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DITES – O Retorno

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Após um longo interstício (em torno de 15 anos!), o Grupo Escoteiro Presidente Costa e Silva 110 RS, de Taquarí, voltou a organizar e promover a DITES – Disputa de Técnicas Escoteiras, movimentando o 3º. Distrito Escoteiro do Rio Grande do Sul, durante os dias 01 e 02 de junho de 2013.

Na sua 16ª. edição, foi muito bem liderada pelo escotista Marcos Birck, que foi o primeiro escoteiro Lís de Ouro da história do 3º. Distrito Escoteiro do RS, na década de 1980. Neste retorno, o evento foi oferecido para os ramos escoteiro e sênior. Mantendo a antiga tradição, sempre oferece boa premiação para a patrulha vencedora, que neste ano era uma barraca para o primeiro lugar e lampião para o segundo lugar. Merecem o reconhecimento pela boa atividade escoteira desenvolvida.

Presente, também, o Comissário Distrital Sérgio Allan Senna, que apoiou e participou do evento.

O Grupo Escoteiro Chama Farroupilha concorreu com uma patrulha escoteira, a Morcego. Esta é uma patrulha especial, composta somente para eventos e regularmente é formada pelos monitores e submonitores, correspondendo aos integrantes da Corte-de-Honra. Em dadas circunstâncias, outros membros da tropa podem participar da patrulha.

O Chama Farroupilha 183 foi o primeiro colocado no ramo escoteiro, vencendo a disputa.

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Contingente do Grupo Escoteiro Chama Farroupilha presente ao evento.

Em pé, atrás, da esquerda para a direita: Chefe Mateus Freitas, chefe Maurício Volkweis, João Artur Weiss, Vitor Paz Prates, chefe Tibério Kober e chefe Daniel Franco. Na fila frontal, da esquerda para a direita: Rafaela Vidal Galetto, Paola Zonatto de Oliveira, Fernanda Maia, Leopoldo Martins, Bárbara Dias, Carlos Henrique de Machado, chefe Elvis Sarmento Silva e chefe Rafael Conzatti Umann.

Houva muita chuva durante as horas iniciais do evento. A montagem dos cantos de patrulha e a cerimônia de abertura foram transferidos para o interior do ginásio de esportes, abaixo algumas imagens deste momento.

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Livro PUBLICADO!!! The book is on the table!

Caros amigos, é com muita alegria e satisfação que podemos anunciar que o Livro está pronto!! CHAMA FARROUPILHA 183 RS, 25 ANOS DE HISTÓRIA, está impresso e entregue.

Pessoalmente, achei o livro muito bonito. A CORAG fez um trabalho gráfico excelente, uma impressão com muita qualidade e penso que a escolha pela maioria da versão colorida foi acertada. Na imagem abaixo vemos parte do capítulo que fala da primeira promessa e fundação do grupo em 1 de maio de 1986 e a foto da primeira promessa da alcatéia, ocorrida em outubro do mesmo ano.

São muitos personagens que compõem esta história, onde buscamos destacar os fatos mais relevantes ou a primeira vez que algum evento ou realização aconteceu no grupo. Também contamos as experiências dos 8 jamborees que o grupo participou, de 5 anos consecutivos como Padrão Ouro dos Escoteiros do Brasil e muitas histórias divertidas envolvendo os jovens.

Quase 200 páginas e mais de 90 ilustrações descrevem um pouco da história do escotismo no Brasil, visto sob o ponto de vista de um grupo escoteiro, localizado em uma comunidade pequena e as suas relações com as pessoas do lugar, contando como se deu esta construção e quem foram as pessoas que abriram este caminho.

Estamos preparando um momento especial para apresentar a obra, que certamente ocorrerá no mês de novembro. Neste lançamento, entregaremos os exemplares para os colaboradores do projeto que ajudaram financeiramente e puderem estar presentes, em um momento de confraternização e agradecimento. Foram 89 colaboradores que ajudaram na execução deste projeto.

Como a edição está toda paga, os demais exemplares serão vendidos e o dinheiro revertido para o Grupo Escoteiro Chama Farroupilha, tornando-se em uma valiosa contribuição para o grupo, que planeja ampliar a sede.

Obrigado a todos!

Jornal Escoteiro

No período anterior a Internet e informação instantânea, os grupos escoteiros já dispunham de importantes ferramentas de divulgação e contatos. Por várias décadas, foram editados jornais ou boletins, com peridiocidade variável.

Estes jornais eram elaborados pelos próprios escoteiros, envolviam não somente notícias do escotismo, mas também sobre as comunidades onde estavam inseridos, além de anúncios comerciais que ajudavam a custear o periódico. Histórias do grupo eram contadas, havia usualmente uma seção de entretenimento com “piadas de salão”, palavras-cruzadas e charges, havendo espaço também para a reprodução de notícias internacionais de relevância. Com certeza, muitos talentos foram revelados neste trabalho. Em alguns lugares, não havia jornal local e o “jornal dos escoteiros” era a única fonte impressa de notícias, o que aproximava muito o escotismo da população local.

Dependendo do porte do grupo escoteiro e dos recursos disponíveis em cada cidade, era definido o método de impressão, a frequência e a quantidade de páginas. Alguns eram rodados em gráficas, outros eram feitos nos antigos mimiógrafos a álcool, após a elaboração da matriz, página por página, na própria sede do grupo. Havia uma prática corrente que era a troca de exemplares com outros “editores”, o que possibilitava conhecer outras experiências e idéias.

Diferente do modelo atual de blog e sites, onde usualmente apenas uma pessoa, ou pouco mais que isso, é responsável pela manutenção da página, estes jornais exigiam uma grande mobilização no grupo escoteiro, com muitas pessoas envolvidas. Os interessados normalmente trabalhavam no jornal do grupo em horários alternativos durante algumas noites, nos dias de semana para não atrapalhar as reuniões normais. Havia muitas tarefas, era necessário captar e escrever notícias, produzir anúncios dos patrocinadores, editar e formatar as páginas, enfim, todos os trabalhos de uma redação de jornal, mais a parte de vendas. Sim, os jornais eram vendidos assim como os anúncios e, portanto, representavam uma fonte de renda para o grupo escoteiro.

Sem dúvida era uma experiência muito interessante com várias facetas: envolver e agregar muitas pessoas em uma tarefa comum; aproximação e divulgação na comunidade local; troca de experiências com outros grupos escoteiros; desenvolver habilidades de escrita e de vendas (quer seja dos anúncios, quer seja dos exemplares); fonte de financiamento alternativa para o grupo; e tantas outras.

Ao longo dos anos 1980’s os jornais foram desaparecendo e apesar das facilidades de editoração e impressão que os computadores oferecem, não são mais uma prática. Alguns exemplos destes jornais são apresentados a seguir, verdadeiras pérolas do escotismo brasileiro.

O Penacho, GE Tapajós, Minas Gerais

Exemplar de A Gralha, GE Tupinambas de Erechim, em 1973, já no oitavo ano de publicação

Bentinho, GE Bento Gonçalves, Porto Alegre

GE Goiaz, de Goiânia, edição de 1973

O Guia, Rio de Janeiro, meia página da capa

Reparem na qualidade da impressão do jornal O Guia, do Grupo Escoteiro David Barros, do Rio de Janeiro. Na imagem aparece apenas meia página, portanto era de tamanho grande, impresso em gráfica, com fotos, 16 páginas e distribuido gratuitamente. Exemplar de 1971, já no seu quarto ano de publicação.

A Mochila, GE Carajás, São Jerônimo, RS

Observem atentamente este editorial, que descreve as dificuldades em manter estes informativos em circulação e narra algumas das intempéries enfrentadas.

