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Acampamento da Chama Crioula

     Nos dias 10 e 11 de setembro de 2016, o Grupo Escoteiro Chama Farroupilha 183 realizou em Triunfo um acampamento para guarda e ronda da chama crioula, simbolo da Semana Farroupilha, centelha que representa as tradições e orgulho do povo gaúcho. Este ano, a chama crioula foi gerada em Triunfo, na Ilha do Fanfa, palco de um dos combates da Revolução Farroupilha, que também foi escolhida há 28 anos atrás para emprestar seu nome para uma  patrulha sênior do Chama Farroupilha.

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     Contamos com a visita de uma patrulha de escoteiros do Grupo Escoteiro Charruas, de Porto Alegre e uma patrulha de seniores e guias do Grupo Escoteiro Jacuí, de Charqueadas, município vizinho também na região Carbonífera. A presença destes grupos abrilhantou a atividade e proporcionou excelente confraternização e a oportunidade de nossos jovens terem contato com escoteiros de outros lugares e grupos.

     O evento foi realizado no Parque Camboatá, mesmo local que há 30 anos foi realizada a primeira promessa do Chama Farroupilha. Este parque, que antigamente era palco de grandes eventos da comunidade Triunfense, como o Rodeio, o festival musical Escaramuça da Canção Gaudéria, Feira de Artesanato, Triunfo em Festa, etc, também já sediou um evento regional do ramo lobinho, o II AGAARS (Acantonamento Geral das Alcateias Amigas do Rio Grande do Sul), oferece uma excelente estrutura de acampamento remanescente daquela época.

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     Foi uma atividade maravilhosa, onde as condições climáticas estavam perfeitas, tudo concorrendo para o sucesso do evento.

     Ao final, o Clã Pioneiro Chama Farroupilha foi homenageado pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (M.T.G.), órgão oficial que controla e orienta a prática e o culto as tradições riograndenses, com o pin dos 50 anos desta entidade pelos serviços prestados durante a recepção das delegações de diferentes municípios a Triunfo, em agosto, com visita guiada aos prédio históricos da cidade.

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Clã Chama Farroupilha no momento do agradecimento recebido do M.T.G. (Movimento Tradicionalista Gaúcho)

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Pin dos 50 anos do MTG, entregue a cada um dos membros do Clã Pioneiro Chama Farroupilha.

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Distintivo da atividade

 

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Abelhas do Fábio, uma colmeia de vidro

No interior de Triunfo, RS, o amigo Fábio Haussen Pereira Jr., médico veterinário, mantém uma aprazível propriedade, com mata nativa e próxima a um arroio. Seu filho, Bruno Dornelles Pereira é escoteiro há muitos anos, atualmente é chefe na Tropa Escoteira do Chama Farroupilha. Então, o sítio se tornou um dos locais de acampamento tradicionais do grupo.

Por alguns anos, o Fábio desenvolveu a atividade de apicultor e a base do apiário era justamente nesta propriedade, onde ficavam os equipamentos necessários.

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A foto acima mostra o Chama Farroupilha em um acampamento de grupo na referida propriedade, em 2010.

Abaixo, o próprio Bruno Dornelles Pereira se banhando no arroio, motivo pelo qual realizamos estes acampamentos no verão.

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Existe lá uma casa antiga, que é a sede da fazenda e antiga morada da família que construiu a propriedade há muitos anos atrás. No acampamento do grupo em 2010, tivemos uma surpresa muito interessante. A casa tem três quartos lado a lado, na janela do quarto do meio, havia uma colméia instalada, entre o tampão externo e a folha com vidros. Isto permitia observar as abelhas trabalhando.

Previamente ao nosso acampamento, o Fábio teve o cuidado de parafusar a janela, evitando sua abertura acidental e permitindo a visualização com segurança.

Abaixo, uma vista geral da janela, quando menos da metade do espaço disponível era ocupado pelas abelhas.

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A seguir, a janela observada mais de perto:

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Detalhe do vidro do meio, onde se observam os favos e a intensa atividade das abelhas.

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Close do vidro mais inferior, espaço para onde a colmeia irá se expandir.

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Imagem ainda mais aproximada do vidro do meio, onde o reflexo interferiu na qualidade da foto, mas mesmo assim é possível observar o detalhe dos favos abertos, sendo preenchidos com mel.

