para inglês ver. O contingente policial verdadeiro era discreto e circulava em bicicletas, misturado as equipes de serviço. Após o evento, passamos três dias em Londres e quatro dias em Paris, oportunidade única para estes jovens conhecerem duas das mais importantes capitais do mundo. Desta vez, a função de guia turístico coube ao chefe Maurício.

No período de 27 de julho a 7 de agosto de 2011, a Suécia sediou o 22º. Jamboree Mundial, em Kristianstad e o Chama Farroupilha preparou uma delegação composta pelo Chefe Maurício Volkweis, pelos escoteiros Otávio Delavi Carvalho, Pedro Delavi Carvalho, Anderson da Rosa Gonçalves e Henrique Tavares Schubert e os pioneiros e integrantes da Equipe Internacional de Serviço Letícia Teixeira Lopes, Tibério Kober, Rafael Conzatti Umann e Rodolfo Itamar Viacava. Por sugestão minha, nossa tropa se chamou Lino Schiefferdecker e era a Tropa 8 do Contingente do Brasil, chefiada por mim e tendo como assistentes os chefes Daniel José Vacaro, Mônica Ayete e Manuela Kanan. O contingente gaúcho foi liderado pelo chefe Osni Rosenhein. Transcorremos sem intercorrências e o programa do jamboreee estava bem satisfatório, sendo um dos jamborees mais tranquilos e calmos de que participei. Após o evento, nosso grupo permaneceu dois dias em Copenhagen e outros quatro em Barcelona onde novamente as funções de guia turístico couberam ao chefe Maurício Volkweis.

Discutindo a progressão dos jovens

Uma vez, debatendo via e-mail com o chefe sênior de nosso grupo sobre as dificuldades de estimular os jovens a assumirem seu próprio desenvolvimento, chegamos no seguinte texto, resultado das trocas de e-mails:

Sobre as etapas de progressão tenho algumas idéias. Primeiro que nem todos as realmente farão porque não é isto que os atrai no escotismo. Alguns vem pelas amizades e clima fraternal, outros pelas atividades externas e pelo campismo, outros pelas disputas entre grupos (patrulhas) e outros despertam para a progressão pessoal e buscam conquistar etapas que podem ser mostradas aos demais. O bom seria se todos os jovens tivessem toda esta lista de interesses, mas não é assim. Todavia, pelo menos alguns da tropa devem buscar a progressão formal, seguindo o sistema de etapas.

Não podemos esquecer que BP era militar e foi dai que nasceu a idéia de distinguir os jovens com insígnias para usar no uniforme, como os militares fazem e em inglês a palavra é a mesma para insígnias escoteiras ou militares (badge). Mas isto mexe com a vaidade das pessoas, porque a conquista fica evidente para que todos observem e por isso que dá certo. Seguindo esta linha militar, pode-se “promover” o jovem como no exército. Por mérito e distinção, ou seja, fazendo as etapas de classe, ou por tempo de serviço, tipo o sênior com 17 anos recebe a Eficiência I compulsoriamente (só falta um ano para deixar a tropa). Isto diferencia os mais velhos e tenta motivá-los mais uma vez a buscar as etapas. Educação para a vida. Com certeza quem está no ramo sênior deste os 15 tem conhecimento para satisfazer todas as etapas da Eficiência I mas não despertou para a conquista do distintivo em si.

Outro ponto, para jovens em diferentes níveis de formação, BP sugere o sistema de patrulhas, aplicado de maneira que o monitor ou o sub monitor deêm as instruções que eles já dominam e determinadas pelo chefe aos mais jovens enquanto o chefe trabalha com o monitor ou sub que está sobrando, oferecendo formação de acordo com o nível que ele está e que no futuro ele poderá novamente repassar aos mais jovens. Algo tipo o chefe ensina o monitor (ou sub ou ambos) e o monitor (ou sub) ensina a patrulha. Penso também que o enfoque para as conquistas das etapas deve ser focado “no que falta para tu ter o distintivo”. Fica mais objetivo para o jovem se a coisa funcionar na base da eliminação.

Existe uma série de textos chamadas de Opiniões de Delta. Se alguém conhece pula este parágrafo. São textos escritos na forma de histórias ou diálogos entre Delta e seus escoteiros ou assistentes. Delta é um escotista experiente, com muita vivência, que apresenta sugestões para as diferentes situações vividas pela tropa. Os textos são antigos, foram traduzidos para o português pelo Dr. João Ribeiro dos Santos nos anos 60 (o médico carioca que dá nome ao Campo Escola do Saint Hilaire, e que por sinal foi quem introduziu o ramo sênior no Brasil, mas isto é outra história). Um dos textos chama-se a Ordem dos Botões Azuis, ou algo parecido, onde eles criam uma distinção na tropa que só quem tivesse um conjunto de coisas poderia usar, tipo evolução nas etapas de progressão, frequencia, apresentação do uniforme, etc. Pode-se pensar em algo semelhante para a tropa. Por exemplo, um anel de lenço especial, que só exista 1 (tenho algumas peças raras e posso emprestar) que o Sênior modelo tem o direito de usar por um período determinado de tempo até a próxima avaliação quando deverá passar ao próximo que conquistou o direito.

Outro tempero que pode ser usado é a preferência para ser monitor ou sub para quem é mais adestrado. Tipo na eleição para monitor da patrulha, quem é investido e recebe um voto tem peso 2, quem tem eficiência I aquele voto vale por 3, quem tem eficiência II, aquele voto recebido vale 4. Todos gostam do poder e se o adestramento for um atalho, muitos vão se interessar.