 

A Mochila, GE Carajás, São Jerônimo, RS. Edição especial do Dia das Mães

A Fila do Jamboree Nacional

 

Durante o 5º. Jamboree Nacional, no Rio de Janeiro, houve momentos que se formava um fila para acesso ao refeitório, devido ao grande fluxo de pessoas. Em algumas oportunidades, ela evoluía lentamente e isto era agravado pela postura de nossos irmãos escoteiros, principalmente os chefes.

Por várias vezes assistimos hordas de jovens descaradamente procurando outros integrantes de seus grupos na fila e se juntando a eles. Sem dúvida, este era o maior complicador. A postura daqueles que prometeram ser irmãos dos outros, serem leais, serem obedientes e disciplinados. Um exemplo de má educação.

Após alguns episódios, outros chefes que não concordavam com a atitude tipicamente brasileira, de levar vantagem em tudo, inclusive em uma fila de escoteiros, passaram a questionar os jovens furões. A situação ficou tensa, e pasmem, justamente porque estes escoteiros eram apoiados por seus chefes! Os argumentos eram os mais variados e se aplicavam a todos na fila. Explicações tipo “só fui no banheiro”, “eu já estava aqui antes”, “só fui comprar um pin na loja”, “só fui ligar para a minha mãe”, etc. Ora, se você tem algo a fazer, não entre na fila e se precisar sair, ao retornar vá para o seu final. “Guardar lugar na fila” é outra invenção oportunista de brasileiros. Mas nem era esse o caso, os jovens estavam mentindo descaradamente.

Outros chefes iam além em defesa do furo e diziam que os jovens não poderiam ser cobrados ou recriminados na frente dos outros. Este argumento tira o foco do problema, que é furar a fila e tenta abrir outra discussão paralela, fugindo do âmago da questão, que é cumprir espontaneamente as regras e fazer o que é certo. Outro ponto é a formação educacional e acadêmica de quem usa este enfoque. O que você já estudou de educação para justificar em público tal postura? É evidente que se trata de mais um palpiteiro.

Sobra uma reflexão importante. Muito se fala da dificuldade do escotismo brasileiro crescer e de estratégias institucionais para isto, mas talvez, quem sabe, o problema esteja na base. Junto a alguns chefes que cuidam das crianças. Pensando como pai (há quatro anos) e não como chefe escoteiro (durante 22 anos, mas há 32 no movimento), não gostaria que minhas filhas frequentassem um ambiente onde o líder estimula pequenas artimanhas como furo em filas e caça a troféus em acampamentos (o que na verdade é roubo). Se os grupos não crescem, seria oportuna a pergunta sobre qual o material humano que o lidera. Quantas histórias de sucesso existem lá? Que futuro tiveram os antigos escoteiros? São respostas a estas perguntas que atestam a qualidade do que é praticado e ajudam uma família a decidir se seus filhos participarão ou não da associação.

Façamos um exame de consciência e uma análise profunda do que estamos ensinando em nossos grupos, para nossas tropas, das interpretações que estamos dando aos fatos. O crescimento do escotismo no país depende sem dúvida de atitudes eticamente corretas, que tanto desejamos como sociedade e de bons exemplos.

Brique

       

           O costume de trocar objetos escoteiros, incluindo distintivos, cintos, lenços, anéis de lenço e tantas outras coisas, é uma prática talvez tão antiga quanto o próprio escotismo e que sempre desperta muito interesse.

          Não existe evento escoteiro onde as trocas não aconteçam. Mesmo com apenas dois grupos acampando juntos, lenços escoteiros são trocados. Nos jamborees costuma haver uma área determinada, tipo uma praça de trocas, que é o ponto de encontro dos colecionadores, embora ocorram negócios em qualquer lugar. Alguns chamam estes pontos de mercado das pulgas ou mercado persa, mas a verdade é que nunca haverá dinheiro envolvido, nada pode ser vendido ou comprado, somente trocado. Se há diferença entre os objetos, esta deverá ser compensada com mais itens e nunca com óbolo.

          Uma alternativa são as trocas pelo correio, modalidade que praticamos durante muitos anos, obtendo endereços de outros escoteiros através de um sistema mundial chamado de Pen-Pal, onde os interessados ofereciam seu endereço para divulgação e obtinham endereços de outros. Então, bastava escrever a primeira carta para iniciar a amizade e as trocas.

          Modernamente, o email pode superar com muita vantagem este método porque os objetos podem ser negociados com fotos e somente após haver o acordo entre as partes os distintivos são postados. Assim, não há dúvida do negócio feito.

          Com os sites de vendas diretas como o Mercado Livre, muitos distintivos podem ser encontrados para compra e chama a atenção o preço astronômico que são oferecidos. Alguns com valores mais de dez vezes superiores aos praticados pelas Lojas Escoteiras. Não há explicação para isso, exceto a expectativa de lucro fácil, quebrando o segundo artigo da Lei Escoteira, O Escoteiro é Leal. Ou certamente não são vendidos por escoteiros.

          Então, motivado por estes preços abusivos e oportunistas, pelo vício de colecionar e trocar coisas escoteiras que abriremos uma nova página no blog, chamada exatamente de “O Brique”, onde serão expostas fotos de distintivos e objetos que temos disponíveis para troca. Obviamente, será gradativamente elaborada e continuamente atualizada. Se algo lhe interessar, deixe um post para iniciarmos as negociações via email e pelo sistema tradicional, ou seja, sem envolver dinheiro. Mas seja rápido, porque muitos itens são únicos e se houver demora no contato, alguém poderá chegar primeiro.

 

As fotos deste artigo são do local de trocas do Jamboree Mundial da Suécia, 2011.

Salário de Chefe

 

Moedas da Boa Ação

 

            Qual a maior satisfação de um chefe escoteiro? Qual o salário de um escotista? Muitos respondem que é o sorriso dos jovens com quem trabalhamos, mas hoje se pode afirmar com tranquilidade que esta é uma satisfação ou pagamento fugaz, é como se fosse a gorjeta que se recebe ao atender bem um cliente ou freguês, não é o pagamento verdadeiro.

 

            Atualmente acreditamos que nosso pagamento verdadeiro, o salário de carteira assinada com fundo de garantia, é olhar para trás depois de alguns anos e ver que rumo tomaram os jovens que foram nossos escoteiros, que caminho eles escolheram para suas próprias vidas depois que passaram por nossa influência.

 

            É o sucesso deles que expressa o nosso salário, o quanto trabalhamos bem ou quanto ainda podemos melhorar como chefes, como pessoas. Obviamente que o escotismo não é a única influência na vida destes indivíduos, logo não pode receber todos os louros da vitória daqueles que se tornaram cidadãos de sucesso e nem a responsabilidade pelos insucessos e problemas que muitos tiveram. Mas não se tem dúvida que a contribuição do Movimento Escoteiro é positiva e realmente ajuda as pessoas.

 

            O Grupo Escoteiro Chama Farroupilha esta em uma cidade pequena, por isso as pessoas não perdem o contato e quando se olha para os jovens que passaram pelo grupo nestes vinte e seis anos de existência, se sabe que alguns tiveram desventuras, mas são incontáveis os casos de sucesso. Pessoas que hoje são advogados, médicos, dentistas, engenheiros, administradores, contadores, empresários, professores, comerciantes, operários, militares, músicos, policiais, funcionários públicos, enfim, uma variedade de profissões, mas todos com uma vida honrada onde os enunciados de Baden-Powell fazem parte do cotidiano, muitas vezes sem serem percebidos conscientemente por aqueles que foram escoteiros.