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Em 2013, o Chama Farroupilha retorna ao local para lá realizar mais uma vez seu acampamento de fim de ano com todo o grupo. Havia se passado três anos de nossa última atividade naquele lugar.

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E as abelhas? Bem, a colmeia havia aumentado consideravelmente. Impossível deixar de lembrar das histórias de Agnes Baden-Powell que mantinha uma colmeia em recipientes de vidro, dentro de casa, em uma das salas da residência onde morava com sua mãe, Mrs Henrietta Baden-Powell. Suas abelhas produziam um mel que foi mais de uma vez premiado em competições na Inglaterra¹.

Agora, os dois lados da janela são ocupados pelas abelhas:

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Detalhe do vidro inferior, lado direito, porção que em 2010 estava vazia, com abelhas mas sem favos, e agora completamente tomada.

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Close da mesma região anterior, vidro inferior esquerdo, onde se observa os favos fixados no próprio vidro.

A diversão é procurar a abelha-rainha, mas ninguém foi capaz de identificá-la.

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A seguir, o vidro superior do lado esquerdo, grande quantidade de favos, movimentação muito intensa. É possível ficar horas e mais horas contemplando o trabalho. Acender a lâmpada do quarto parece em nada interferir no trabalho. Curiosamente, a movimentação das abelhas dentro da colmeia é lenta, bem diferente da velocidade em que se observam as abelhas na rua, em seu trabalho externo.

Em um primeiro momento, a sensação é de apreensão, para não disser medo. Depois de alguns instantes, e com a percepção de que não se pode abrir a janela porque está parafusada, vem os sentimentos de surpresa, admiração e curiosidade.

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Vidro inferior do lado esquerdo, um dos poucos lugares onde há espaço vazio. Notar a forma irregular dos favos, que neste ponto estão sendo construídos de baixo para cima.

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Lado externo da casa, onde se observa a janela-colmeia. O movimento de entrada e saída das abelhas é grande e uma planta ajuda a camuflar o local.

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Nesta fresta entre o tampão e o marco da janela é a porta de entrada para a colmeia. O movimento é muito intenso.

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Da série curiosidades da natureza …

1 – The First Girl Guide, The Story of Agnes Baden-Powell, Gardner, H.D., Amberley Publishing, England, 192p., 2010.

Livro PUBLICADO!!! The book is on the table!

Caros amigos, é com muita alegria e satisfação que podemos anunciar que o Livro está pronto!! CHAMA FARROUPILHA 183 RS, 25 ANOS DE HISTÓRIA, está impresso e entregue.

Pessoalmente, achei o livro muito bonito. A CORAG fez um trabalho gráfico excelente, uma impressão com muita qualidade e penso que a escolha pela maioria da versão colorida foi acertada. Na imagem abaixo vemos parte do capítulo que fala da primeira promessa e fundação do grupo em 1 de maio de 1986 e a foto da primeira promessa da alcatéia, ocorrida em outubro do mesmo ano.

São muitos personagens que compõem esta história, onde buscamos destacar os fatos mais relevantes ou a primeira vez que algum evento ou realização aconteceu no grupo. Também contamos as experiências dos 8 jamborees que o grupo participou, de 5 anos consecutivos como Padrão Ouro dos Escoteiros do Brasil e muitas histórias divertidas envolvendo os jovens.

Quase 200 páginas e mais de 90 ilustrações descrevem um pouco da história do escotismo no Brasil, visto sob o ponto de vista de um grupo escoteiro, localizado em uma comunidade pequena e as suas relações com as pessoas do lugar, contando como se deu esta construção e quem foram as pessoas que abriram este caminho.

Estamos preparando um momento especial para apresentar a obra, que certamente ocorrerá no mês de novembro. Neste lançamento, entregaremos os exemplares para os colaboradores do projeto que ajudaram financeiramente e puderem estar presentes, em um momento de confraternização e agradecimento. Foram 89 colaboradores que ajudaram na execução deste projeto.

Como a edição está toda paga, os demais exemplares serão vendidos e o dinheiro revertido para o Grupo Escoteiro Chama Farroupilha, tornando-se em uma valiosa contribuição para o grupo, que planeja ampliar a sede.