BP também fundamentou muito do trabalho da tropa na Corte de Honra. Por quê ? Entendo que primeiro porque preserva o chefe, uma vez que o monitor e sub discutem com a patrulha, o stress é deles. Depois, o chefe houve as idéias, debate quando solicitado, mas sempre expõem seu ponto de vista e deixa os jovens decidir em um pequeno grupo. É muito mais fácil de lidar com poucos jovens em um ambiente calmo. Eles já fizeram o trabalho braçal de ouvir a tropa.

Havendo necessidade de mais chefes para dividir a tropa sênior durante o programa, sempre podemos ajudar. No seguinte modelo: “Preciso de uma instrução de regras de segurança para machadinha de 15 minutos para aspirantes”, ou “me aplica o jogo quebra-gelo” ou “história do escotismo” ou “instrução de bandeira” ou etc. Ele me alcança os escoteiros que vão receber a instrução e enquanto eu falo ele desenvolve outros conteúdos com os demais. Esse rodízio costuma ajudar bastante e por isso que sempre procuro falar sobre a minha agenda, para que as demais seções possam saber quando podem contar comigo.

Sobre aquele sênior que disse que fez jornada quando escoteiro, ele já deu a resposta, era uma jornada de escoteiro. Agora ele precisa fazer uma jornada de SÊNIOR. No meu ponto de vista, recebe somente orientações sobre o ponto de chegada e ele deve descobrir que trajeto seguir e ao final entregar o croqui detalhado (mapa) do trajeto que fez como uma das tarefas da jornada.

A fundação do Chama Farroupilha 183 RS

 

Junto com o GE Jacui, ao fundo o futuro Cantegril Clube

A Fundação

  A foto mostra o retorno do primeiro acampamento junto com GE Jacui, ao fundo o futuro Cantegril Clube, 1985.

          A primeira vez que escoteiros estiveram em Triunfo foi provavelmente em 1945, quando ocorreu o Acampamento de Férias dos escoteiros de Porto Alegre, segundo relatado na página 13 do Relatório da Comissão Executiva Regional, de 22 de março de 1958. Ao apresentar uma breve biografia do chefe Isaac Bauler, o Relatório destaca que em 1944 ele assumiu o cargo de Comissário Administrativo da Federação Riograndense dos Escoteiros de Terra (FRGET) e dirigiu este acampamento, não oferecendo maiores detalhes. Ao longo das décadas de 1960, 1970 e 1980 alguns jovens de Triunfo foram escoteiros em outras cidades, principalmente no Grupo Escoteiro Carajás em São Jerônimo, mas até então nunca houve um grupo na cidade.

O movimento de pessoas para a fundação de um grupo de escoteiros em Triunfo tomou força verdadeira em 1985. É deste ano a primeira ata existente, documentando a reunião de um grupo de pessoas da comunidade no salão paroquial da Igreja do Nosso Senhor Bom Jesus. Não haveria local mais apropriado, pois desde1754 aIgreja Matriz assiste o que acontece em Triunfo.

A reunião aconteceu no dia 16 de abril, a convite de Sílvio Machado Felten, carinhosamente conhecido por Sivica. Coordenados pela chefia do Grupo Escoteiro Jacuí 33 RS, de Charqueadas, foi escolhida a primeira diretoria, tendo como Diretor-Presidente o próprio Sivica; Vice-diretor, João André Castro; Diretora-Administrativa, Estela Galarça Radin; Vice Diretor-Administrativo, Darlan Rocha Lopes; Diretora-financeira, Dalva Maria de Souza Ferreira; Vice Diretor-Financeiro, Antônio Édson Oliveira.

A esta comissão, segundo a ata, coube a tarefa de “iniciar a estruturação e formação do grupo escoteiro pretendido”.

A segunda reunião ocorreu no dia 30 de abril daquele ano, no mesmo local e presidida pelo Sivica, tendo como pauta a escolha do nome e cores do grupo, da primeira chefia e as datas para os cursos de chefe, que seriam realizados em Triunfo, pela então Equipe Regional de Adestradores.

Foi escolhido por votação o nome “Chama Farroupilha” porque era o ano do sesquicentenário da Revolução Farroupilha e, diga-se de passagem, o estado inteiro do Rio Grande do Sul estava envolvido e motivado com o fato. Para as cores do grupo, também por votação, foram escolhidas o vermelho, o verde e o amarelo, por serem as cores da bandeira Riograndense. Como símbolo, foi definida uma tocha, representando a chama dos farroupilhas.

Para a chefia do grupo foram elencados os nomes de Saulo Ernani Radin, Carlos Alberto Rocha Sandri, Sérgio Carvalho, Leandro Flores, Achiles Goldani Netto, Elair Niederauer e Maria Helena Castro. Para as datas do Curso Preliminar e Curso Técnico, ficaram reservadas as datas de 19 e 20 de outubro de 1985.

Segundo registros posteriores, este curso foi ministrado pela equipe formada pelos chefes Alceu S. Machado, Iolanda Magalhães Bina, Arildo Pegoraro Rego e Olívia Nogueira, entre outros.

O Grupo Escoteiro Chama Farroupilha obteve “Autorização provisória para iniciar um grupo escoteiro”, sob a direção de Aderbal Ilha, do Grupo Escoteiro Jacuí, em 11 de dezembro de 1985, assinada pelo Comissário Distrital do 27º. Distrito Escoteiro, Jorge Luiz Wolff.

 O primeiro acampamento foi realizado antes da primeira promessa, no Cantegril Clube, sob a liderança do grupo escoteiro Jacuí, de Charqueadas. Na época, a rua de acesso ao clube não estava calçada ainda e nem o clube apresentava o pórtico de entrada, era somente uma porteira.