 

            É com muita tranquilidade que se pode afirmar que a existência de um Grupo Escoteiro na comunidade é muito profícua, sendo inegável a sua contribuição para a educação dos futuros cidadãos. No caso do Chama Farroupilha, nunca é demais agradecer aos fundadores Silvio Machado Felten (in memoriam), Saulo Ernani Radin e Achiles Goldani Netto que juntos com outros plantaram a semente em 1986 e cuidaram da muda até ela se tornar uma árvore frondosa. Hoje aproveitamos sua sombra, colhemos os frutos, mas continuamos cuidando desta árvore que exige atenção permanente e contínua para que as próximas gerações também possam desfrutá-la e mais chefes recebam seus salários.

 

Totens, uma antiga tradição esquecida

Totens

           Esta é uma tradição muito antiga no escotismo, parte da mística escoteira que vemos citada quando chefes mais idosos são mencionados e que atualmente está em desuso. Por isso que Benjamin Sodré era chamado Velho Lobo, Glaucus Saraiva era conhecido por Uirapuru, Jarbas Pinto Ribeiro era Quati e tantos outros.  Além da tradição passada de ouvido a ouvido, existe uma base documental, o livro Sempre a Direito, publicado em Portugal pela Editora Educação Nacional, escrito por Léopold Derbaix, com citações do próprio Baden-Powell. No capítulo “Os Tótemes”, páginas 298 e 299, o autor faz a seguinte explanação que está transcrita na forma original, sem mudanças no idioma ou estilo:

“Cada escoteiro terá, igualmente, o seu nome de guerra: o seu tóteme. Eis aqui uma inovação que muita gente critica e que, pelo contrário, revela a admirável sagacidade pedagógica de Baden-Powell. A mania das alcunhas e dos sobrenomes constitui um fato inegável, quer na caserna, quer nos colégios. Em vez de um nome puramente convencional, quase todos preferem designar os indivíduos por uma expressão incisiva ou maliciosa, nem sempre inocente, através da qual ressaltem os seus pontos fracos ou seus defeitos. Baden-Powell aproveita esta mania, que sabe perfeitamente ser impossível de combater; não só a torna inofensiva, mas tira dela todo o partido possível, utilizando-a com uma finalidade educativa. Ele gosta que se dê um nome de guerra a cada escuta, o nome de qualquer animal que possua um sinal característico da personalidade do interessado e que lhe recorde uma qualidade que lhe falta ou um defeito que ele deve combater.”

Capa do Livro Sempre a Direito

 

          Nos grupos escoteiros brasileiros que adotavam esta mística, a prática costumava ser que cada membro ao entrar para o grupo, mesmo que lobinho, escolheria um animal para ser chamado e servir de alcunha. Ao mesmo tempo, também poderia escrever uma pesquisa sobre o referido animal, descrevendo seus hábitos e características. Não era recomendado que fossem nomes de patrulhas do grupo nem totens que estivessem sendo usados por outros jovens naquele momento, para evitar confusões. Os que voltavam a ser usados em outros tempos recebiam números em romanos, tipo Jacaré II, Panda III.

          A prática desta tradição revela situações inusitadas promovidas pelos jovens que valem alguns relatos. Muitos destes totens acabam virando apelido de rua dos jovens, especialmente em lugares onde estes têm convivência também fora do grupo escoteiro. O inverso também ocorre com o apelido da rua virando o totem, quando já era um nome de animal. Outras vezes, o totem se estende para o seu irmão mais moço, que fica conhecido pelo diminutivo, algo tipo o coruja e o corujinha. Por vezes o escoteiro escolhe um totem e os outros acabam adequando o novo apelido, como o menino que escolheu pastor alemão, mas dada a sua personalidade, o totem foi adaptado para cachorro louco.

          Enfim, esta prática antiga é muito interessante e pode se tornar uma boa ferramenta para evitar o bullying, uma vez que o próprio escoteiro escolhe o apelido, evitando situações jocosas ou pejorativas. Particularmente, a empregamos em nosso grupo escoteiro com sucesso até os dias de hoje, onde todos, inclusive os chefes, tem seu totem.

As excursões de Georg Black.

As excursões de Georg Black.

          Nascido em 24 de abril de 1877, em Munique, Georg Black era professor de ginástica, havendo estudado na Escola Central Bávara para Instrutores de Ginástica, onde se diplomou. Em 1902 imigrou para o Brasil, dirigindo-se para o interior do Rio Grande do Sul, de onde acabou retornando e fixando-se em Porto Alegre, e como professor certificado acabou associando-se a Sociedade de Ginástica (Turnerbund). Trabalhou em diversas escolas e foi jogador de um clube local, que segundo relatos, teria sido o autor do primeiro gol de cabeça em uma partida de futebol no Rio Grande do Sul, causando a interrupção do jogo para discussão de sua validade. Em 1913 fundou o primeiro grupo escoteiro do Rio Grande do Sul, atualmente o grupo escoteiro mais antigo do Brasil em atividade. Celeiro de grandes lideranças do escotismo brasileiro, tal como a família Schiefferdecker, o Grupo Escoteiro Georg Black é orgulho de todos os escoteiros.

          Georg Black faleceu em 15 de maio de 1949, portanto com 72 anos. Em 1963, o grupo escoteiro 01 RS passou a se chamar Georg Black, em homenagem ao seu fundador. Naquele tempo da fundação, as atividades envolviam longas jornadas, com muitos dias de duração e com deslocamentos superiores a 20 km por dia a pé. O próprio Georg Black liderava e preparava minuciosamente estes eventos.

         Dessa época, temos cinco fotografias que fazem parte dos Arquivos Roth deste blog, portanto pertenciam a Ernesto Roth (1926-2006), mas que pela sua relevância, mereciam um post separado e destacado. Não sabemos mais a época exata em que foram realizadas nem o destino desta excursão ou sequer outros detalhes, exceto o que as fotos por si só descrevem, outras informações se perderam no tempo.

         Em todas se observa um contingente razoável de escoteiros. Na primeira das fotos aparece a Igreja Luterana São Luís, de Santa Cruz do Sul. Este templo foi concluído em 1924, portanto a atividade só pode ser posterior a esta data. Próximo a residência que aparece a esquerda da foto, a frente da tropa com um uniforme claro e parcialmente curvado, há uma figura semelhante a Georg Black, especialmente se comparado as demais fotos a seguir, mas difícil de ser confirmado devido à distância e qualidade da imagem.

          Em duas outras, a imagem característica de Georg Black é facilmente identificável, particularmente a longa e pontuda barba, o tom escuro dos cabelos e o formato do rosto. Por isso ampliamos digitalmente estes detalhes. Ambas foram tiradas em áreas urbanas, mas que não podemos precisar onde. Sabe-se que estas jornadas costumavam passar por várias cidades.

 

Nesta foto, aparece bem a direita, na primeira linha de formação, portanto a mais distante, sendo o primeiro, com o uniforme mais claro. Este detalhe ampliado pode ser visto abaixo:

 

 

Aqui, aparece na primeira linha de escoteiros, logo atrás da bandinha que abre o que parece ser um desfile. É a quarta pessoa, da esquerda para a direita, usando o mesmo uniforme mais claro. A ampliação digital desta área esta abaixo:

          Na quarta foto, há uma cena de acampamento, com fogueira montada no centro e bandeira hasteada.