Obrigado a todos!

Faca Escoteira

Um dos principais utensílios escoteiros quando em atividades de campo é a faca. Utilizada na cozinha para o preparo dos alimentos, é também uma importante ferramenta para a construção de todas as facilidades de um acampamento escoteiro.

Muitos são os modelos utilizados, de aço carbono, aço inox, laminadas, forjadas, com diferentes feitios de lâminas e cabos. A maioria dos modelos inspirados nos fabricantes da cidade alemã de Solingen. Cabe aqui um breve comentário para aqueles menos ambientados a cutelaria internacional. Particularmente no Rio Grande do Sul, se ouve a expressão “faca solingen” como se isso fosse uma marca ou modelo. Contudo, esta é uma “Denominação de Origem – DO”, assim como Champagne ou Vale dos Vinhedos, recentemente conquistada. Portanto, se refere a uma cidade na Alemanha, que abriga mais de 100 fábricas ativas e que produz cutelaria há mais de 900 anos. Vide o mapa abaixo para o localização da região.

Solingen

Todo o colecionador de facas conhece a história desta cidade, assim como de Toledo, na Espanha, e de Sheffield, na Inglaterra, que foram os três grandes centros cuteleiros europeus quando as guerras eram dependentes das espadas e baionetas. Forneciam armas para todo o planeta, armando inclusive o exército brasileiro durante o século 19 e parte do século 20 . Derivando da indústria bélica, ocorreu a produção de ferramentas e utensílios em geral.

Brazão da cidade de Solingen

Fonte: Carter, Anthony. The Swords and Knife makers of Germany 1850-2000, volume I, pg 13, 2001, Ed Tharston Press.

A gravura acima é uma reprodução do catálogo da fábrica Backhaus, de 1920, com modelos de facas esportivas, usadas para caça e acampamento. Em franca atividade e produzindo cutelaria fina internacional, dentre outras, destacam-se a Friedrich Herder, com marca registrada desde 1727, mas produzindo desde antes disso; J.A. Henckels, fundada em 1731; Carl Eickhorn, desde 1865; Kirschbaum & Weyersberg (uma família que fez muitos prefeitos de Solingen), duas empresas distintas que se uniram em 1883; Heinrich Böker; Puma; para citar as mais tradicionais.

No Brasil, houve um modelo de faca que foi preferido pelos escoteiros durante muitos anos, conforme atestam alguns chefes mais antigos e segundo nos relata o colecionador Laércio Gazinhato: (http://www.knifeco.ppg.br/mundial.htm)

“Modelo de Escoteiros: Provavelmente manufaturada entre 1974 e 1975, já mostra o espigão preso no pomo por pino passante de alumínio. Especialistas da marca afirmam que, embora não-oficial, foi o modelo preferido dos escoteiros brasileiros da época. Por parte do fabricante nunca teve essa denominação ou apelo comercial. Sua lâmina tem 5 polegadas de comprimento, é em aço carbono e ainda apresenta o logotipo grande da Mundial timbrado a ácido numa das faces da lâmina.”

Foto de Laércio Gazinhato

“Posteriormente, no início dos anos 80, um modelo similar com lâmina 1/8″ maior e em aço inoxidável foi lançado, certa e igualmente também cativando a atenção de grupos nacionais de escoteiros. Este tinha timbrado na lâmina um distico redondo informando que se tratava de aço inoxidável cromo-molibdênio.”

“O Início do Plástico: A partir de 1972, a Mundial passou a usar material plástico na empunhadura de suas facas esportivas. Isto ocorreu em todos os modelos e dois anos depois, em 1974, a empresa mudaria o sistema de fixação do espigão de suas lâminas, passando de uma cupilha em latão, inserida e rosqueada no pomo, para um pino passante de alumínio. Portanto, esta faca com lâmina de 6 ¼ polegadas em aço carbono só pode ter sido manufaturada entre 1972 e 1974. Além de apresentar empunhadura em plástico mas com “espigão” preso por cupilha, sua bainha é absolutamente incomum, mostrando traços de modernidade no prendedor (cujo tipo é raramente visto), mas ainda com painel pirografado. O logotipo grande foi timbrado em facas esportivas da Mundial até 1975.”