          A quinta foto mostra a tropa com pessoas usando fantasias ao centro e outros com trajes típicos tiroleses. É descrito que nessa época o grupo escoteiro realizava fogos-de-conselho comunitários, para as pessoas da comunidade, com encenações teatrais. A foto foi tirada de dia e isto é apenas uma suposição. Todavia, os dois meninos que aparecem destacados atrás e sobre as pessoas fantasiadas também mereceram uma ampliação. As camisetas que usam estampam a logo do Grupo Escoteiro Georg Black, marca registrada deste grupo. Se havia dúvida que este desenho tenha sido adotado pelo próprio Georg Black, esta imagem deve ajudar a esclarecer o assunto.

 

Observem a estampa ampliada das camisetas dos meninos na última fila, por sobre os outros.

Marca registrada do GE Georg Black estampada nas camisetas.

          Comentários e observações sobre estas fotos são muito desejadas, pois acreditamos se tratar de um registro raro do escotismo brasileiro que ainda pode ser muito enriquecido.

Os Jamborees

Os Jamborees – Bolívia, Guatemala, Chile, Foz do Iguaçu, Inglaterra, Suécia.

Após o VII Encontro Regional de Chefes do Ramo Escoteiro, decidimos oficialmente participar do 9º. Jamboree Panamericano de Cochabamba, Bolivia, por influência de Eduardo Bello. Foi realizado entre os anos de 1994 e 1995, com a passagem do Ano Novo lá, no altiplano andino. Era a primeira vez que o Chama Farroupilha participava de um evento internacional, a primeira vez que ia a um Jamboree e a primeira vez que saia do Brasil. A Região, através de Eduardo Bello, organizava uma grande delegação, com um voo charter somente para os gaúchos, fretado do Lloyd Aéreo Boliviano. Foi uma surpresa quando entramos no avião e a direita da porta havia uma placa de bronze com os dizeres escritos em espanhol e aqui traduzidos: “Nesta aeronave voou o Papa João Paulo II, quando de sua visita a Bolívia”. Foi uma tranqüilidade muito grande saber que estávamos voando no avião papal, uma sensação de segurança reconfortante, a despeito de todas as brincadeiras de humor negro que ouvimos antes de viajar, fazendo referências a uma companhia aérea que é muita séria e sem histórico de acidentes. Iniciamos a organização da delegação triunfense, fizemos algumas reuniões e como nesta época não tínhamos sede, estes encontros com os pais para esclarecer o que era o evento e como poderíamos participar ocorreram no subsolo do Clube Centenário, junto a pista de bolão. Finalmente, nossa delegação foi composta pelos chefes Maurício Roth Volkweis e Mateus Schenk Freitas, pelo sênior Geleovir Freitas e pelos escoteiros Elzo Giacomelli Junior, Vinícius Lima Goldani, Vinicius da Cruz de Paula e Guilherme Galarça Radin. Delegação para a Bolívia.

Tanto a viagem quanto o evento transcorreram sem problemas, chegamos pela manhã mas só fomos transferidos para o acampamento na tarde do dia seguinte. Ficamos alojados em uma escola no centro de Cochabamba, o que permitiu que conhecêssemos a cidade. Tínhamos um universitário voluntário que nos servia de guia. Já na metade do primeiro dia, o Mateus dispensou o rapaz e assumiu as funções de guia turístico sem nunca ter ido antes a Cochabamba. Quando cruzávamos com outros grupos de escoteiros brasileiros pela cidade eles perguntavam onde estava nosso guia e o Mateus respondia “El guia soy yo, la garantia soy yo“ em uma alusão a um comercial de TV do videocassete Toshiba quatro cabeças. A noite jantamos em uma pizzaria no centro de Cochabamba. O detalhe é que nunca nenhum de nós havia estado em Cochabamba, mas realmente não era difícil se localizar na cidade e encontrar os locais de interesse para visitação, incluindo uma feira gigante de artesanato. O programa do Jamboree envolvia muitas caminhadas pelo altiplano andino, realmente muito bonito. Nossa tropa foi completada com o grupo escoteiro Jean de Lery, de Estância Velha e Inhanduí, de Canoas. O Chefe da tropa era o chefe Davi, do Jean de Lery, que também desempenhava a função de coordenar a cozinha do acampamento. Um dia de noite a equipe de cozinha resolveu fazer um macarrão, que ficou todo grudado, impossível de ser comido. Um escoteiro do Jean de Lery, Rômulo Faustino, hoje conhecido no escotismo como Rufos, colocou a massa no prato e o virava de cabeça para baixo e a massa não caia, desafiava a lei da gravidade. 

Estávamos participando da I Ação Escoteira em Veranópolis, em abril de 1995 e no domingo pela manhã havia uma missa na praça central da cidade, onde todo o evento iria participar. Lá estava novamente Eduardo Bello que conversou conosco e passou informações preliminares sobre o X Jamboree Panamericano que seria realizado na Guatemala e haveria a possibilidade de após o jamboree passarmos uma semana nos Estados Unidos, em Orlando, desfrutando a Disney e demais parques. Parecia um sonho. Nesta época havia paridade cambial entre o Real e o Dólar e tudo ainda poderia ser pago em dez parcelas fixas. Logo iniciamos as tratativas e montamos uma delegação em nosso grupo, que apesar das facilidades financeiras para este evento, foi a menor delegação do Chama Farroupilha em um Jamboree, sendo composta pelos chefes Maurício Roth Volkweis e Mateus Schenk Freitas e pelos escoteiros Elzo Giacomelli Junior, Vinícius Lima Goldani, e Vagner Pinheiro Machado. O evento transcorreu durante a páscoa de 1996, de 30 de março a 6 de abril de 1996, em Muxbal, nossa tropa era formada ainda pelos Grupos Jean de Lery (Estância Velha), Barão do Rio Branco (Novo Hamburgo), Arno Friedrich e Marquês do Herval (Osório). O chefe da Tropa 5, Vikings, era o Maurício Volkweis, Mateus Freitas era o chefe do Bem-Estar e o Fabiano Trein era o chefe do Programa, estas duas últimas funções criadas pela organização do jamboree e com funções específicas. Desde então, começamos a observar um fato constante em nossas tropas e muito interessante. Os jovens criam ou uma história fantasiosa ou um amigo imaginário coletivo que está presente em todos os momentos e acompanha a todos. Na Guatemala, os escoteiros Rodrigo Luiz Kasper e Rodrigo Magrin Juchen (o Patê), ambos então do G.E. Barão do Rio Branco, instituíram a história dos Ciclonóides, que vieram do planeta Ciclon e poderiam converter outras pessoas, sugando sua energia vital com a ferramenta especial, desde que a pessoa se colocasse em posição. Apenas os seis ciclonóides originais não tiveram sua energia vital sugada, a saber: Chefes Maurício, Mateus e Fabiano Trein e os próprios Kasper e Patê e o João, amigo deles que não foi ao Jamboree e que segundo eles foi quem inventou esta história toda. Havia sinais de identificação entre os ciclonóides e toda uma coreografia muito elaborada.

A organização guatemalteca foi precária, faltando muitas coisas para o evento e o local ainda era muito difícil, devido a ser um morro muito pedregoso, com grandes distâncias entre os subcampos e a arena central. Gastávamos 20 minutos caminhando morro acima para voltar da arena central até o acampamento que era no último subcampo, quer dizer, no mais alto. Entre o nosso canto de tropa e a rua de circulação havia um barranco arborizado que virou o ponto de parada do pessoal, em qualquer minuto vago todos estavam no barranco apreciando o movimento. Os guris desenvolveram um passatempo, fizeram plaquinhas com notas e ficavam sentados em cima do barranco observando o movimento. Quando passava uma menina, eles levantavam as plaquinhas dando notas para elas. Todos gostaram da idéia e tinha menina que não cansava de passar, para ver se a nota melhorava. Esta brincadeira foi repetida meses depois, na Ação Escoteira de São Lourenço.

A UEB foi fantástica, criando uma organização paralela e fornecendo as tropas brasileiras o suporte que o evento não oferecia, inclusive dois veículos foram alugados, uma van e uma picape, para atender as tropas. Após o Jamboree, os chefes de tropa receberam uma agradável e elogiosa carta de agradecimentos, assinada pelo próprio Antônio Carlos Hoff, chefe da Delegação Brasileira. Uma das atividades do programa era a escalada do vulcão de Pacaya, ainda ativo. Os grupos eram deslocados de ônibus até a base do vulcão e quem realizasse a subida, recebia um distintivo no topo do vulcão, que caracterizava a base. Todos os integrantes do Chama conquistaram a insígnia. Era uma elevação muito íngreme, com muitas pequenas pedras soltas queimadas, resultado do resfriamento da lava e os pés se enterram nestas pedras, dificultando a subida. O pisoteio destas pedras também produzia uma poeira preta que atrapalhava a respiração. Trouxemos algumas destas pequenas pedras pretas como recordação e elas estão no armário de troféus do grupo, em uma pequena caixa plástica transparente. Parte da tropa 5 no topo do vulcão de Pacaya. Depois, os dias em Orlando foram muito prazerosos e visitamos a Disney World, Epcot Center, MGM Studios e Universal Studios, hospedados em hotel e com direito a compras na Rodeo Drive e um city tour em Miami.

Tivemos uma intercorrência na imigração americana, onde uma escoteira do G.E. Jean de Lery foi detida por problemas no visto de imigração americano. Acontece que o governo dos Estados Unidos havia concedido um visto que permitia somente uma entrada no país e quando fizemos a conexão para a Guatemala esta única entrada foi utilizada embora não tivéssemos nem saído do aeroporto, mas ninguém sabia disto. Ela foi conduzida para uma sala toda envidraçada onde ficavam os imigrantes ilegais até receberam o devido destino, junto com diversas pessoas algemadas. Todos nós viajávamos impecavelmente uniformizados, apesar dos sete dias de acampamento e pensamos que isto ajudou muito, dada a popularidade do escotismo nos Estados Unidos. Foi permitido um acompanhante por ela ser menor de idade , havia sua irmã na tropa mas não falava inglês, então foi solicitado ao chefe Maurício Volkweis acompanhar a jovem. Após conversar com os oficiais da imigração, eles foram sensíveis a situação, houve explicações de ambas as partes e validaram o visto para somente mais uma entrada, cobrando uma nova taxa, na época correspondente a US$ 100,00. Após este susto, apenas desfrutamos os passeios.

O Jamboree do Chile foi o primeiro e até agora único Jamboree Mundial realizado na América Latina e o 19º. World Scout Jamboree. Iniciamos um longo trabalho prévio de motivação e diversas estratégias de arrecadação de fundos pela oportunidade de participar de um Jamboree Mundial em um país próximo, portanto com uma viagem mais barata. Fizemos uma ficha para cada jovem que funcionava como uma conta corrente, o que cada um gerava de dinheiro nas promoções era creditado individualmente, assim cada jovem poderia acompanhar seu próprio progresso financeiro. Se alguém desistia, o dinheiro acumulado por ele era fraternalmente dividido entre os restantes, creditando na ficha pessoal. Nossa delegação contou treze membros e foi a maior até hoje para um Jamboree. Era formada pelo Chefe Maurício Roth Volkweis e pelos jovens Bruno Barreto Pavão, Daniel Pinheiro Vargas, Diego Vargas, Dyego Matielo Lemos, Guilherme de Souza Ferreira, Leopoldo Galarça Radin, Luciano Breitsameter Demaman, Mateus Marchett Lopes, Maicon da Silva Silveira, Mário Celso Pacheco, Vinícius Goldani e João Manoel de Medeiros. Nossa tropa foi completada com o Grupo Manoel da Nóbrega, Guaranis, George Fox e com uma patrulha de Moçambique. Os moçambicanos nos presentearam com uma fruta típica de Moçambique que forma uma espécie de pequeno porongo chamada de Massala, serve para conter líquidos e encontra-se exposta em nossa sede no armário de troféus. Durante o evento, sofreram forte crise de malária, doença da qual eram portadores, exigindo a internação no hospital de campo de quatro jovens diferentes.

No voo entre Porto Alegre e Buenos Aires, onde fizemos nossa conexão para Santiago, o serviço de bordo distribuiu um conjunto de brindes onde havia um creme hidratante em um sache. Logo veio a bandeja de alimentação e o Guilherme Ferreira passou o hidratante na comida toda, achando que era maionese. E ainda reclamou do gosto estranho daquela maionese. Houve muitas falhas no programa do Jamboree para os jovens, com bases que verdadeiramente não funcionavam, tal como a base Carros de Acero. Havia um calor intenso e o ponto alto foi a ampla distribuição de frutas durante todo o acampamento e em múltiplos pontos. A decoração do campo, com pórticos em todos os subcampos e vias cobertas com telas para proteger do sol também merecem destaque. Nossa tropa era a 4 e se chamava Muuripás, o grito de guerra era: “Do sul viemos nós, escute minha gente, Gaúchos como nós, Escoteiros para sempre”. Estávamos alojados na aldeia Teotihuacán, no subcampo Toltecas. O amigo imaginário dos jovens neste jamboree era o Pepeco ou Ralfs de Pepeco. Tudo era ele quem fazia, sabia ou deixava de fazer. Confesso que cansamos do Pepeco e ele acompanhou o grupo por muito tempo, voltou junto do Jamboree e habitava as ruas de Triunfo, onde frequentemente se ouviam gritos clamando por ele.

Sabe-se que cabeça vazia é oficina do diabo. Os jovens acabaram inventando uma distração nada escoteira e que reprimimos fortemente em nossa tropa quando a descobrimos. Havia muitos banheiros químicos no campo e eles ficavam esperando alguém entrar para utilizá-lo, aguardavam uns instantes para dar tempo da pessoa se sentar e atiravam uma pedra dentro do cano do respiro de ar do banheiro. Essa pedra cai por aproximadamente dois metros dentro de um cano fechado até se chocar com o reservatório dos excrementos, produzindo um grande pingão em quem está sentado, seguido de muitos gritos de desaforo. Conseguiram inventar algo realmente podre.

Aconteceu neste Jamboree um encontro que se tornou tradição em Jamborees Mundiais, que é o Encontro Lusófono. Ao final da tarde de um dos dias de acampamento, todos os participantes do evento de países que falam a língua portuguesa se reúnem para apresentações culturais, troca de experiências e confraternização.