Curiosamente, o P.O.R. vigente na década de 1970’s, na regra 13-14, estabelecia o uso da faca como equipamento e ainda definia a “Faca Tipo Escoteiro”, sem, porém, descrevê-la. Apenas dizia que deveria ter uma bainha de couro e ser usada presa na cintura, conforme se pode ler abaixo. Restringia seu uso para os escoteiros de Segunda Classe (etapa de progressão da época), certamente porque as regras de segurança para ferramentas de corte faziam parte deste momento da formação.

O manual para os escoteiros nesta época eram os três guias do Chefe Floriano de Paula, dedicados ao Escoteiro Noviço, de Segunda Classe e de Primeira Classe. Abaixo temos a capa do guia e as páginas 74 e 75 onde este assunto é tratado. Reparem a ressalva de ser um instrumento de trabalho e que não deveria ser usado para ostentação.

Neste mesmo período, a Tramontina passa a fabricar um modelo concorrente muito semelhante, porém em aço inox com 5 polegadas de lâmina, cabo também de plástico e alumínio mimetizando chifre de cervo, e que também foi muito utilizado pelos escoteiros, conforme foto abaixo. Este modelo é do início dos anos 1970’s.

Este outro exemplar, também da Tramontina e com 5 polegadas de lâmina, foi produzido em 1981 e obedecia as mesmas características. Teve o cabo original substituído em 2005 devido a danos irreparáveis que o plástico sofreu. Este cabo customizado foi produzido com chifre bovino e anéis de jacarandá.

Outros modelos que apareceram neste período foram de facas maiores, com 7,5 polegadas de lâmina, de aço carbono, com múltiplas funções acopladas na lâmina e cabo, tais como abridor de garrafa, saca-rolha, chave de arame e sacador de cartuchos de arma de fogo. Um modelo direcionado a caçadores mas que foi muito útil aos escoteiros, especialmente pela robustes, resistência e múltiplas funções. Uma faca que poderia ser usada na cozinha, mas também admitia serviços mais pesados, como cortar galhos e taquaras. O modelo abaixo é um destes exemplares Tramontina, de aço carbono, com cabo de plástico e detalhe do extrator de munição na segunda foto, produzida em meados da década de 1960.

Assim como para os caçadores, houve outro modelo da Tramontina direcionado aos pescadores, que era a faca Praiana. De aço inox, também com 7,5 polegadas de comprimento da lâmina, cabo plástico e acessórios no dorso da lâmina, que neste modelo incluia um descamador de peixes.

Já nos anos 1990’s este modelo em aço inox era produzido sem a mesma resistência e robustez dos modelos anteriores. Foram mantidas as características de apresentação da peça, mas elas não admitiam mais serviço pesado, mesmo porque o inox não tem as características de resistência ao impacto que o aço carbono demonstra.

Então, um conjunto misto foi apresentado, incluindo duas peças com formato Bowie: Uma pequena, de aço inox, com 4 polegadas de comprimento e múltiplas funções e outra grande, como um pequeno facão mas de dorso bastante largo, de aço carbono, pesada, acomodadas em uma mesma bainha de nylon, sendo, dessa forma, carregadas juntas.

Portanto, não existe um modelo genuinamente escoteiro, ou que possa ser comprovado como tal, mas ao longo do tempo, sempre houve alguns modelos mais adequados a prática escoteira e preferido pelos acampadores. Concluímos com o raciocínio de Abel A. Domenech em sua excelente obra “Dagas de Plata” (1 ed, pg 36-37, 2005) ao definir o Cuchillo Criollo (faca crioula, a faca do gaucho como habitante da pampa sem fronteiras, envolvendo o Brasil, o Uruguai e a Argentina) que descreve: “Como definir quando Rosas, um verdadeiro gaúcho, utilizou uma Bowie inglesa e até uma faca de Albacete? Como definir, depois de descobrir nos pagos de Areco, um Kandjar de Joseph Rodgers (cutelaria mais importante de Sheffield), que um paisano levava para realizar mil tarefas campeiras. Todos foram facas criolas, e ao mesmo tempo não foram, pelo menos na sua forma tradicional. Mas serviram fiel e eficientemente aos seus donos.”

V Jamboree Nacional, presença do Chama Farroupilha

Vista Panorâmica do Acampamento

Durante os dias 15 a 20 de julho aconteceu no Rio de Janeiro o V Jamboree Nacional Escoteiro. Um grande acampamento de confraternização e muito aprendizado para os escoteiros do Brasil. Estiveram presentes aproximadamente 5000 pessoas, provenientes de todas as regiões do país, além de alguns representantes estrangeiros.

Ao longo destes dias, além de conhecer um pouco da Cidade Maravilhosa, os jovens puderam participar de muitas oficinas sobre temas variados destacando a sustentabilidade ambiental, compreensão das diferenças físicas e culturais, artesanato, diversas tecnologias, jogos da nossa gente e tantas outras.

O Grupo Escoteiro Chama Farroupilha 183 RS enviou um contingente de 29 pessoas, sua maior delegação para um jamboree, sendo que o grupo já participou de oito eventos desta natureza. Eram 18 escoteiros (jovens de 11 a 14 anos), 6 sêniores (jovens de 15 a 17 anos), 3 chefes nas tropas com os jovens e duas chefes na Equipe de Serviço do próprio Jamboree, contribuindo para a realização do evento.

Contingente no Aeroporto Salgado Filho aguardando o embarque

 

 

Praia de Grumari – tempo feio, praia linda

 

SIGUE, a vivência de um grupo escoteiro

           A experiência de utilizar o SIGUE, sistema de informações desenvolvido pela União dos Escoteiros do Brasil (UEB), para gestão dos grupos escoteiros, é uma das mais emocionantes possível. Esta ferramenta é um verdadeiro presente para as unidades escoteiras e a razão deste entusiasmo nasce na época em que toda a administração da seção e do grupo era na base do papel.

            Há poucos anos atrás era impossível pensar em ter acesso a base de informações do grupo escoteiro em qualquer lugar e a qualquer hora. Usualmente isto só poderia ser feito na sede do grupo e resultava em um volume significativo de papel que necessitava ser eternamente arquivado. Parece, aos chefes e dirigentes, algo óbvio, mas converse com chefes ou dirigentes novos, que entraram para o escotismo após a implantação do Sigue e conte a eles como era a vida na época da Ficha 120 e da 121 para adultos. Eles simplesmente não acreditam. Não crêem que era necessário escrever vinte, trinta vezes, a mesma frase em cada ficha individual, para cada atividade. Parecia castigo escolar do tempo antigo. Sem falar na dificuldade de utilizar e manter atualizados os pequenos e confusos campos da ficha 121. O resultado era a grande maioria de escotistas sem fichas pessoais, com sua história ficando perdida. Abaixo estão exemplos destas fichas, com modelos da década de 1990’s.

Ficha 120 dos anos 1990's

 

Ficha 121 dos anos 1990's

            É sabido que alguns grupos desenvolveram bancos de dados para usar o computador ao invés do serviço braçal, mas um sistema oficial, acessível a todos, é, talvez, o maior avanço administrativo de toda a história da UEB. Além disso, permite ao órgão central registrar e contabilizar tudo que é feito no país. Imagine um relatório ou alguma forma de divulgação do escotismo afirmando que em determinado ano, no Brasil, houve 5 mil acampamentos escoteiros, realizados pelos grupos, por exemplo. Hoje, qualquer informação desta natureza poderá ser gerada no Sigue, englobando todo o território nacional e oferecendo uma visão de tudo o que fizemos no país. Será possível contabilizar tudo o que o escotismo brasileiro produz.

            Outra inegável qualidade do sistema é o arquivo fotográfico que é formado, permitindo acesso a todos os participantes do evento. Com as devidas proporções, quase um Facebook escoteiro. Recentemente, a incorporação da avaliação das atividades do Troféu Grupo Padrão através do Sigue também representou um excelente avanço, reduzindo o trabalho e a duplicidade de informações e relatórios. Certamente logo os Mutirões Nacionais Escoteiros de Ação Ecológica e de Ação Comunitária seguirão o mesmo caminho.