Ainda resultado do tempo ocioso, o escoteiro Leopoldo Galarça Radin furou a orelha do escoteiro Luciano Demaman no acampamento para ele colocar um brinco. Usou uma técnica muito sofisticada, deixando uma pedra de gelo por alguns instantes no lóbulo da orelha e depois furando com o próprio brinco, em um golpe seco, seguido de um grito. Foi também neste Jamboree que tivemos o acidente mais sério com um membro de nosso grupo. No penúltimo dia, o Vinicius Goldani, que era um dos cozinheiros, enfiou uma das mãos em uma frigideira com azeite quente, queimando todo o dorso. O Vinicius era escoteiro experiente, até hoje é o único integrante do grupo a participar como membro juvenil de três Jamborees (Bolívia, Guatemala e Chile), este era seu último jamboree porque já tinha 17 anos, mas infelizmente acidentes acontecem. Permaneceu horas com a mão enfiada em uma bacia com água e gelo para aliviar a dor. A cicatrização da queimadura transcorreu sem intercorrências e não deixou sequelas. O Jamboree aconteceu entre 1998 e 1999, com a virada do ano lá. Devido a aridez da região, vimos um vídeo em telões da queima de fogos de artifício porque nenhum foguete poderia ser detonado. Também neste evento os ingleses já estavam divulgando o Jamboree do Centenário que aconteceria somente sete anos depois. Ganhamos inclusive pins de divulgação do evento e tivemos a oportunidade de conversar com Derek Twine, pessoa muito simpática, quinto Chefe de Campo de Gilwell Park no período de 1983 a 1999, que nos deu um cartão seu, guardado em nosso relicário. Os escoteiros entendem a importância da única Insígnia da Madeira de seis contas. Após o Jamboree a comunidade de Triunfo viveu uma experiência singular, que foi a de participar do programa de Home Hospitality (HoHo), onde cada família recebeu dois escoteiros ingleses, tivemos dezesseis pessoas alojadas em Triunfo, provenientes da região de Leeds e Wakefield, correspondendo a escoteiros do Condado de Central Yorkshire. Eram catorze membros juvenis e dois chefes. As famílias que hospedaram os ingleses foram as de João Ramos Matias, Cacildo Volkweis, Maria Cristina Lemos, Carlos Eduardo Bonatto Felten, Marcos Pavão, Carlos Antônio Aita, Achiles Goldani Netto e Fábio Jerônimo Martins Vargas. Permaneceram em Triunfo durante 4 dias. No churrasco de despedida realizado no Cantegril Clube, recebemos um quadro onde o fundo é o lenço da delegação inglesa e sobreposto a ele estão os distintivos de todos os distritos que formavam a tropa no HoHo de Triunfo, exposto na sala da chefia. Ainda ornamentam a sede uma flâmula do Jamboree em um quadro de vidro, oferecida ao grupo pelo chefe Maurício, um quadro com a carta de agradecimento e fotos que foram enviadas pela tropa do Ho-Ho após a volta deles para a Inglaterra, e um prato plástico com a logo do jamboree, no armário de troféus do grupo, presente de Dyego Matielo Lemos.

Ao revisar estes relatos, Daniel Vargas, o Cachorro, ainda lembrou de outra história. Como o Chefe Maurício era o único chefe de seu grupo liderando doze jovens, alguns cuidados foram necessários, que o Daniel narra a seguir: Nas preparações para ida ao Jamboree do Chile fazíamos algumas reuniões, e em uma dessas reuniões você (Maurício) chamou apenas eu (Daniel) e o Mário (Pacheco) daí você nos falou como funcionaria tudo lá no Chile e nos depositou a confiança de passar algumas instruções de como assumir o controle do grupo, documentos de todos e também de como agir caso acontecesse alguma coisa com você. Nessa reunião, em conversa descontraída, eu falei: “Imagina depois que voltarmos, em fazer encontros com jantas ou almoços para podermos nos encontrar e falar das histórias que vivermos lá”. Nesse momento você (Maurício) me falou uma coisa que levo até hoje na minha vida, óbvio pelo acréscimo dos fatos acontecidos: “Cachorro, aproveita tudo lá durante a viagem pois quando viajamos e vivemos em grupo, ainda mais do tamanho desta tropa que estamos indo viajar, nunca mais tu consegue reunir todo mundo, pois quando marcar algum encontro sempre um dos integrantes terá outro compromisso ainda mais que vocês tão crescendo, indo estudar e trabalhar”. Após o retorno do jamboree fizemos um almoço no Clube Cantegril o qual se bem me lembro o Luciano Demamann já não pôde ir e dói a partida do nosso colega Guigui. Então, sempre aproveito todos os dias de minha vida intensamente com as pessoas que estão comigo nos momentos, viagens, festa, jantares, almoços, reuniões e outras atividades as quais participo com amigos e conhecidos, pois em 1998 e 1999 escutei essas palavras de você e vivencio até hoje o que disse naquele momento.

De 7 a 12 de janeiro de 2001 o Brasil voltou a sediar um Jamboree Panamericano e novamente o Chama Farroupilha esteve presente, a delegação foi composta pelo Chefe Maurício, seniores Guilherme da Silva Ferreira, Bruno Barreto Pavão e Mateus Marchett Lopes e pelos escoteiros Gabriel de Medeiros Aita, Vinicius Mendes Felten, João Henrique de Freitas e Moisés da Silva Rybar. Viajamos um dia antes de van e ficamos uma noite hospedados no Hotel Rafain, em Foz do Iguaçu, para no dia 7 darmos entrada no campo. Delegação triunfense em Foz do Iguaçu. Em pé: Chefe Maurício, Moisés, Bruno, Guilherme, Mateus, João e Gabriel. Agachado: Vinícius. Este Jamboree foi um exemplo de organização, onde tudo funcionava perfeitamente e foi também a única vez que um de nossos escoteiros experimentou um caso grave de saudade de casa, que chamamos de banzo, numa analogia a saudade que os escravos sentiam de sua terra natal. Este é um fato passível de acontecer em longos acampamentos como este e talvez o amigo imaginário coletivo ajude neste equilíbrio emocional e neste jamboree não houve nenhum. Outro evento marcante foi a chuva. Não chovia o dia todo, mas todos os dias choviam, algo que se tornou muito irritante após alguns dias de acampamento. A região é composta por um solo argiloso, muito vermelho, que facilmente vira barro e mancha tudo. Algumas barracas ficaram tão encardidas que não conseguimos mais eliminar as manchas. A chefia da tropa escoteira 219, chamada Atyra, com 35 participantes, ficou a cargo do chefe Eduardo Loureto Alves (Nono), do G.E. Henrique Dias de Santa Maria, da chefe Carmem Koehler do G.E. Santa Cruz, do chefe Fabiano Trein do G.E. Jean de Lery e do chefe Maurício Volkweis do Chama Farroupilha. Os jovens era procedentes dos grupos Botucaraí, Santa Cruz, Almirante Abreu, Augusto Severo, Iguaçu, Medianeira, Itaipu, Porto Seguro, Ventos do Sul, Nenguiru, Acauã, Chama Farroupilha, Paranhana, Jean de Lery, Barão do Rio Branco, Harmonia e Henrique Dias. Nossos seniores ficaram em outra tropa, liderada pelo chefe Alberto Stochero, de Santo Ângelo.

Um ponto alto foi o refeitório montado, com toda a alimentação era oferecida pronta, liberando os jovens de atividades de cozinha e permitindo mais tempo para confraternização e também merecem destaque os banheiros que sempre funcionavam adequadamente. A frente deste evento estava o trabalho de Eduardo Bello, Executivo da Direção Nacional, a quem citamos as qualidades e lamentamos a perda precoce.

Em 2007 ocorria o Centenário do Escotismo, marcado pelo centenário do acampamento na ilha de Brownsea, considerado o marco de fundação do movimento. Para celebrar data tão significativa, a Inglaterra, assim como ocorreu no cinquentenário do escotismo em 1957, organizou o 21º. World Scout Jamboree. Trabalhamos fortemente para o Chama Farroupilha estar presente, acalentando o sonho desde 1999, quando no Jamboree do Chile tivemos contato com a delegação inglesa, que já divulgava os preparativos para o evento. O resultado é que fomos a maior delegação do Rio Grande do Sul, motivo de muito orgulho para todos. Esta foi a nossa segunda maior delegação, com doze membros. Tal número só foi possível graças ao empenho pessoal de Pedro Francisco Tavares, o Chico, que conseguiu patrocínios para o Grupo Escoteiro. A Delegação foi formada pelos Chefes Maurício Roth Volkweis, Daniel de Souza Franco, Lucas Meister e pelos jovens Tibério Kober, Rafael Conzatti Umann, Leonardo Schmidt Costa, Luiza Galarça Radin, Cintia de Souza Franco, Henrique Jadoski, Bruno Dornelles Pereira, Carlos Gabriel Grzegorczyk Dias e Rodolfo Itamar Souza Viacava.