            Após o período de implantação e aprendizado do sistema, experimentamos uma fase de neurose de dados, com a necessidade de lançar a maior quantidade possível de informações pregressas, o que resultou no resgate da memória do grupo. Fantástico. Um efeito colateral inesperado, mas muito benéfico, pois os livros e fichas estavam se deteriorando, todavia precisavam ser preservados e recuperados porque para aqueles membros que no passado faziam parte do grupo não podem ser incluídas novas informações, uma vez que a base de participantes é o registro escoteiro atual e isto nos parece também muito correto. Neste ponto aparece outro benefício, o combate a evasão, que desta vez é por uma vontade enorme do jovem em ter acesso as suas informações. Isto facilitou a vida nos grupos, pois naturalmente aumentou o interesse de cada um em registrar-se.

            Mas a riqueza do sistema está justamente em utilizá-lo em sua plenitude e não apenas para o registro escoteiro e inscrições em eventos. Percebemos que quanto mais o implantamos, mais necessitamos dele e mais facilidades e benefícios são descobertos. Até os chefes mais refratários acabam se rendendo ao sistema e gostando muito. Por isso, a preocupação dos chefes e dirigentes do grupo em abastecer de forma correta e abundante o programa é fundamental para o sucesso.

            Naturalmente, as chefias começaram a sofrer esta pressão dos jovens, pois se consultam o Sigue Jovem e encontram seus dados desatualizados, já na próxima reunião questionam sobre o assunto.

            Acreditamos que podemos avançar mais, justamente para motivar os adultos a lançar dados no Sigue. A exemplo do que o CNPq desenvolveu no meio científico, criando uma base de currículos dos pesquisadores brasileiros, conhecida como Plataforma Lattes (http://lattes.cnpq.br), talvez fosse possível oferecer consulta pública ao sistema para os currículos escoteiros dos adultos. O currículo Lattes permite visualizar a vida acadêmica do profissional, sem que dados pessoais ou de identificação tais como endereços, telefones, CPF’s, exceto o nome, sejam mostrados, utilizando uma ferramenta de busca individual. Assim, seria viável a qualquer pai pesquisar a Ficha 120, ou parte dela, dos chefes ao qual está confiando seu filho. Haveria mais transparência e um cuidado maior na atualização dos dados.

            Concluímos afirmando que este sistema é estimulante, muitíssimo útil e seus idealizadores e desenvolvedores merecem o reconhecimento de todos nós que utilizamos o mecanismo, sem dúvida, um grande progresso para todos.

The Flash – Acampamentos

             Idéia passada pelo Chefe Ernesto Roth de eventualmente realizar-se acampamentos surpresas, onde os jovens chegam desavisadamente para a reunião no sábado e são comunicados que haverá um acampamento, devendo estar com tudo pronto em duas horas. Usualmente o anúncio é feito por cartas-prego entregues na cerimônia de bandeira, no início da reunião. Obviamente, grupos escoteiros localizados em grandes centros urbanos talvez não possam desenvolver este tipo de atividade, por diferentes motivos impostos pelas grandes cidades.

           A carta-prego contém as instruções básicas, como horários de chegada e saída, autorizações e local, que deverá ser próximo, dadas as particularidades do evento. Também recomendamos que pelo menos os monitores tenham boa experiência de acampamento, caso contrário a atividade pode ser frustante. Em outras palavras, recomendamos escolher um momento adequado para a aplicação, quando a chefia percebe uma boa dinâmica em acampamentos anteriores e pode presentear a tropa com um acampamento extra que não consta no calendário. Decididamente, não recomendamos para tropas novas. Outro ponto a salientar é que o planejamento desta atividade é ainda mais trabalhoso que de acampamentos normais, exigindo ainda mais dedicação da chefia para que tudo transcorra bem e sem surpresas para os chefes.

            O objetivo é criar um clima de expectativa constante, do tipo “esteja preparado” (Be prepared).  Resolvemos adotar a idéia e hoje é uma tradição na tropa de escoteiros do grupo e as vezes empregada na tropa sênior. Não mais que uma vez por ano é realizado um acampamento The Flash para não virar rotina. Já aconteceu de meninos não estarem na reunião e aparecerem para o acampamento, duas horas depois do anúncio.

            Este nome surgiu da idéia de algo moderno, que traduzisse a idéia fundamental da coisa, que é resolver as situações no menor tempo possível, exigindo planejamento instantâneo. Quando aplicamos a idéia pela primeira vez, estava entrando em cartaz o filme The Flash, sobre o super-herói que tem a velocidade da luz e adotamos o nome.

            Aqui um pouco de história do GE Chama Farroupilha, para preservar a memória: O primeiro The Flash foi em 27 e 28 de março de 1993, na Granja das Figueiras, em Triunfo,  e além dos chefes Mauricio Volkweis e Mateus Freitas, estavam os escoteiros da patrulha Leão, Daniel Campos de Souza, Vinícius da Cruz de Paula, José Mário Marques Arbiza, Elzo Giacomelli Júnior; da patrulha Lobo estavam Marcelo Odorizi, Rafael Costa, Welkson Dalbem Stropper, Vagner Pinheiro Machado e Ingo Barros; Patrulha Águia representada por Geleovir Freitas, Willyann Dalbem Stropper, Diego Garcia Kundzin, Vinicius Lima Goldani e Guilherme Galarça Radin.

             Algumas variações também foram feitas, como o 4º. The Flash que foi um acantonamento e o 5º. The Flash, em 10 de julho de 1999, que foi somente um jantar, mas sempre seguindo os dois fundamentos básicos desta atividade que são a surpresa, portanto o segredo entre os adultos é obrigatório, e a exigência de planejamento rápido das patrulhas. O último foi realizado em novembro de 2011.

Grupos escoteiros irmãos

O Grupo Escoteiro Jacuí, de Charqueadas, é o grupo padrinho do Chama Farroupilha, as atividades escoteiras iniciaram em Triunfo em 1985, coordenadas pela chefia daquele grupo, conforme já citado. Durante algum tempo, as atividades de campo foram conjuntas, vide relatos posteriores do Acampamento Farroupilha, e após a fundação, o então Comissário Distrital, Jorge Luiz Wolff, pertencia ao Jacuí. Na sequência, foram realizados periodicamente os chamados Cursos de Monitores com jovens de ambos os grupos e o último deles foi há mais de dez anos e contou com a presença também dos Carajás, sendo promovido no Iate Clube, em Charqueadas.

No ano de 2008, o Jacuí nos presenteou com a Família Krause. Uma família escoteira inteira, formada por pai, mãe, uma filha e um filho. José Carlos Krause Lopes assumiu a chefia da Tropa Sênior logo após a mudança do Chefe Lucas Meister para Caibaté. Berenice Teixeira Lopes passou a ser a Kaa da alcatéia, Alexandre Teixeira Lopes e Letícia Teixeira Lopes, membros juvenis. Todos são pessoas muito motivadas e dedicadas, que colaboram de forma incansável com o escotismo e contribuem muito para o progresso do Chama Farroupilha. Uma família digna de admiração. A chegada deles foi exatamente quando o grupo escoteiro ficaria fragilizado, pois a filha mais velha do chefe Maurício havia recém-nascido, exigindo seu afastamento temporário e menos dedicação ao grupo e o Chefe Lucas estava de mudança. Mas nada ocorre por acaso e com eles o grupo manteve o pique, ânimo e motivação, melhorando muito na organização.

Com o envolvimento em cursos e em eventos escoteiros maiores, surgiu uma forte relação com outros grupos escoteiros, particularmente com o G.E. Jean de Lery, de Estância Velha e o Inhanduí, de Canoas. A relação começou quando foram colegas de cursos o Maurício Volkweis, o Fabiano André Trein e o Guilherme Raymundo, chefes de tropa de escoteiros, respectivamente, do Chama Farroupilha, Jean de Lery e do Inhanduí. Fizemos juntos o Curso Técnico do Ramo Escoteiro (o extinto CTR), o Curso Básico e a parte de campo do Curso Avançado. A amizade formada por estes três chefes estendeu-se aos grupos.