O amiguinho imaginário que acompanhou a tropa desta vez foi o Barbiroto. Dessa vez, o significado foi estendido e também usado como verbo, tipo ele está barbirotiando e até como adjetivo, como barbirotice. Nossa tropa era a única do Rio Grande do Sul, portanto contava com jovens de todo o estado e ainda uma patrulha de escoteiros uruguaios. Nossos hermanos nos presentearam com um troféu que é um mapa do Uruguai, revestido em cobre, obra de um artista plástico uruguaio, que está exposto em nossa sede, no armário de troféus do grupo junto com uma foto e cartão de toda a equipe de chefes de serviço de nosso subcampo, oferecida como recordação a todas as tropas presentes. Também temos exposta em nossa sede a faixa que identificava a Tropa 12, com o nome de todos os municípios de onde os integrantes eram procedentes, ou seja, Porto Alegre, Santa Cruz do Sul, Portão, Triunfo, Vera Cruz, Estância Velha, Erechim e Carazinho. Parte brasileira da tropa sendo homenageada pelos irmãos uruguaios. Os chefes Daniel e Lucas trabalharam na Equipe Internacional de Serviço e a chefia da tropa foi composta pelo chefe Maurício, um chefe da Delegação Uruguaia, pelo chefe Tiago do G.E. Arno Friedrich, e pelo chefe Eduardo Amorin, o Bala, então do G.E. Santa Cruz (181 RS), um chefe escoteiro nato, com extensa dedicação ao escotismo, fundador e organizador de outros grupos escoteiros como o McLaren (343 RS) e o Arés (193 RS), com quem desenvolvemos intenso e gratificante trabalho durante o acampamento. O Bala é uma pessoa muito autêntica e com o trabalho conjunto tivemos um excelente evento. Após o Jamboree ele escreveu em seu blog um extenso agradecimento a nós, deixando-nos verdadeiramente envaidecidos, em uma sincera demonstração de carinho. O reconhecimento pelos irmãos de ideal, especialmente aqueles muito dedicados ao escotismo, é sempre uma grande honraria (http://chefebala.blogspot.com/2008_01_01_archive.html).

Este Jamboree foi um exemplo de organização, tudo foi perfeito, tudo funcionou, uma experiência única e irrepreensível, que contou com a presença do Príncipe Willian, herdeiro do trono inglês na Cerimônia de Abertura, bem como do neto de Baden-Powell, também chamado de Lord Baden-Powell. Toda a programação transcorreu naturalmente, havendo um dia inteiro de atividades em Gilwell Park e em outro dia havia inclusive uma encenação de um torneio medieval de cavaleiros durante o horário de almoço. Era impressionante a quantidade de câmeras de segurança no evento, inclusive com unidades móveis de monitoramento, todavia não impediu que nossa bandeira do Brasil, que ornamentava o pórtico do canto de patrulha fosse roubada durante a noite. Era uma bandeira muito grande, que um dos jovens de Porto Alegre do grupo Arno Friedrich havia levado, procedente da empresa que seu pai trabalhava e que a havia substituído, embora em perfeito estado. A caça de troféus é uma prática antiga e condenável no escotismo e desta vez fomos vítimas.

Devido a este roubo, fomos convidados a comparecer a uma espécie de delegacia montada dentro do Jamboree em containeres, em uma das extremidades do parque, acompanhados pelo chefe do subcampo Tundra, onde estávamos acampados. Ficamos impressionado com a quantidade de agentes da New Scotland Yard, a polícia inglesa, que estavam presentes no evento, vestidos como escoteiros e trabalhando discretamente pela nossa segurança. Frequentemente eram vistos policiais uniformizados circulando no campo, em policiamento ostensivo, mas estes, depois desta visita, percebemos que eram só para inglês ver. O contingente policial verdadeiro era discreto e circulava em bicicletas, misturado as equipes de serviço. Após o evento, passamos três dias em Londres e quatro dias em Paris, oportunidade única para estes jovens conhecerem duas das mais importantes capitais do mundo. Desta vez, a função de guia turístico coube ao chefe Maurício.

No período de 27 de julho a 7 de agosto de 2011, a Suécia sediou o 22º. Jamboree Mundial, em Kristianstad e o Chama Farroupilha preparou uma delegação composta pelo Chefe Maurício Volkweis, pelos escoteiros Otávio Delavi Carvalho, Pedro Delavi Carvalho, Anderson da Rosa Gonçalves e Henrique Tavares Schubert e os pioneiros e integrantes da Equipe Internacional de Serviço Letícia Teixeira Lopes, Tibério Kober, Rafael Conzatti Umann e Rodolfo Itamar Viacava. Por sugestão minha, nossa tropa se chamou Lino Schiefferdecker e era a Tropa 8 do Contingente do Brasil, chefiada por mim e tendo como assistentes os chefes Daniel José Vacaro, Mônica Ayete e Manuela Kanan. O contingente gaúcho foi liderado pelo chefe Osni Rosenhein. Transcorremos sem intercorrências e o programa do jamboreee estava bem satisfatório, sendo um dos jamborees mais tranquilos e calmos de que participei. Após o evento, nosso grupo permaneceu dois dias em Copenhagen e outros quatro em Barcelona onde novamente as funções de guia turístico couberam ao chefe Maurício Volkweis.

Discutindo a progressão dos jovens

Uma vez, debatendo via e-mail com o chefe sênior de nosso grupo sobre as dificuldades de estimular os jovens a assumirem seu próprio desenvolvimento, chegamos no seguinte texto, resultado das trocas de e-mails:

Sobre as etapas de progressão tenho algumas idéias. Primeiro que nem todos as realmente farão porque não é isto que os atrai no escotismo. Alguns vem pelas amizades e clima fraternal, outros pelas atividades externas e pelo campismo, outros pelas disputas entre grupos (patrulhas) e outros despertam para a progressão pessoal e buscam conquistar etapas que podem ser mostradas aos demais. O bom seria se todos os jovens tivessem toda esta lista de interesses, mas não é assim. Todavia, pelo menos alguns da tropa devem buscar a progressão formal, seguindo o sistema de etapas.

Não podemos esquecer que BP era militar e foi dai que nasceu a idéia de distinguir os jovens com insígnias para usar no uniforme, como os militares fazem e em inglês a palavra é a mesma para insígnias escoteiras ou militares (badge). Mas isto mexe com a vaidade das pessoas, porque a conquista fica evidente para que todos observem e por isso que dá certo. Seguindo esta linha militar, pode-se “promover” o jovem como no exército. Por mérito e distinção, ou seja, fazendo as etapas de classe, ou por tempo de serviço, tipo o sênior com 17 anos recebe a Eficiência I compulsoriamente (só falta um ano para deixar a tropa). Isto diferencia os mais velhos e tenta motivá-los mais uma vez a buscar as etapas. Educação para a vida. Com certeza quem está no ramo sênior deste os 15 tem conhecimento para satisfazer todas as etapas da Eficiência I mas não despertou para a conquista do distintivo em si.