 Com estes dois grupos, participamos do Jamboree Panamericano da Bolívia, do Acampamento dos 10 anos do Chama Farroupilha e de dois Acampamentos de Aniversário do Jean de Lery. Por outras duas vezes o Inhanduí e o Chama Farroupilha realizaram acampamentos de tropa em Triunfo e em São Jerônimo. Com o Jean de Lery também participamos dos Jamborees Panamericanos da Guatemala e de Foz do Iguaçu, e dos Mundiais do Chile e da Suécia. No Jamboree Mundial da Inglaterra, no centenário do escotismo, onde o Chama Farroupilha foi a maior delegação do Rio Grande do Sul, contamos com a chefia da delegação gaúcha a cargo do chefe Osni Rosenhaim, que é uma grande expressão escoteira do Grupo Jean de Lery.

Mais recentemente, passamos a ter uma relação próxima com o G.E. Arno Friedrich, de Porto Alegre. Nosso primeiro contato foi em 1996 no Jamboree da Guatemala, quando quatro membros do Arno ficaram em nossa tropa, até que anos depois recebemos o Arno em Triunfo para um acampamento e desfile cívico, em 20 e 21 de setembro de 2003, quando acantonamos na sede e acampamos no Camping do Areal. Foi-nos oferecida uma lembrança que está em nosso armário de troféus, sendo uma grande placa em madeira com uma flecha confeccionada em pedra-sabão e madeira pirografada pelo diretor-presidente do grupo na época, o artista plástico e publicitário uruguaio Eduardo Alqueres. Estivemos juntos em diversos Jamborees e contamos com seu apoio na estruturação do clã pioneiro. Tudo fruto da amizade com dois chefes em particular daquele grupo, Márcio Sequeira da Silva e Marlon Benites de Souza.

1º. Torneio Brasileiro de AROBOL

1º. Torneio Brasileiro de Arobol

 Importado da Guatemala, este esporte foi aprendido pelos brasileiros durante o X Jamboree Panamericano, em Muxbal, em 1996. O objeto que faz as vezes de bola é uma correia de motor, daí o nome “arobol”. É jogado por duas equipes com número igual de participantes e o objetivo é acertar o aro em um longo bastão segurado por um dos jogadores, mas que não pode mover-se e se posiciona atrás do time adversário. O jogador de posse do aro não pode dar mais de três passos contínuos, quando deverá passar para alguém da equipe ou tentar o arremesso para o ponto, desde que o meio do campo já tenha sido transposto. No mais, segue regras semelhantes ao handebol ou basquete.

As partidas na Guatemala iniciaram justamente ao lado de nosso canto de patrulha, nos fundos da barraca da chefia, porque ali havia um espaço livre, um campo de chão batido, tapado de poeira. Desnecessário dizer como ficavam nossas barracas com tanto pó. Por conseqüência, nossos escoteiros aprenderam bem as regras. Como nosso subcampo ficava muito distante da arena central do evento, era na porção mais alta do morro, durante o tempo livre, os jovens de todas as tropas muitas vezes preferiam ficar no subcampo jogando a se deslocar até lá.

Um mês após voltarmos do Jamboree guatemalteco organizamos o Acampamento dos 10 anos, para comemorar o aniversário do Chama Farroupilha e dentro da programação do evento estava o Primeiro Torneio Brasileiro de Arobol. Para que não se dê por passado, fica aqui o registro deste fato inédito porque já vimos muitos outros grupos escoteiros praticando o arobol recentemente. Além dos registros fotográficos do evento, as mais de cem pessoas presentes foram testemunhas e disputaram o torneio.

Organizamos quatro quadras simultâneas, os juízes das partidas de cada quadra foram os chefes Maurício Volkweis e Mateus Freitas do Chama Farroupilha, Fabiano Trein do Jean de Lery e Guilherme Raymundo do Inhanduí, sendo este o único dos quatro que não havia aprendido o Arobol diretamente dos guatemaltecos porque não havia participado deste Jamboree. Então, ensinamos previamente as regras a ele para que também pudesse atuar como árbitro em uma das chaves do torneio.

A atividade foi aplicada no ramo escoteiro e cada grupo participou com mais de um time, organizados de acordo com as patrulhas presentes e aconteceu junto ao local de acampamento, no Camping do Areal, no centro de Triunfo, as margens do rio Jacuí, durante à tarde do dia 25 de maio de 1996, das 14 h e 30 min até as 16 h e 30 min. Após 15 anos, o resultado do torneio perdeu-se no tempo, não sabemos mais a classificação das patrulhas participantes.