Outro ponto, para jovens em diferentes níveis de formação, BP sugere o sistema de patrulhas, aplicado de maneira que o monitor ou o sub monitor deêm as instruções que eles já dominam e determinadas pelo chefe aos mais jovens enquanto o chefe trabalha com o monitor ou sub que está sobrando, oferecendo formação de acordo com o nível que ele está e que no futuro ele poderá novamente repassar aos mais jovens. Algo tipo o chefe ensina o monitor (ou sub ou ambos) e o monitor (ou sub) ensina a patrulha. Penso também que o enfoque para as conquistas das etapas deve ser focado “no que falta para tu ter o distintivo”. Fica mais objetivo para o jovem se a coisa funcionar na base da eliminação.

Existe uma série de textos chamadas de Opiniões de Delta. Se alguém conhece pula este parágrafo. São textos escritos na forma de histórias ou diálogos entre Delta e seus escoteiros ou assistentes. Delta é um escotista experiente, com muita vivência, que apresenta sugestões para as diferentes situações vividas pela tropa. Os textos são antigos, foram traduzidos para o português pelo Dr. João Ribeiro dos Santos nos anos 60 (o médico carioca que dá nome ao Campo Escola do Saint Hilaire, e que por sinal foi quem introduziu o ramo sênior no Brasil, mas isto é outra história). Um dos textos chama-se a Ordem dos Botões Azuis, ou algo parecido, onde eles criam uma distinção na tropa que só quem tivesse um conjunto de coisas poderia usar, tipo evolução nas etapas de progressão, frequencia, apresentação do uniforme, etc. Pode-se pensar em algo semelhante para a tropa. Por exemplo, um anel de lenço especial, que só exista 1 (tenho algumas peças raras e posso emprestar) que o Sênior modelo tem o direito de usar por um período determinado de tempo até a próxima avaliação quando deverá passar ao próximo que conquistou o direito.

Outro tempero que pode ser usado é a preferência para ser monitor ou sub para quem é mais adestrado. Tipo na eleição para monitor da patrulha, quem é investido e recebe um voto tem peso 2, quem tem eficiência I aquele voto vale por 3, quem tem eficiência II, aquele voto recebido vale 4. Todos gostam do poder e se o adestramento for um atalho, muitos vão se interessar.

BP também fundamentou muito do trabalho da tropa na Corte de Honra. Por quê ? Entendo que primeiro porque preserva o chefe, uma vez que o monitor e sub discutem com a patrulha, o stress é deles. Depois, o chefe houve as idéias, debate quando solicitado, mas sempre expõem seu ponto de vista e deixa os jovens decidir em um pequeno grupo. É muito mais fácil de lidar com poucos jovens em um ambiente calmo. Eles já fizeram o trabalho braçal de ouvir a tropa.

Havendo necessidade de mais chefes para dividir a tropa sênior durante o programa, sempre podemos ajudar. No seguinte modelo: “Preciso de uma instrução de regras de segurança para machadinha de 15 minutos para aspirantes”, ou “me aplica o jogo quebra-gelo” ou “história do escotismo” ou “instrução de bandeira” ou etc. Ele me alcança os escoteiros que vão receber a instrução e enquanto eu falo ele desenvolve outros conteúdos com os demais. Esse rodízio costuma ajudar bastante e por isso que sempre procuro falar sobre a minha agenda, para que as demais seções possam saber quando podem contar comigo.

Sobre aquele sênior que disse que fez jornada quando escoteiro, ele já deu a resposta, era uma jornada de escoteiro. Agora ele precisa fazer uma jornada de SÊNIOR. No meu ponto de vista, recebe somente orientações sobre o ponto de chegada e ele deve descobrir que trajeto seguir e ao final entregar o croqui detalhado (mapa) do trajeto que fez como uma das tarefas da jornada.

A fundação do Chama Farroupilha 183 RS

 

Junto com o GE Jacui, ao fundo o futuro Cantegril Clube

A Fundação

  A foto mostra o retorno do primeiro acampamento junto com GE Jacui, ao fundo o futuro Cantegril Clube, 1985.

          A primeira vez que escoteiros estiveram em Triunfo foi provavelmente em 1945, quando ocorreu o Acampamento de Férias dos escoteiros de Porto Alegre, segundo relatado na página 13 do Relatório da Comissão Executiva Regional, de 22 de março de 1958. Ao apresentar uma breve biografia do chefe Isaac Bauler, o Relatório destaca que em 1944 ele assumiu o cargo de Comissário Administrativo da Federação Riograndense dos Escoteiros de Terra (FRGET) e dirigiu este acampamento, não oferecendo maiores detalhes. Ao longo das décadas de 1960, 1970 e 1980 alguns jovens de Triunfo foram escoteiros em outras cidades, principalmente no Grupo Escoteiro Carajás em São Jerônimo, mas até então nunca houve um grupo na cidade.

O movimento de pessoas para a fundação de um grupo de escoteiros em Triunfo tomou força verdadeira em 1985. É deste ano a primeira ata existente, documentando a reunião de um grupo de pessoas da comunidade no salão paroquial da Igreja do Nosso Senhor Bom Jesus. Não haveria local mais apropriado, pois desde1754 aIgreja Matriz assiste o que acontece em Triunfo.

A reunião aconteceu no dia 16 de abril, a convite de Sílvio Machado Felten, carinhosamente conhecido por Sivica. Coordenados pela chefia do Grupo Escoteiro Jacuí 33 RS, de Charqueadas, foi escolhida a primeira diretoria, tendo como Diretor-Presidente o próprio Sivica; Vice-diretor, João André Castro; Diretora-Administrativa, Estela Galarça Radin; Vice Diretor-Administrativo, Darlan Rocha Lopes; Diretora-financeira, Dalva Maria de Souza Ferreira; Vice Diretor-Financeiro, Antônio Édson Oliveira.

A esta comissão, segundo a ata, coube a tarefa de “iniciar a estruturação e formação do grupo escoteiro pretendido”.

A segunda reunião ocorreu no dia 30 de abril daquele ano, no mesmo local e presidida pelo Sivica, tendo como pauta a escolha do nome e cores do grupo, da primeira chefia e as datas para os cursos de chefe, que seriam realizados em Triunfo, pela então Equipe Regional de Adestradores.

Foi escolhido por votação o nome “Chama Farroupilha” porque era o ano do sesquicentenário da Revolução Farroupilha e, diga-se de passagem, o estado inteiro do Rio Grande do Sul estava envolvido e motivado com o fato. Para as cores do grupo, também por votação, foram escolhidas o vermelho, o verde e o amarelo, por serem as cores da bandeira Riograndense. Como símbolo, foi definida uma tocha, representando a chama dos farroupilhas.

Para a chefia do grupo foram elencados os nomes de Saulo Ernani Radin, Carlos Alberto Rocha Sandri, Sérgio Carvalho, Leandro Flores, Achiles Goldani Netto, Elair Niederauer e Maria Helena Castro. Para as datas do Curso Preliminar e Curso Técnico, ficaram reservadas as datas de 19 e 20 de outubro de 1985.

Segundo registros posteriores, este curso foi ministrado pela equipe formada pelos chefes Alceu S. Machado, Iolanda Magalhães Bina, Arildo Pegoraro Rego e Olívia Nogueira, entre outros.

O Grupo Escoteiro Chama Farroupilha obteve “Autorização provisória para iniciar um grupo escoteiro”, sob a direção de Aderbal Ilha, do Grupo Escoteiro Jacuí, em 11 de dezembro de 1985, assinada pelo Comissário Distrital do 27º. Distrito Escoteiro, Jorge Luiz Wolff.

 O primeiro acampamento foi realizado antes da primeira promessa, no Cantegril Clube, sob a liderança do grupo escoteiro Jacuí, de Charqueadas. Na época, a rua de acesso ao clube não estava calçada ainda e nem o clube apresentava o pórtico de entrada, era somente uma porteira.